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quinta-feira, 9 de abril de 2020
Ellis Marsalis, Jr. é mais uma vítima da Covid-19
Foi impressionante.Depois de começar como sideman na banda de Art Blakey, Wynton Marsalis assinou com a major Columbia Records. Lançou o primeiro álbum, em 1982. Com uma banda de joven, como eles — Branford Marsalis, Kenny Kirkland, Charnett Moffett e Jeff “Tain” Watts —, Wynton despertou imediato interesse da crítica. Chamou a atenção também porque era um bando de meninos vestindo costumes impecáveis, gravatas idem, e tocavam muito bem. Havia no modo de vestir deles um conceito intrínseco que Wynton passou a defender com convicção: a volta às raízes do verdadeiro jazz. Era a antítese de Miles Davis. Resumo: o jazz havia se desviado demais de seus preceitos originais. O establishment adorou. Chamaram-nos de “young lions”.
Com “Think of One” (1983), ganhou um Grammy. Antes de ir para o jazz, sua intenção era a de ser um músico erudito. Por essa versatilidade, à vontade nessa seara, a Columbia lançou um disco com Wynton tocando concertos clássicos de Haydn, Mozart e Hummel. Era o garoto de ouro na Columbia, um substituto à altura de Miles Davis. Alternou-se por anos em álbuns de jazz e eruditos.
Seu irmão mais velho, o saxofonista Branford Marsalis, conseguiu um contrato na mesma gravadora. Serviu para alimentar uma “competição” entre irmãos, que nunca existiu de fato. Eram muito diferentes. Enquanto Wynton era o conservador da família, Branford, sideman do primeiro disco do irmão mais novo, saiu da banda para tocar ncom o popstar Sting, que se lançava em carreira solo depois de desfeito o Police. Em seus como líder, introduziu elementos da cultura negra mais popular, como o funk, o hip-hop e o rhythm’n’blues. Chegou a lançar um com o nome Buckshot LeFonque, que era o pseudônimo que Cannonball Adderley usou em certa feita para burlar o contrato de sua gravadora. Os irmãos brincavam que eram Caim e Abel do jazz.
Havia, entretanto, alguém até então desconhecido, ou pouco conhecido, o pai. Ellis Marsalis, Jr. Era um pianista que tinha tocado com Cannonball Adderley, Nat Adderley, Al Hirt e Dewey Redman, mas se notabilizara como professor em New Orleans. Alguns de seus alunos ficaram conhecidos no meio do jazz, como Harry Connick Jr., Donald Harrison e Terence Blanchard.
No mesmo ano em que Wynton estreou na Columbia, foi lançado “Fathers & Sons”, ideia de Dr. George Butler, produtor principal da gravadora na época, os irmãos Marsalis com o então desconhecidíssimo Ellis Marsalis, o pai, alternando com o jovem Chico Freeman e o VonFreeman.
Com seis filhos para criar, Ellis não saiu de New Orleans. Preferiu ficar como professor de música em universidades locais e administrar o motel da família.
Com filhos criados e a súbita fama, Ellis foi convidado a gravar e, eventualmente, viajar para outros lugares para tocar. Foi o pianista de vários álbuns de Wynton e participou como sideman de outros. Como líder, lançou perto de vinte álbuns, geralmente, em formatos menores, como trios, quartetos e quintetos e outros ao piano solo.
Mesmo excelente executando standards, deve-se ressaltar sua qualidade como compositor. Dos álbuns que conheço, destaco “Heart of Gold” (1991), em trio formado por Ray Brown e Billy Higgins, e “Whistle Stop”, excelente, acompanhado pelos “young lions” Branford Marsalis, Robert Hurst e os bateristas Jeff “Tain” Watts e Jason Marsalis, em que, além executa várias composições próprias e temas de seus conterrâneos sulistas Alvin Batiste, Harold Batiste, Jim Black e Nat Perrilliat. O que se evidencia, mesmo acompanhado, é a qualidade de seus solos ao piano. É o que fica demonstrado no solo piano “Ruminations in New York” (2005).
