Menos ou mais talentosos, alguns atores mirins conseguiram se firmar adultos como bons intérpretes, mas não é a regra. Na música erudita são muito comuns os prodígios que se firmam mais tarde. São os casos de Nelson Freire, Martha Argerich e Claudio Arrau, se fico circunscrito à América Latina. Nenhum deles teve uma infância normal. O chileno, órfão da parte do pai com um ano, aos oito foi enviado para a Alemanha sob os auspícios do governo para estudar com Martin Krause. A argentina saiu do país natal para estudar com Friderich Gulda quando tinha 14 anos. Sua ida para a Áustria, assim como a de Arrau, aconteceu graças à ajuda do Estado: o então presidente Juan Perón ajudou para a mudança da família à Europa.
Nelson Freire, depois de ter participado de um concurso internacional de piano em que os jurados eram Marguerite Long, Guiomar Novaes e Lili Kraus, aos 12 anos, ganhou uma bolsa de estudos financiada pelo governo de Juscelino Kubitshek, para estudar na Áustria com Bruno Seidhofer, que havia sido professor de Friedrich Gulda.
Quando fez 15 anos, foi até uma confeitaria e comprou um bolo para comemorar seu aniversário. Chorou. Estava sozinho. O destino uniu Freire a outra solitária: Martha Argerich, sua amiga até hoje. Argerich, muito menina, já enfrentava uma maratona terrível de apresentações na Europa. Um dia, inventou alguma doença e não se apresentou. Foi uma atitude de revolta. Freire, no documentário sobre ele, dirigido por João Moreira Salles, conta da sua paixão por Fred Astaire e Ginger Rogers. Conta que em turnês, bem jovem ainda, hospedado em hoteis, sem ninguém, ficava com a TV ligada. Descobriu assim os musicais americanos.
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| Capa do CD de Emily Bear, pela Concord |
Ao perceberem as habilidade de Emily, os pais a colocaram em uma escola de música. Tinha quatro anos. Se for verdade tudo o que está registrado na Wikipedia, ela é um dos grandes fenômenos musicais desse início de século (nasceu em 2001). Sua primeira composição é de quando tinha quatro anos. Com oito, eram mais de 350. Apresentou-se na Casa Branca para o presidente George W. Bush, com seis anos e, com oito, tocou o Concerto para Piano e Orquestra nº 23, de Mozart, com Champaigne-Urbana Symphony Orchestra. Com nove, apresentou-se no Carnegie Hall, Nova York.
O caminho natural de Emily, como nos casos de crianças que demonstram especial habilidade com o piano, seria o da música erudita. Mas a precocidade não se resumia a isso. Criava seus próprios temas, não se prendendo às partituras de Schubert e Chopin.
Agora, no meio do ano passado, sob as bençãos de Quincy Jones, lançou Diversity. A capa diz tudo: Emily está sentada sobre o piano, com as mãos apoiadas no tampo e as pontas dos pés encostando no teclado. Neste que é seu primeiro disco pela Concord, gravadora voltada ao jazz, Emily nem tinha completado 12 anos. E é surpreendente a consistência de suas composições, considerando a idade.
Agora, é só esperar o que vem de agora em diante.
Veja Emily Bear, no Festival de Montreux, apresentada por Quincy Jones.
Emily Bear toca Garota de Ipanema.
Emily, com sete anos, toca Take the “A” Train e Don’t Get Around Anymore.
Veja-a em uma das melhores faixas de Diversity, Peralada, composição dela, acompanhada por Peter Slavov (baixo) e Kevin Kenner (bateria).
Ouça Tutti Cuore.


