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| Adriana (Marion Coutrillard) e Gil (Owen Wilson) em Paris |
1. O passado é a “época de ouro”.
Como em A Rosa Púrpura do Cairo, Gil é transportado para os “Loucos anos 20”. Gil não quer participar do programa chato da namorada com quem está prestes a casar e se perde pelas ruas da cidade. Soam os doze badalos do sino de alguma igreja anunciando a meia-noite. Nisso, sobe pela rua estreita e erma um carro antigo – um Peugeot. Param e o convidam a entrar no carro. Vai parar em uma festa animada de pessoas bem-vestidas. É abordado por uma mulher que diz se chamar Zelda. No instante seguinte, surge o marido Scott, Scott Fitzgerald. Ao piano é o próprio Cole Porter a cantar Let’s Do It. Gil não entende nada. É levado pelo casal Fitzgerald até um bar e encontram um solitário Ernest Hemingway sentado num canto.
Gil viaja ao seu passado preferido. É um roteirista de Hollywood bem-sucedido, insatisfeito, no entanto e está a escrever um romance. De repente, conhece seus ídolos: Hemingway e Fitzgerald. Levado pelos “novos amigos” à casa de Gertrude Stein – é Alice B. Toklas quem abre a porta – diz estar escrevendo um romance e pede que ela o leia.
Conta do que aconteceu na noite anterior a Inez (Rachel McAdams), sua namorada, e a leva até o lugar onde pegou o carro da “viagem ao passado”. Nada de aparecer e ela se vai. Soam os sinos da meia-noite e surge o carro.
Na segunda noite – ou será a terceira? – quando vai à casa de Stein, encontra Picasso a falar de sua pintura mais recente. O espanhol está com uma namorada – Adriana (Marion Coutrillard). Gil entabla uma conversa com a bela moça. Fica sabendo que ela “ficou” com Modigliani – “um judeu italiano atormentado”, na sua opinião –, e Braque, antes de Picasso. Gil a define como “groupie”, expressão que Adriana desconhece.
Na outra visita, fica sabendo que Adriana deixou Picasso e foi fazer uma viagem com Hemingway à África. Quando se reencontram, ouve-a dizer que, na sua opinião, gostaria de ter vivido nos tempos da Belle Époque. Retruca dizendo que os melhores anos são os que está vivendo, ou seja, o dos anos 1920. Ambos pegam uma carruagem e conhecem Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin.
Conclusão: assim como a “época de ouro” de Gil, dos anos 2010, é dos anos 1920, o de Adriana é o da Belle Époque. A “época de ouro” nunca é a que vivemos.
2. O intelectual “sabe tudo”.
Inez, a namorada de Gil, é fascinada pelo, na sua opinião, intelectual Paul (Michael Sheen). Ele, que está em Paris para fazer uma palestra na Sorbonne, é o típico “caga-regras”, metido a saber de tudo. Entende de qualquer coisa, até de vinhos. Gil não dá a mínima para ele e acha um saco estar com ele. Muitos de nós devemos conhecer um tipo desses. Em um filme antigo – desgraça de memória, não lembro qual é – Woody Allen está numa fila de cinema a discutir alguma ideia com sua acompanhante. Para provar que está certo, pergunta ao seu próprio formulador: Marshal McLuhan, que está na mesma fila.
3. O que um quer não é o que o outro quer.
Gil acha maravilhoso os dias chuvosos em Paris. Inez acha muito chato. Ela acha Paul o arauto da sabedoria. Ele acha um saco. Ele quer viver em Paris, ela não. Isso deve ter acontecido contigo, e mesmo assim, achar que a pessoa que está ao teu lado pode ser a que te completa ou a que tu amas.
4. Gracinhas de Allen.
Gil conhece Salvador Dalí, obcecado por rinocerontes, e, na mesma ocasião conhece os surrealistas Luis Buñnuel e Man Ray. Param em uma festa e, antes de sair, dá uma ideia de script para um filme: um grupo de pessoas se reúnem para jantar e depois, não conseguem sair da casa. Buñnuel estranha e diz que vai pensar. Na brincadeira de ir ao passado… Descobriu? É o plot de O Anjo Exterminador.
5. Frivolidade.
Em uma entrevista que deu ao New York Times (2008), Woody Allen diz o seguinte: “Sempre fui! [fascinado pela beleza feminina] Mesmo quando criancinha, eu sempre fui fissurado por mulheres. Você sabe, eu sou muito frívolo. E um dos meus traços frívolos é uma obsessão pela beleza. Durante a guerra, eu podia admirar como Rita Hayworth era magnífica… E nunca deixava de admirar a beleza nas garotas de minhas salas de aula. É um traço frívolo, porque exclui todos os aspectos mais valiosos e sensíveis das mulheres que não são belas.”
