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| Os membros do radio.string.quartet.vienna |
Quartetos de cordas estão associados à música erudita. É uma das formações mais tradicionais da música de câmara. Normalmente são dois violinos, uma viola e um violoncelo. Se a música é uma linguagem aberta, que conversa com seus múltiplos gêneros, natural que surgissem formações tocando música popular com instrumentos da seara erudita. Violinos não são tão estranhos assim. Stephane Grapelli, no jazz, foi o mais conhecido e o trompetista Ray Nance tocava violino e cantava na orquestra de Duke Ellington. Nos dias de hoje, dois violinistas se destacam: Mark Feldman e Regina Carter.
O primeiro quarteto a ficar conhecido interpretando o repertório popular foi o Turtle Island String Quartet, formado em 1985. Tocaram com músicos do jazz e “arranjaram” John Coltrane, Robert Johnson, Jimi Hendrix e Dave Brubeck, dentre outros. Continuam na ativa, mas não se ouve falar deles como antigamente..
Mais recentemente, dois quartetos de cordas se destacam: o Quatuor Ebène e o radio.string.quartet.vienna. O primeiro, formado em 1999, gravou várias obras do repertório camerístico erudito de Fauré, Brahms, Debussy e Mozart pelo selo Virgin Classics. Lançaram um CD –
Fiction (2010) – contendo composições da música popular e do jazz.
O radio.string.quartet.vienna grava pelo selo alemão ACT Music. Estrearam com
Celebrating The Mahavishnu Orchestra, em 2007. Foi um sucesso. Depois desse, com Klaus Paier, lançaram
Radiotree. Em 2011 saiu
Radiodream. Desta vez não se restringem a um compositor ou banda: várias são de autoria de Bernie Mallinger, primeiro violino do quarteto, e da violoncelista Asja Valčić, mescladas com standards como
Strange Fruit,
I Loves You Porgy e
Moon River e temas contemporâneos, caso de
Nice Dream da banda inglesa Radiohead. Agora em 2013 foi lançado
Posting Joe. Celebrating Weather Report. A homenagem a Joe Zawinul é justa: nasceu em Viena.
Não tanto quanto a astro pop David Bowie, John McLaughlin é um “mutante”. Seu primeiro álbum solo foi
Extrapolation (1969). Os músicos, como ele, eram todos ingleses: John Surman, Tony Oxley e Brian Odgers. Foi um início excepcional. Logo chamou a atenção do meio musical e tornou-se membro da banda Lifetime, do baterista Tony Williams. Passou a tocar com Miles Davis e participou de uma série de gravações:
Jack Johnson,
In a Silent Way,
Get Up With It,
Bitches Brew e de vários álbuns lançados posteriormente com gravações do tempo em que colaborou com o trompetista. Era, como disse uma vez, um “doidão” que vivia tropeçando em fios e cabos no palco. Ligou-se ao guru Shri Chinmoy e, não sei se parou com as drogas, mas mudou. Lançou
Devotion e
My Goal’s Beyond pela Douglas Records. São discos mais calmos, com toques orientais. Já bem devoto do guru, criou a Mahavishnu Orchestra e gravou também um disco com Carlos Santana, que, convertido à tal religião – ou seita – de Sri Chinmoy, acrescentou Devadip como primeiro nome. Na capa de
Love Devotion Surrender vemos duas pessoas de branco com aparência serena. Não sei se Santana, que até então tinha consumido algumas toneladas de marijuana, parou momentaneamente com a droga. Não deve ter não. Seu álbum gravado com Alice Coltrane –
Illuminations (1974) – é viajante. Parece uma viagem de ácido com água benta (bem sujinha) do rio Ganges.
Na onda do fusion, músicos que fizeram parte da fase elétrica de Miles Davis seguiram caminhos próprios. Chick Corea montou o Return to Forever, Herbie Hancock, os Headhunters, Joe Zawinul e Wayne Shorter o Weather Report, e McLaughlin montou a Mahavishnu Orchestra. Na primeira formação era ele nas guitarras, Jan Hammer nos teclados, Rick Laird no baixo, Jerry Goodman no violino, e Billy Cobham na bateria. Os dois primeiros álbuns são clássicos do fusion ou do jazz rock, como também era designada a música de improviso com instrumentos elétricos:
The Inner Mounting Flame (Columbia, 1971), e
Birds of Fire (Columbia, 1972). O terceiro, muito bom também, de uma energia tremenda, é o ao vivo
Between Nothingness and Eternity, gravado no Central Park, em 1973. Foi o fim da melhor formação. O mutante John mexeu na banda dando-lhe um som mais orquestral em
Apocalypse (1974), com a regência de Michael Tilson Thomas. É bom, mas sem mais a energia tensa e densa dos primeiros. John “reativou” a Mahavishnu algumas vezes em anos posteriores.
A “celebração” à música da Mahavishnu Orchestra do radio.string.quartet.vienna, sabiamente, se resumiu aos três primeiros álbuns. São leituras poderosas e captam a energia dessa banda.
Veja um registro de
Meeting of the Spirits. Nessa apresentação, o trombonista Nils Landgren participa. Na gravação original é só o quarteto.
Veja apresentação da Mahavishnu Orchestra na BBC tocando
Meeting of the Spirits e
You Know You Know. As duas faixas são do primeiro álbum.
Veja também
Dawn.
Veja o quarteto tocando
Dawn em registro lançado em DVD.
Ouça
Inner Mounting Flame na íntegra.
Ouça o álbum
Birds of Fire.