Obra prima
A partir de uma ideia simples e brilhante, Ellis gravou com o seu filho Branford o álbum “Loved Ones”. Todas as canções se referem a elas, as mulheres. São números clássicos do cancioneiro americano de autoria de Duke Ellington, Victor Young, Cole Porter, Jimmy van Heusen, Sammy Fain, Leonard Bernstein, Al Dubin e Harry Warren, Gus Kahn, George Gershwin e outros, clássicos como “Laura”, Maria”, “Miss Otis Regrets”, Stella by Starlight” e outras, além de “Dear Dolores”, de autoria de Ellis homenageando a mãe de seus filhos.
Acesse a playlist que fiz no Spotify.
Se estiver indisponível diretamente no blog, acesse por https://open.spotify.com/playlist/0PvdzhO8DP76jmvu0hsWnf?si=RR5xyQFwSw-4AfGNL549Lg
terça-feira, 28 de abril de 2015
Branford Marsalis rumo aos clássicos
Com tantos CDs e tantas ofertas em mp3 ou em streamings, os prazeres se diluem em audições desatentas. Ficamos como um rei com 40 mulheres em seu harém e está à procura da quadragésima primeira. Na história desse rei, o resgate do grande prazer pode estar naquelas que já estão com ele.
Ao ouvir o último CD de Branford Marsalis – In My Solitude –, um solo registrado na Grace Cathedral, San Francisco, CA, lembrei-me de um álbum seu com temas da música erudita. Como o tempo é célere, percebo que Romances for Saxofone foi lançado há quase trinta anos, mais exatamente, em 1986, pelo selo CBS, atual Sony. Em uma estimativa bem otimista, devo ter ouvido esse CD, pela última vez, há uns 25 anos. É muito tempo.
O irmão mais famoso
Em um show que a família Marsalis se apresenta, um dos dois brinca com a história de Caim e Abel. Em 1980, Wynton Marsals, o irmão mais novo, participava da banda de Art Blakey, e no ano seguinte, contratado pela Columbia, lançaria seu primeiro solo. Incensado pela crítica, devido ao enorme talento, sua gravadora resolveu lancá-lo também como intérprete de música clássica. Com convidados de peso como Kathleen Battle e Yo-Yo Ma, Wynton gravou o repertório mais conhecido para o trompete, explorando composições de Mozart, Hummel, Haydn, Purcell, Teleman, Pachelbel, Vivaldi e Biber.
Wynton, carismático e falante, tornou-se o porta estandarte da geração chamada pela crítica de “Young Lions”. Sua música e a de outros que emergiam na mesma época, retomavam a linguagem do bebop e do hard bop, ou seja, tornavam-se baluartes da retomada do jazz que havia saído dos trilhos no fusion jazz e no free jazz de Cecil Taylor e Ornette Coleman. Ao mesmo tempo em que conquistavam fãs nostálgicos e puristas do mainstream, inimigos declarados da “desvirtuada” de Miles Davis, ele passou a ser visto como um “careta”, o que não deixa de ser verdade. O tempo, no entanto, tem mostrado que é importante uma figura que resgata certos valores que não devem ser relegados. Mal comparando, Wynton é o Tinhorão do jazz.
O irmão mais velho, e nesse sentido que surge a história de Caim e Abel, vai por outra seara. Menos careta e aberto às influências do rock e de outros gêneros “pobres”, comete o despautério de acompanhar o mais que pop Sting, criador de uma das grandes bandas dos anos 1980, o The Police. Aliás, que beleza a intervenção de Branford em Every Breath You Take, no Live Aid, em 1985.
Assista à apresentação, com Sting.
Veja também Branford com Sting em Roxanne.
O irmão moderninho
Branford gravaria seu primeiro álbum apenas em 1986, apesar de ser mais velho que Wynton. Scenes in the City, lançado pela mesma CBS, não tinha nada a ver com o que o irmão trompetista estava fazendo. Na música título, funde música e narração. Apesar do estilo coxinha, bem vestido, terno e gravata, por dentro, o primogênito dos Marsalis parecia mais aberto ao contemporâneo. O pai, Ellis, abençoado pianista disse sobre ele: “Branford era um abençoado. Poderia tocar um blues e dizer para ele: ‘toque o que você ouve’, e ele tocava. Então eu tocava uma linha de baixo de blues para que ele pudesse ouvir todas as doze notas e dizer-lhe para elaborar sobre isso, e ele fazia. Às vezes, tentava enganá-lo, mas não conseguia.”
