Comentei antes sobre o álbum de Richard Galliano com a música de Johann Sebastian Bach, lançado pela Deutsche Grammophon, em 2010. Deve ter feito sucesso, pois o francês ataca novamente o repertório do período barroco. O compositor da vez é Vivaldi. É um autor mais popular que o alemão. Até o cara da esquina conhece o veneziano. Quem nunca ouviu, mesmo inadvertidamente as Quatro Estações, ou melhor, Il cimento dell'armonia e dell'inventione. Os quatro concertos são parte de um conjunto de oito.
O acordeon não é usado (nunca diga “nunca”, pois sempre existe algum exemplo) na música erudita. É um instrumento essencialmente popular, pelo que parece, fadado ao desaparecimento. Hoje, existem poucas fábricas. O bandoneón, uma variação, tão popularizada por Astor Piazzolla, é quase exclusivo da Argentina. Como acontece com o acordeon, poucas são as fábricas que o produzem. Li em algum lugar que na Argentina estão disponíveis apenas recondicionados. No Brasil, como disse, é até popular. É forte na tradição nordestina o acordeão e suas variantes, assim como no Rio Grande do Sul.
O acordeon um instrumento quase completo, com muitos recursos. É uma pequena orquestra. Mal comparando, há um certo parentesco com o órgão tradicional. Aos pedais, que produzem os sons graves, no acordeon, a botoneira faz o mesmo.
O primeiro álbum de Richard Galliano pela Deutsche Grammophon foi dedicado a Bach, comentado na publicação passada. No próximo, o escolhido foi Nino Rota, autor de trilhas de filmes de Federico Fellini, Francis Ford Coppola, Luchino Visconti e Franco Zefirelli.
Pode ser uma surpresa ouvir Galliano substituir os solos de violino pelos do acordeon, combinando com a seção de cordas. Em muitos momentos poderíamos jurar que Vivaldi poderia ter composto As Quatro Estações nesse formato.
Completando o álbum, foram escolhidos temas das óperas Arsildo Regina di Ponto e Il Giustino. Evidentemente, são menos conhecidas, no entanto belas. Ouça uma delas: Il Giustino - 'Vedro con mio diletto' (Larghetto).
E, claro, não poderia faltar as “estações”. Confira.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
O óbvio e belo Bach de Richard Galliano
Em alguns almoços domingueiros da minha infância na cidade de Passos, Minas Gerais, uma senhora um tanto gorda pegava seu acordeon e ficava tocando após as refeições. Uma coisa ficou marcada: era um instrumento para pessoas de grande porte.
Quando assisti a um filme de Federico Fellini – não lembro qual foi – uma cena trouxe-me à lembrança a senhora do acordeon. No dia em que peguei um na mão na casa de um amigo de ginásio, percebi que era pesado mesmo. Não era preciso ser grande para tocá-lo, mas era necessário físico para aguentá-lo por um período grande de tempo pendurado por duas alças presas aos ombros.
Não é o instrumento mais popular no jazz, mas alguns nomes se destacam. Um deles é Joe Mooney, organista e acordeonista muito admirado por aqueles que gostavam de seu jeito relaxado de cantar e tocar. Você o conhece? Se não, dê uma espiada em http://bit.ly/1ld4MFp. Mais conhecido que ele deve ter sido Art van Damme.
Em compensação, no Brasil é um instrumento popular, com bons acordeonistas, ou sanfoneiros, como gostamos de chamá-los, na música instrumental como na cantada. O maior nome, sem dúvida, é Luiz Gonzaga. O mais conhecido fora daqui foi Sivuca. Outro albino manda bem no acordeon: Hermeto Pascoal. Os outros são Dominguinhos, Toninho Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon.
