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| Page à frente; Bonham, Plant e Jones, atrás |
A Thank You é a quarta faixa de Led Zeppelin II. A banda, desde o início, virou um fenômeno. O primeiro disco é uma coleção de grandes músicas; não tem uma única “média”; todas são ótimas. Não sei quais são as minhas preferidas. You Shook Me? Dazed and Confused? I Can’t Quit You Babe? Communication Breakdown? Talvez, Babe, I’m Gonna Leave You. É um disco com certa predominância do blues.
Alguns meses depois, ainda em 1969, lançaram o segundo. Como no primeiro, o som é pesado. Começa com Whole Lotta Love, “viajante” em distorções de guitarras e vozes. Na época dos LPs, era possível registrar-se por volta de 40 minutos de música, no máximo. Eram gravados nas duas faces do vinil. Nunca inventaram um aparelho tocador de LPs em que era possível a leitura dos dois lados sem interrupção. Quando terminava o lado “A”, tinha-se que tirar o LP e virá-lo para ouvirmos o lado “B”. Thank You era a última do lado A. Funcionava como uma pausa para o que viria a seguir, no lado B: Heartbreaker, Living Lovin’ Maid, Ramble on, Moby Dick, e Bring It on Home. Apenas a última é menos pesada, aliás, começa lenta, com a voz de Plant distorcida, uma forte marcação de baixo, meio blues, com uma harmônica de boca “preguiçosa” e, na metade final, tem um solo pesadíssimo de Page.
Thank You é música lenta do disco. É uma declaração de amor (“Se o sol se recusasse a brilhar/ Ainda estaria amando você/ Quando as montanhas desmoronam rumo ao mar/ Ainda assim haverá você e eu”), é feita de imagens “climáticas” (“Pequenas gotas de chuva, sussurros de dor/ Lágrimas de amor se perdem com o passar dos dias”) e é uma promessa (“E, então hoje, meu mundo sorri/ De mãos dadas, nós caminhamos quilômetros/ Graças a você isso será feito/ Para mim, você é a única”).
Led Zeppelin foi a “banda da vida” de muitos. Era rock pesado, mas nem o som nem a música eram “burras”. Para uma geração que não teve, na adolescência, os Beatles, os Rolling Stones e Bob Dylan como ídolos, tiveram os “instintos” despertados pela banda formada por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. Existiam, é certo, nesse pequeno espaço entre eles e a banda de Lennon e Paul McCartney e a de Mick Jagger e Keith Richards, Jimmi Hendrix e Janis Joplin. Os anos anteriores ao surgimento de Led Zeppelin foram ricos. Fora um pouco do contexto mais “rock”, surgia uma espécie de terceira via: o rock progressivo. Mas, essa é uma outra história.
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| Duran Duran. O que valia era o estilo |
Duran Duran. Numa certa altura, o termo “rock” ficou pequeno para classificar a música dita popular. Primeiro que, “pop” havia se tornado uma coisa e “rock”, outra. O rock virou “hard-rock”, glitter-rock”, “glam-rock”, “art-rock”, “punk-rock” “progressive-rock” e outros “roques”. Esse termo ficou insuficiente e surgiram intérpretes e bandas classificados como “new wave” e “new romantic”. O Duran Duran deve ter sido o representante maior dessa coisa chamada “new romantic”.
A espinha dorsal da banda inglesa, surgida em 1978, cujo nome foi inspirado em um personagem do filme Barbarella – Dr. Durand Durand –, segundo o Wikipedia, é formada pelo tecladista Nick Rhodes e pelo baixista John Taylor (começou como guitarrista), e teve como vocalista definitivo o estiloso Simon Le Bon. Durante os anos 1980, a música britânica foi contaminada pela moda e pelo design; a música popular tinha virado “business” total, com astros emergentes como Michael Jackson e Madonna, recebendo milhões de dólares das “majors”.
Um dos ícones do rock britânico, David Bowie, pode ser considerado um dos artífices dessa tendência a valorizar o lado visual. Inventou um personagem andrógino chamada Ziggy Stardust (o primeiro a pintar os olhos e assumir ares andróginos, acho que foi Little Richards, na década de 1950), isso no fim dos anos 1970, bem antes do surgimento do Duran Duran. Sem tantos exageros, sem encarnar outras personas, Mick Jagger e Keith Richards carregaram no rímel e no blush (era a onda glitter) e nos macaquinhos cor de rosa cravados de lantejoulas; até o maldito Lou Reed andou caprichando no visual homossexual – ou bi – usando camisetas justas e bonés de couro, e na vida real, arrumou um namorado travesti (hoje, mais sossegado, está casado com a performer e cantora Laurie Anderson).
O rock virou um negócio mais que musical. Alguns, como Malcolm McLaren, vislumbraram a possibilidade de explorar a imagem dos músicos como celebridades. “Inventou” uma banda extravagante nos EUA – New York Dolls –, que ficaram mais conhecidos por vestirem-se de mulheres em apresentações do que pela música, e, na Inglaterra, seu lance mais certeiro, o Sex Pistols. Não estava só na empreitada: tinha a companhia de sua então namorada, a estilista Vivienne Westwood. Com ela, montara uma loja chamada Let It Rock. O Sex Pistols chegaram para fazer muito barulho. Gravaram uma canção chamada God Save the Queen, tinham um cantor cujo nome artístico era Johnny Rotten (o nome real era John Lydon) e um baixista chamado Syd Vicious que, apesar de saber empunhar um baixo elétrico com classe, era péssimo. McLaren empresariou outras bandas além dos Pistols, sempre explorando algo além da mera música.
