quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A primeira de um milhão de interpretações de “Wild Is the Wind”

Shirley Horn, grande cantora e pianista.
Ganha um pirulito quem sabe quem foi o primeiro a cantar “Wild Is the Wind”. Bom, se você disse que é Johnny Mathis, acertou na mosca. Mas, quem se lembra dele? Possuía uma bela voz, açucarada, se é que me entendem. Teve, entretanto, seus fãs, até no Brasil.

“Wild is the Wind” é o nome de um filme dirigido por George Cukor, lançado em 1957, com Anna Magnani e Anthony Quinn. No Brasil, o título foi “Fúria na Carne”. Os portugueses foram mais literais: “Selvagem É o Vento”. A música tema foi composta por Dimitri Tiomkin, com letras de Ned Washington..

Depois de Mathis, a primeira a gravar pode ter sido Nina Simone, em “Nina Simone at Town Hall” (1959). Sua versão mais conhecida, no entanto, é a que está no álbum “Wild Is the Wind” (1966). Apesar de muitos intérpretes tê-la cantado, ficou quase indissociável a ela, tanto que é a referência de músicos pop, como David Bowie e Cat Power.

Uma das melhores interpretações é de Shirley Horn, de 1961.




Jeff Buckley (leia “O morto Jeff Buckley”) adorava Nina Simone. Em outra encarnação, possivelmente, sonharia em nascer na pele dela. Um dos grandes covers dele, além de “Hallelujah”, de Leonard Cohen, é “Lilac Wine”. Existe, se não me engano, um registro dele cantando “Wild Is the Wind”. É pena que não tenha uma gravação de boa qualidade. Jeff tinha uma atração fatal pelos estados de dor e melancolia. Combinava bem com torch songs.

Menos obcecado por Simone, David Bowie canta “Wild Is the Wind” de forma menos dramática.




A melhor das releituras modernas de “Wild Is the Wind” é de Cat Power. É outra que se dá bem em canções tristes. Ouça.




Leia também sobre outro clássico que ficou conhecido na voz de Nina Simone: “Breve história de Lilac Wine”.