Os maiores destaques internacionais são o italiano Gianni Coscia, parceiro musical frequente de Gianluigi Trovesi, e o francês de descendência italiana, Richard Galliano, o mais conhecido. O que ele toca não pode ser chamado especificamente de jazz. Cabe melhor o termo música instrumental, apesar de ter participado de gravações com Gary Burton, Paolo Fresu, Jan Lundgren, Michel Portal, Eddy Louiss e Ron Carter. Nos últimos anos, enveredou por um gênero híbrido, entre o erudito e o popular gravando discos com a obra de Vivaldi e Bach, para a Deutsche Grammophon. Abstraindo-se de que é uma das formas de se ampliar o espectro do erudito, coisa que a gravadora alemã tem feito com Elvis Costello, Sting e outros nomes conhecidos, o que se pode dizer é que alguns produtos são bem interessantes. Os de Galliano entram nessa classificação. Hoje, especificamente, trato de Galliano Bach (DG 2010).
Algumas obras de Johann Sebastian Bach são bem conhecidas até pelo leigo em música erudita. Afinal, tanto ele como a Deutsche querem vender. A vantagem é que almejam isso apresentando-nos música de qualidade. A primeira faixa é Badinerie, da Suite Orquestral no.2. Brilhante abertura.
Ouça.
Outra obra conhecidíssima de Bach é a Ária da Suíte em Ré, da Suite Orquestral no.3. Ouça.
Garanto que você conhece. E também essa: Largo, do Concerto para Cravo e Cordas, BWV 1056. Ouça.
Para arrematar, o Prelúdio da 1a. Suite de Violoncelo.
Quando assisti a um filme de Federico Fellini – não lembro qual foi – uma cena trouxe-me à lembrança a senhora do acordeon. No dia em que peguei um na mão na casa de um amigo de ginásio, percebi que era pesado mesmo. Não era preciso ser grande para tocá-lo, mas era necessário físico para aguentá-lo por um período grande de tempo pendurado por duas alças presas aos ombros.
Não é o instrumento mais popular no jazz, mas alguns nomes se destacam. Um deles é Joe Mooney, organista e acordeonista muito admirado por aqueles que gostavam de seu jeito relaxado de cantar e tocar. Você o conhece? Se não, dê uma espiada em http://bit.ly/1ld4MFp. Mais conhecido que ele deve ter sido Art van Damme.
Em compensação, no Brasil é um instrumento popular, com bons acordeonistas, ou sanfoneiros, como gostamos de chamá-los, na música instrumental como na cantada. O maior nome, sem dúvida, é Luiz Gonzaga. O mais conhecido fora daqui foi Sivuca. Outro albino manda bem no acordeon: Hermeto Pascoal. Os outros são Dominguinhos, Toninho Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon.
Os maiores destaques internacionais são o italiano Gianni Coscia, parceiro musical frequente de Gianluigi Trovesi, e o francês de descendência italiana, Richard Galliano, o mais conhecido. O que ele toca não pode ser chamado especificamente de jazz. Cabe melhor o termo música instrumental, apesar de ter participado de gravações com Gary Burton, Paolo Fresu, Jan Lundgren, Michel Portal, Eddy Louiss e Ron Carter. Nos últimos anos, enveredou por um gênero híbrido, entre o erudito e o popular gravando discos com a obra de Vivaldi e Bach, para a Deutsche Grammophon. Abstraindo-se de que é uma das formas de se ampliar o espectro do erudito, coisa que a gravadora alemã tem feito com Elvis Costello, Sting e outros nomes conhecidos, o que se pode dizer é que alguns produtos são bem interessantes. Os de Galliano entram nessa classificação. Hoje, especificamente, trato de Galliano Bach (DG 2010).
Algumas obras de Johann Sebastian Bach são bem conhecidas até pelo leigo em música erudita. Afinal, tanto ele como a Deutsche querem vender. A vantagem é que almejam isso apresentando-nos música de qualidade. A primeira faixa é Badinerie, da Suite Orquestral no.2. Brilhante abertura.
Ouça.
Outra obra conhecidíssima de Bach é a Ária da Suíte em Ré, da Suite Orquestral no.3. Ouça.
Garanto que você conhece. E também essa: Largo, do Concerto para Cravo e Cordas, BWV 1056. Ouça.
Para arrematar, o Prelúdio da 1a. Suite de Violoncelo.
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