De certo modo, Duran Duran faz parte dessa “linha evolutiva”. Com o som calcado na instrumentação eletrônica, são autores de Rio, A View to a Kill, Save a Prayer, Notorious e Hungry Like a Wolf. Vestiam roupas da Armani, namoravam lindas modelos e eram também competentes. Em 1988, quando se apresentaram no Brasil, no Hollywood Rock, confesso que os vi a contragosto: fui como convidado. Para minha surpresa, foi um dos melhores shows a que já assisti. Os caras eram bons de palco. Foi, a partir daí que passei a prestar um pouco mais de atenção neles. Possuo apenas dois álbuns deles: Decade, que é uma coletânea, e um outro de covers, chamado Thank You. Esse, comprei em razão das músicas, uma verdadeira salada misturando The Doors, Led Zeppelin, Bob Dylan, Sly and The Family Stone, Grandmaster Flash, Elvis Costello, um certo James Osterberg (nome real de Iggy Pop), e Lou Reed. É um disco que, até hoje, quando ouço, me dá enorme prazer. As mais agitadas (I Wanna Take You Higher, Success, 911 Is a Joke, do Public Enemy, White Lines) são perfeitas, mas as lentas são superlativas (Perfect Day, Lay Lady Lay, Thank You e Crystal Ship).
Bom, a razão de toda essa tergiversação é para apresentar os três “obrigados” que conheço; a original, a de Duran Duran, e a de Lizz Wright.
O Thank You original:
Com Duran Duran.
Com Lizz Wright.
A espinha dorsal da banda inglesa, surgida em 1978, cujo nome foi inspirado em um personagem do filme Barbarella – Dr. Durand Durand –, segundo o Wikipedia, é formada pelo tecladista Nick Rhodes e pelo baixista John Taylor (começou como guitarrista), e teve como vocalista definitivo o estiloso Simon Le Bon. Durante os anos 1980, a música britânica foi contaminada pela moda e pelo design; a música popular tinha virado “business” total, com astros emergentes como Michael Jackson e Madonna, recebendo milhões de dólares das “majors”.
Um dos ícones do rock britânico, David Bowie, pode ser considerado um dos artífices dessa tendência a valorizar o lado visual. Inventou um personagem andrógino chamada Ziggy Stardust (o primeiro a pintar os olhos e assumir ares andróginos, acho que foi Little Richards, na década de 1950), isso no fim dos anos 1970, bem antes do surgimento do Duran Duran. Sem tantos exageros, sem encarnar outras personas, Mick Jagger e Keith Richards carregaram no rímel e no blush (era a onda glitter) e nos macaquinhos cor de rosa cravados de lantejoulas; até o maldito Lou Reed andou caprichando no visual homossexual – ou bi – usando camisetas justas e bonés de couro, e na vida real, arrumou um namorado travesti (hoje, mais sossegado, está casado com a performer e cantora Laurie Anderson).
O rock virou um negócio mais que musical. Alguns, como Malcolm McLaren, vislumbraram a possibilidade de explorar a imagem dos músicos como celebridades. “Inventou” uma banda extravagante nos EUA – New York Dolls –, que ficaram mais conhecidos por vestirem-se de mulheres em apresentações do que pela música, e, na Inglaterra, seu lance mais certeiro, o Sex Pistols. Não estava só na empreitada: tinha a companhia de sua então namorada, a estilista Vivienne Westwood. Com ela, montara uma loja chamada Let It Rock. O Sex Pistols chegaram para fazer muito barulho. Gravaram uma canção chamada God Save the Queen, tinham um cantor cujo nome artístico era Johnny Rotten (o nome real era John Lydon) e um baixista chamado Syd Vicious que, apesar de saber empunhar um baixo elétrico com classe, era péssimo. McLaren empresariou outras bandas além dos Pistols, sempre explorando algo além da mera música.
De certo modo, Duran Duran faz parte dessa “linha evolutiva”. Com o som calcado na instrumentação eletrônica, são autores de Rio, A View to a Kill, Save a Prayer, Notorious e Hungry Like a Wolf. Vestiam roupas da Armani, namoravam lindas modelos e eram também competentes. Em 1988, quando se apresentaram no Brasil, no Hollywood Rock, confesso que os vi a contragosto: fui como convidado. Para minha surpresa, foi um dos melhores shows a que já assisti. Os caras eram bons de palco. Foi, a partir daí que passei a prestar um pouco mais de atenção neles. Possuo apenas dois álbuns deles: Decade, que é uma coletânea, e um outro de covers, chamado Thank You. Esse, comprei em razão das músicas, uma verdadeira salada misturando The Doors, Led Zeppelin, Bob Dylan, Sly and The Family Stone, Grandmaster Flash, Elvis Costello, um certo James Osterberg (nome real de Iggy Pop), e Lou Reed. É um disco que, até hoje, quando ouço, me dá enorme prazer. As mais agitadas (I Wanna Take You Higher, Success, 911 Is a Joke, do Public Enemy, White Lines) são perfeitas, mas as lentas são superlativas (Perfect Day, Lay Lady Lay, Thank You e Crystal Ship).
Bom, a razão de toda essa tergiversação é para apresentar os três “obrigados” que conheço; a original, a de Duran Duran, e a de Lizz Wright.
O Thank You original:
Com Duran Duran.
Com Lizz Wright.


