quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Belle, o álbum “ignorado” de Al Green

O reverendo Al Green
Você gosta de música gospel? Como eu, tu, eles, somos preconceituosos – se se considerar ódio à música sertaneja, que seja “sertanejo-universitária”, é preconceito –, Al Green passou a vender poucos discos quando entrou em sua fase gospel. Mas a música Let’s Stay Together você deve ter ouvido, não? Nota: até Bob Dylan teve a sua fase gospel.

Um primo disse, uma vez, a propósito de um primo ter se convertido a uma dessas seitas evangélicas, que duas coisas fazem você procurar a religião: uma grande desilusão amorosa ou um grande revés financeiro. E pode servir como boa forma de se recuperar de uma falência, por exemplo. É o caso, pelo menos, de uma pessoa, segundo sua irmã, que, depois de ter tido problemas financeiros, entrou para uma igreja, virou pastor, enriqueceu, e hoje, prega nos EUA em um dos muitos programas televisivos. Disse-me ela que o outro irmão segui os seus passos e também virou pastor. Ela preferiu continuar a ser a ovelha negra – ou desgarrada – da família.

Veja Al Green cantando Let’s Stay Together no programa de Jools Holand, com David Gilmour na guitarra.



Veja-o cantando Love and Happiness.




Em 1974, Al Green já tinha alguns sucessos emplacados nas paradas de sucesso. Neste mesmo ano, sua namorada teve sua proposta de casamento recusada e, enquanto Green estava na banheira, matou-se no aposento contíguo com um revólver dele. Tempos depois, sofreu um acidente no palco. Viu aquilo como uma “mensagem de Deus”.

Green, como muitos de seus pares negros, cresceu em ambiente religioso. Em 1976, comprou uma igreja em Memphis e foi ordenado pastor. A cooperação com seu mentor, o produtor Willie Mitchell, que resultara em vários hits, foi interrompida. Em 1978 lançou seu último álbum “secular” – para usar esse termo tão na moda com os distúrbios recentes no mundo árabe – antes de passar a gravar exclusivamente música gospel. O disco se chamou Belle e não contava mais com os Hi Rhythm Section. Não emplacou e é uma injustiça. Conta com uma banda poderosa e o baixista Reuben Fairfax, Jr. faz diferença.


De 1981 a 1989, gravou apenas temas gospel. Voltou às hostes “seculares” e tem mantido produção constante. Gravou com Annie Lennox. Refez a parceria com Willie Mitchell e gravou I Can’t Stop, em 2003. É um bom disco. É Al Green da melhor qualidade. Nem na fase gospel deixou a competência de lado. Não emplacou mais sucessos como How Can We Mend a Broken Heart, cover dos Bee Gees, ou Love and Happiness. Mesmo assim, o álbum Lay It Down, em 2009, ficou entre os dez mais vendidos. Não gravou mais nada desde então.

Bem, voltando ao Belle, ouça duas do álbum.

Georgia Boy.


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Ouça Dream. É Al Green de primeira.


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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Marcos Valle lança disco com Stacey Kent para comemorar os 70

Stacey Kent na casa de Marcos Valle
Se não existe destino, pelo menos, pode se crer que o mundo se move por meio de acasos, por felizes ou infelizes coincidências. Marcos Valle transitava com seu carro pelas ruas do Rio de Janeiro e ouviu uma voz que lhe chamou atenção no rádio. Chegou em casa e não saiu do carro curioso em saber o nome da cantora.

Dias depois, foi convidado a participar de um show em homenagem aos 80 anos do Cristo Redentor. Ele cantaria com uma cantora que muito o admirava. Seu nome: Stacey Kent. Era a mesma que ouvira no rádio. Ela e o marido, o saxofonista Jim Tomlinson jantaram na sua casa e a empatia foi imediata. Isso aconteceu em 2011.

No ano passado, a casa de shows Miranda, no Rio, entrou em contato com Marcos para agendar uma apresentação, com a ideia de que este tivesse um convidado especial. Logo pensou em Stacey. Depois apresentaram-se em São Paulo e Fortaleza.

O show na casa situada na Lagoa Rodrigo de Freitas foi gravado e lançado agora em 2013, e torna-se o disco que comemora os 70 anos de Marcos que serão completados no mês de setembro. Os acompanhantes são de sua banda – Luiz Brasil (violão), José Sadoc (trompete), Alberto Continentino (baixo), Marcelo Martins (sax e flauta), Aldivas Ayres (trombone), e Renato Massa (bateria) –, com Valle nos teclados e Jim Tomlinson no saxofone tenor. O resultado não poderia ter sido melhor. Num clima relaxado, de um encontro entre amigos, o resultado é excepcional. 

Fazem parte do programa, evidentemente, os clássicos Samba de Verão (So Nice) e Preciso Aprender a Ser Só (If You Went Away) e outras menos previsíveis. Veja e ouça Passa por Mim, cantada por Stacey em português no Bourbon Street, São Paulo.




Marcos Valle e Stacey cantam So Nice no showdos 80 anos do Cristo Redentor.




Marcos, Stacey e Jim Tomlinson ensaiam.