Interpol lança novo álbum: El Pintor. A faixa de abertura é poderosa. Veja o clipe oficial.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Nina Simone paz e amor
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| A Nina Simone dos anos 1970 |
Até o universo do jazz, sem poupar maiorais como Miles Davis, Tony Bennett, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e tantos outros, foram “contaminados” pela nova onda. Quem quisesse sobreviver no mercado teria de adaptar-se. Sem desconsiderar que estivessem gostando da “nova música”, a verdade é que foi incorporada em seus repertórios um tanto à força. Vista à luz de hoje, não soam muito naturais Frank Sinatra cantando Something, de George Harrison, nem Sarah Vaughan abordando o songbook de Lennon & McCartney; nem o Here Comes the Sun cantada por Nina. São interpretações que ficaram datadas. A Nina idolatrada é a de Black Is the Colour of My True Love’s Hair, Wild Is the Wind, Ne me quite pas, Work Song e Strange Fruit, esta um original de Billie Holiday. São clássicos que não envelheceram.
Vendo pelos filtros do tempo, é, de qualquer forma, interessante examinar o tanto que o rock’n’roll acabou por transformar a música. A Nina dos anos 1960 e 70 incorporou originais de “engajados” como Bob Dylan (I Shall Be Released, The Times They Are-A Changin’), repertório easy listening (The Look of Love e My Way), “bicho grilo” (Turn! Turn! Turn!, de Pete Seeger) e country (Mr. Bojangles).
O que mais surpreende mesmo é Nina Simone ter um dia cantado The Pusher. Para quem não se lembra – ou não sabe mesmo – era uma das músicas que fazia parte da trilha sonora de Sem Destino (Easy Rider, 1969), roadmovie clássico protagonizado por dois malucos viajantes, nos dois sentidos. Nas cenas iniciais, Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) estão no México para pegar um lote de cocaína que será entregue a um traficante em Los Angeles.
The Pusher é a canção relativa às cenas iniciais. E é essa a interpretação mais conhecida, com John Kay, cantor e líder do Steppenwolf. Imagino que poucos sabem que Joachim Fritz Krauledat – esse é o nome de Kay, alemão de nascimento – não é o autor. Trata-se de uma composição de Hoyt Axton. Curiosamente, é mais conhecido por ser autor de músicas que fizeram mais sucesso nas vozes dos outros que a dele. A outra conhecida dele é Joy to the World, o maior sucesso do Three Dog Nights.
Ouça The Pusher com Steppenwolf. É um clássico.
Nina “paz e amor”. Conta-se que Nina não era das pessoas mais bem humoradas da humanidade. Quando passa de meia dúzia o mesmo comentário, a tendência é a de todos formarem juízo a partir de opiniões alheias. Na única vez em que a vi em um show, entrou com cara de poucos amigos, trôpega de bêbada, sentou-se ao piano cantou, atravessou e o público adorou. Eu, nem tanto. Fiquei decepcionado.
To Love Somebody (RCA 1969) é o primeiro álbum em que incorpora sucessos do rock. Gravou Susanne, de Leonard Cohen, Turn! Turn! Turn!, sucesso com a banda “flower power” The Byrds, três de Bob Dylan (I Shall Be Released, Just Like Tom Thumb's Blues e The Times They Are A’Changin’) e duas, pasmem, dos Bee Gees, aqueles que foram “ressuscitados” na era disco com o filme Embalos de Sábado à Meia Noite. As músicas são a que dá título ao disco, e I Can’t See Nobody. Turn! Turn! Turn! é uma composição de Bob Seeger, da década de 1950, mas fez sucesso mesmo com The Byrds. A guitarra e o órgão imprimem uma cara mais rhythm’n’blues, mais rock. Não é um grande disco, mas conta com um The Times They Are A-Changing de primeira. Ouça.
