terça-feira, 2 de setembro de 2014

Monica Salmaso lança CD com músicas de Guinga e Paulo Cesar Pinheiro

Capa de Corpo de Baile, de Monica Salmaso
Não convidem Paulo Cesar Pinheiro e Guinga para a mesma festa. Em uma entrevista dada ao finado Jornal do Brasil, Guinga disse que Paulo César achava suas músicas “difíceis, herméticas, nada populares. Não acreditava nelas.” E arrematou: “É mais ou menos como ficar 21 anos num emprego e o patrão não te dar o mínimo valor. Um dia você muda de emprego e o novo patrão te acha o maior”. PC ficou magoado e riscou-o do seu caderninho de endereços. Pena? Mas enquanto durou, fizeram muita coisa boa. É assim: a música tem disso. Parcerias são desfeitas por, como diria nossa malfadada e oportunista ex-ministra Zélia Cardoso Alves, “meros detalhes”.

Monica Salmaso não está nem aí com o imbroglio PC x Guinga. Acaba de lançar Corpo de Baile, dedicado exclusivamente ao repertório deles. Como era de se prever, é ótimo.

PC Pinheiro tem mágoa de Guinga, mas um fazendo letra e o outro música, compuseram cerca de cem músicas e muitas ficaram inéditas. Aliás, Corpo de Baile soa a ineditismo, pois Guinga nunca foi mainstream, mesmo com o prestígio amealhado entre seus pares. Entra naquela classificação de “músico dos músicos”. Até que Pinheiro tem um pouco de razão. Não é, porém, motivo para rompimento tão abrupto.

O gosto de Salmaso pelas composições da dupla vem de quando conheceu Sinhá Moça, tema da novela Senhorinha, de 1986, cantada por Ronnie Von, quando era ainda menina. Quando encontrou-se com PC Pinheiro revelou-lhe da paixão pelas músicas dos dois. Mostrou-lhe uma gaveta cheia de gravações amadoras guardadas. Muito tempo depois, Monica está realizando o sonho que acalentou por muitos anos de fazer um registro apenas com os frutos da parceria.

A gravação de Alma Lírica (Biscoito Fino, 2011) foi bem “econômica”. Contando apenas com os sopros de Teco Cardoso e os teclados de Nelson Ayres. Propôs à gravadora uma estrutura mais cara tendo em conta que a outra fora barata. Em vez de uma formação fixa, diferentes arranjadores foram responsáveis: Tiago Costa, Nelson Ayres, Luca Raele, Paulo Aragão, Nailor Proveta, Dori Caymmi e Teco. O resultado é a diversidade sonora. Não que sejam estranhos ao universo sonoro de Salmaso. Com marido músico (Teco), é nesse aspecto que se diferencia de quase todas as cantoras. A parte instrumental é componente fundamental de seu som. Ela mesma disse em mais de uma ocasião que sua voz funciona como mais um instrumento.

Além dos belíssimos arranjos, outro atrativo é o de que, das 14 músicas, seis são inéditas. Conhecida mesmo, até pelos distraídos, é Balada de Satã, aliás, que beleza ficou, com a presença do saxofone barítono de Teco e a clarineta de Nailor. É mágico o início do disco. O arranjo com quarteto de cordas, flauta, violão, clarineta e contrabaixo acústico, de Tiago Costa, é primoroso. Uma característica da música de Guinga é o ritmo ondulante. Os sons vão se sucedendo em ondas em vai-e-vem. Isso fica reforçado, como no caso do fado Navegante, em que é acompanhada pelo bandolim de Milton Mori. São vários os pontos altos desse CD. Ouça alguns.

Veja Monica cantando e falando de Fim dos Tempos. Preste atenção na bela letra.




Cabe destacar Noturna, a oitava faixa, apenas com a voz de Monica e os violões de Pedro e Paulo Aragão. Ouça.




Monica fala e canta a marcha Rancho das Sete Cores, com arranjo de Proveta.




Veja Quadrão, com arranjo de Luca Reale.



Mais vídeos de Monica Salmaso em: http://www.monicasalmaso.mus.br/

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