Essa cena, provavelmente, passará despercebida por muita gente. Não li uma observação sobre ela nas matérias feitas pelos principais veículos (Veja, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo). Gil e Adriana passeiam pela região das prostitutas de rua. Não lembro exatamente o que Gil diz quando é perguntado sobre as “mulheres da vida”, mas é mais ou menos isso: “Sinto-me atraído pelas mulheres vulgares. Isso me faz mais frívolo”.
Veja o trailer de Meia Noite em Paris.
Gil viaja ao seu passado preferido. É um roteirista de Hollywood bem-sucedido, insatisfeito, no entanto e está a escrever um romance. De repente, conhece seus ídolos: Hemingway e Fitzgerald. Levado pelos “novos amigos” à casa de Gertrude Stein – é Alice B. Toklas quem abre a porta – diz estar escrevendo um romance e pede que ela o leia.
Conta do que aconteceu na noite anterior a Inez (Rachel McAdams), sua namorada, e a leva até o lugar onde pegou o carro da “viagem ao passado”. Nada de aparecer e ela se vai. Soam os sinos da meia-noite e surge o carro.
Na segunda noite – ou será a terceira? – quando vai à casa de Stein, encontra Picasso a falar de sua pintura mais recente. O espanhol está com uma namorada – Adriana (Marion Coutrillard). Gil entabla uma conversa com a bela moça. Fica sabendo que ela “ficou” com Modigliani – “um judeu italiano atormentado”, na sua opinião –, e Braque, antes de Picasso. Gil a define como “groupie”, expressão que Adriana desconhece.
Na outra visita, fica sabendo que Adriana deixou Picasso e foi fazer uma viagem com Hemingway à África. Quando se reencontram, ouve-a dizer que, na sua opinião, gostaria de ter vivido nos tempos da Belle Époque. Retruca dizendo que os melhores anos são os que está vivendo, ou seja, o dos anos 1920. Ambos pegam uma carruagem e conhecem Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin.
Conclusão: assim como a “época de ouro” de Gil, dos anos 2010, é dos anos 1920, o de Adriana é o da Belle Époque. A “época de ouro” nunca é a que vivemos.
2. O intelectual “sabe tudo”.
Inez, a namorada de Gil, é fascinada pelo, na sua opinião, intelectual Paul (Michael Sheen). Ele, que está em Paris para fazer uma palestra na Sorbonne, é o típico “caga-regras”, metido a saber de tudo. Entende de qualquer coisa, até de vinhos. Gil não dá a mínima para ele e acha um saco estar com ele. Muitos de nós devemos conhecer um tipo desses. Em um filme antigo – desgraça de memória, não lembro qual é – Woody Allen está numa fila de cinema a discutir alguma ideia com sua acompanhante. Para provar que está certo, pergunta ao seu próprio formulador: Marshal McLuhan, que está na mesma fila.
3. O que um quer não é o que o outro quer.
Gil acha maravilhoso os dias chuvosos em Paris. Inez acha muito chato. Ela acha Paul o arauto da sabedoria. Ele acha um saco. Ele quer viver em Paris, ela não. Isso deve ter acontecido contigo, e mesmo assim, achar que a pessoa que está ao teu lado pode ser a que te completa ou a que tu amas.
4. Gracinhas de Allen.
Gil conhece Salvador Dalí, obcecado por rinocerontes, e, na mesma ocasião conhece os surrealistas Luis Buñnuel e Man Ray. Param em uma festa e, antes de sair, dá uma ideia de script para um filme: um grupo de pessoas se reúnem para jantar e depois, não conseguem sair da casa. Buñnuel estranha e diz que vai pensar. Na brincadeira de ir ao passado… Descobriu? É o plot de O Anjo Exterminador.
5. Frivolidade.
Em uma entrevista que deu ao New York Times (2008), Woody Allen diz o seguinte: “Sempre fui! [fascinado pela beleza feminina] Mesmo quando criancinha, eu sempre fui fissurado por mulheres. Você sabe, eu sou muito frívolo. E um dos meus traços frívolos é uma obsessão pela beleza. Durante a guerra, eu podia admirar como Rita Hayworth era magnífica… E nunca deixava de admirar a beleza nas garotas de minhas salas de aula. É um traço frívolo, porque exclui todos os aspectos mais valiosos e sensíveis das mulheres que não são belas.”
Essa cena, provavelmente, passará despercebida por muita gente. Não li uma observação sobre ela nas matérias feitas pelos principais veículos (Veja, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo). Gil e Adriana passeiam pela região das prostitutas de rua. Não lembro exatamente o que Gil diz quando é perguntado sobre as “mulheres da vida”, mas é mais ou menos isso: “Sinto-me atraído pelas mulheres vulgares. Isso me faz mais frívolo”.
Veja o trailer de Meia Noite em Paris.