Here Comes the Sun (RCA 1971) é também um disco que pode ser considerado pop. Além do clássico de George Harrison, canta Bob Dylan mais uma vez (Just Like a Woman) e uma versão breguíssima de My Way, impossível de imaginar que conste no currículo de Nina. A orquestração é de matar. Redime-se, e bem, com uma expressiva interpretação de Mr. Bojangles, de Jerry Jeff Walker.
Ouça Mr. Bojangles.
It Is Finished é o último álbum que Nina gravou pela RCA. Neste incorpora instrumentos africanos de Nadi Qamar e a cítara de Avram Schackman. É desigual, como os outros. Mas tem The Pusher e o destaque é Dambala, composição de Exuma, nascido nas Bahamas. Está à altura das melhores coisas que Nina Simone fez.
Ouça Dambala.
E não podia faltar The Pusher, a razão desse post.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Monica Salmaso lança CD com músicas de Guinga e Paulo Cesar Pinheiro
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| Capa de Corpo de Baile, de Monica Salmaso |
Monica Salmaso não está nem aí com o imbroglio PC x Guinga. Acaba de lançar Corpo de Baile, dedicado exclusivamente ao repertório deles. Como era de se prever, é ótimo.
PC Pinheiro tem mágoa de Guinga, mas um fazendo letra e o outro música, compuseram cerca de cem músicas e muitas ficaram inéditas. Aliás, Corpo de Baile soa a ineditismo, pois Guinga nunca foi mainstream, mesmo com o prestígio amealhado entre seus pares. Entra naquela classificação de “músico dos músicos”. Até que Pinheiro tem um pouco de razão. Não é, porém, motivo para rompimento tão abrupto.
O gosto de Salmaso pelas composições da dupla vem de quando conheceu Sinhá Moça, tema da novela Senhorinha, de 1986, cantada por Ronnie Von, quando era ainda menina. Quando encontrou-se com PC Pinheiro revelou-lhe da paixão pelas músicas dos dois. Mostrou-lhe uma gaveta cheia de gravações amadoras guardadas. Muito tempo depois, Monica está realizando o sonho que acalentou por muitos anos de fazer um registro apenas com os frutos da parceria.
A gravação de Alma Lírica (Biscoito Fino, 2011) foi bem “econômica”. Contando apenas com os sopros de Teco Cardoso e os teclados de Nelson Ayres. Propôs à gravadora uma estrutura mais cara tendo em conta que a outra fora barata. Em vez de uma formação fixa, diferentes arranjadores foram responsáveis: Tiago Costa, Nelson Ayres, Luca Raele, Paulo Aragão, Nailor Proveta, Dori Caymmi e Teco. O resultado é a diversidade sonora. Não que sejam estranhos ao universo sonoro de Salmaso. Com marido músico (Teco), é nesse aspecto que se diferencia de quase todas as cantoras. A parte instrumental é componente fundamental de seu som. Ela mesma disse em mais de uma ocasião que sua voz funciona como mais um instrumento.
Além dos belíssimos arranjos, outro atrativo é o de que, das 14 músicas, seis são inéditas. Conhecida mesmo, até pelos distraídos, é Balada de Satã, aliás, que beleza ficou, com a presença do saxofone barítono de Teco e a clarineta de Nailor. É mágico o início do disco. O arranjo com quarteto de cordas, flauta, violão, clarineta e contrabaixo acústico, de Tiago Costa, é primoroso. Uma característica da música de Guinga é o ritmo ondulante. Os sons vão se sucedendo em ondas em vai-e-vem. Isso fica reforçado, como no caso do fado Navegante, em que é acompanhada pelo bandolim de Milton Mori. São vários os pontos altos desse CD. Ouça alguns.
Veja Monica cantando e falando de Fim dos Tempos. Preste atenção na bela letra.
Cabe destacar Noturna, a oitava faixa, apenas com a voz de Monica e os violões de Pedro e Paulo Aragão. Ouça.
Monica fala e canta a marcha Rancho das Sete Cores, com arranjo de Proveta.
Veja Quadrão, com arranjo de Luca Reale.
Mais vídeos de Monica Salmaso em: http://www.monicasalmaso.mus.br/
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