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| Carrothers (esq.) e Marc Copland. Foto: Cecile Mathieu |
Tínhamos ido a um dos festivais de jazz que aconteciam no Auditório Ibirapuera no mês de outubro. Em cada noite, eram três ou quatro atrações. Nesta, em que estava com o Conde e o Alberico Cilento, a grande atração era Brad Mehldau… em apresentação solo. A certa altura, ele disse: “Coitado desse rapaz. Ele é muito triste.” Os solos densos, algo cerebrais, influenciados pelo romantismo de Franz Schubert e Robert Schumann, decididamente não faziam a sua cabeça. Sem bateria não existia bom jazz, na sua opinião.
Em outra feita, contou-me o Alberico, seu companheiro em várias viagens para os EUA, quase que exclusivamente para verem apresentações em clubes de jazz e comprarem discos, estavam em Washington e viram que Keith Jarrett estaria se apresentando lá. Muito em cima da hora, os ingressos estavam esgotados. Fizeram uma venda extra permitindo que alguns ficassem sentados no chão nos cantos do palco. Acomodaram-se bem perto do piano. Em uma hora, o Alberico percebeu que alguém próximo ressonava. Era o Conde dormindo no show de Jarrett. Dá para imaginar?
Comigo, ao contrário, uma das coisas que mais gosto é de um piano solo. Não apenas no terreno do jazz, em que despontam Mehldau e Jarrett, mas, principalmente na música erudita, em que há uma infinidade de virtuoses geniais como Nelson Freire, Helène Grimaud, Paul Lewis, Angela Hewitt, András Schiff, Martha Argerich, Maria João Pires, bom, paro por aqui, tocando as minhas peças favoritas de Chopin, Schubert, Schumann, Bach e Beethoven.
Se um piano é bom, imagine dois ao mesmo tempo, repetindo a primeira frase com uma pequena diferença. Pensando bem, nem sempre dá certo. Alguns podem discordar, mas o de Herbie Hancock e Chich Corea, dois dos maiorais do jazz, estou dizendo de An Evening with Herbie Hancock & Chick Corea (CBS, 1978), é chato.
Ouvi há poucos dias um em que a fórmula funciona, e bem: No Choice (2006), de Bill Carrothers e Marc Copland. O problema mais comum desse tipo de disco é de não conseguirmos definir quem é quem. As melhores soluções são sempre as mais simples: você ouve Carrothers no canal esquerdo e Copland no direito.
O início do CD é primoroso. A escolha também é feliz. Lonely Woman, de Ornette Coleman, é um daqueles standards modernos que vieram para ficar. Ouça.
No repertório escolhido por ambos incluem-se standards tradicionais como You and the Night and the Music, Take the “A Train”, Blue in Green e Bemsha Swing, de Thelonious Monk. Mais dois temas completam No Choice: Masqualero, de Wayne Shorter, e uma surpresa. Os fãs do canadense Neil Young reconhecerão rapidamente The Needle and the Damage Done, canção incluída em Harvest (Reprise 1972). Este álbum foi o álbum mais vendido em 1972, nos EUA.
Ouça The Needle and the Damage Done.
Se você quiser conhecer outro bom álbum de duos jazzísticos de piano, acesse http://bit.ly/1qXeJa6. Brad Mehldau e Kevin Hayes, em Modern Times, são perfeitos. Por coincidência, tocam Lonely Woman, também. Ouça.
Em outra feita, contou-me o Alberico, seu companheiro em várias viagens para os EUA, quase que exclusivamente para verem apresentações em clubes de jazz e comprarem discos, estavam em Washington e viram que Keith Jarrett estaria se apresentando lá. Muito em cima da hora, os ingressos estavam esgotados. Fizeram uma venda extra permitindo que alguns ficassem sentados no chão nos cantos do palco. Acomodaram-se bem perto do piano. Em uma hora, o Alberico percebeu que alguém próximo ressonava. Era o Conde dormindo no show de Jarrett. Dá para imaginar?
Comigo, ao contrário, uma das coisas que mais gosto é de um piano solo. Não apenas no terreno do jazz, em que despontam Mehldau e Jarrett, mas, principalmente na música erudita, em que há uma infinidade de virtuoses geniais como Nelson Freire, Helène Grimaud, Paul Lewis, Angela Hewitt, András Schiff, Martha Argerich, Maria João Pires, bom, paro por aqui, tocando as minhas peças favoritas de Chopin, Schubert, Schumann, Bach e Beethoven.
Se um piano é bom, imagine dois ao mesmo tempo, repetindo a primeira frase com uma pequena diferença. Pensando bem, nem sempre dá certo. Alguns podem discordar, mas o de Herbie Hancock e Chich Corea, dois dos maiorais do jazz, estou dizendo de An Evening with Herbie Hancock & Chick Corea (CBS, 1978), é chato.
Ouvi há poucos dias um em que a fórmula funciona, e bem: No Choice (2006), de Bill Carrothers e Marc Copland. O problema mais comum desse tipo de disco é de não conseguirmos definir quem é quem. As melhores soluções são sempre as mais simples: você ouve Carrothers no canal esquerdo e Copland no direito.
O início do CD é primoroso. A escolha também é feliz. Lonely Woman, de Ornette Coleman, é um daqueles standards modernos que vieram para ficar. Ouça.
No repertório escolhido por ambos incluem-se standards tradicionais como You and the Night and the Music, Take the “A Train”, Blue in Green e Bemsha Swing, de Thelonious Monk. Mais dois temas completam No Choice: Masqualero, de Wayne Shorter, e uma surpresa. Os fãs do canadense Neil Young reconhecerão rapidamente The Needle and the Damage Done, canção incluída em Harvest (Reprise 1972). Este álbum foi o álbum mais vendido em 1972, nos EUA.
Ouça The Needle and the Damage Done.
Se você quiser conhecer outro bom álbum de duos jazzísticos de piano, acesse http://bit.ly/1qXeJa6. Brad Mehldau e Kevin Hayes, em Modern Times, são perfeitos. Por coincidência, tocam Lonely Woman, também. Ouça.