Desassossegado, Branford, aventuraria-se por outras searas. Montou o Buckshot LeFonque, fundindo jazz, rhythm’ and blues, hip hop e rock. Tocou ainda com o Grateful Dead. E continuou lançando bons discos mais voltados ao jazz: Bloomington (1991), The Dark Eyes (1996), Loved Ones (1996), Requiem (1998), e Eternal (2004). Loved Ones é especial, pois é um duo com o pai Ellis.
Ouça, com os dois, Laura.
De Eternal, ouça a emocionante Gloomy Sunday.
Ouça outra especial, de Eternal: The Last Goodbye.
Aos clássicos
Enquanto o repertório para o trompete, na música erudita, é razoável e permite o brilho de estrelas como Alison Balsom e Håkan Hardenberger, o do saxofone é praticamente inexistente, principalmente como instrumento principal. Uma das razões é a de que foi inventado em meados o século XIX. Se foi para ser usado em orquestras, fato é que deu mais certo em bandas militares e, depois, no jazz. Os compositores mais conhecidos a usar o sax foram Georges Bizet (L’arlesienne), Maurice Ravel (Bolero), Debussy (Rapsodie pour Orchestre et Saxophone), Rachmaninov (Symphonic Dances). Outros que compuseram para o instrumento foram Vaughan William, Benjamin Britten, Darius Milhaud, Heitor Villa-Lobos e Paul Hindemith.
Se o saxofone pouco protagonizou no terreno dos clássicos, não se pode pensar no jazz sem ele. Mas é bem razoável que saxofonistas queiram tocar temas da música erudita. Não são muitis os que fizeram. Além de Branford Marsalis, lembro agora apenas de Grover Washington, Jr. que gravou Aria (Columbia, 2000). Este registra temas eruditos em um contexto mais jazzístico que Branford, que optou por usar o sax soprano, e o tenor menos, em transcrições para orquestra.
Dentre os compositores escolhidos estão Villa-Lobos, Ravel, Debussy, Stravinsky, Rachmaninov, Fauré, Colombier, Satie e Mussorgsky. O repertório é bem conhecido, mas é um CD muito prazeroso de se ouvir e Branford não fica nem um pouco atrás do irmão em termos de talento e técnica.
Ao ouvir o último CD de Branford Marsalis – In My Solitude –, um solo registrado na Grace Cathedral, San Francisco, CA, lembrei-me de um álbum seu com temas da música erudita. Como o tempo é célere, percebo que Romances for Saxofone foi lançado há quase trinta anos, mais exatamente, em 1986, pelo selo CBS, atual Sony. Em uma estimativa bem otimista, devo ter ouvido esse CD, pela última vez, há uns 25 anos. É muito tempo.
O irmão mais famoso
Em um show que a família Marsalis se apresenta, um dos dois brinca com a história de Caim e Abel. Em 1980, Wynton Marsals, o irmão mais novo, participava da banda de Art Blakey, e no ano seguinte, contratado pela Columbia, lançaria seu primeiro solo. Incensado pela crítica, devido ao enorme talento, sua gravadora resolveu lancá-lo também como intérprete de música clássica. Com convidados de peso como Kathleen Battle e Yo-Yo Ma, Wynton gravou o repertório mais conhecido para o trompete, explorando composições de Mozart, Hummel, Haydn, Purcell, Teleman, Pachelbel, Vivaldi e Biber.
Wynton, carismático e falante, tornou-se o porta estandarte da geração chamada pela crítica de “Young Lions”. Sua música e a de outros que emergiam na mesma época, retomavam a linguagem do bebop e do hard bop, ou seja, tornavam-se baluartes da retomada do jazz que havia saído dos trilhos no fusion jazz e no free jazz de Cecil Taylor e Ornette Coleman. Ao mesmo tempo em que conquistavam fãs nostálgicos e puristas do mainstream, inimigos declarados da “desvirtuada” de Miles Davis, ele passou a ser visto como um “careta”, o que não deixa de ser verdade. O tempo, no entanto, tem mostrado que é importante uma figura que resgata certos valores que não devem ser relegados. Mal comparando, Wynton é o Tinhorão do jazz.
O irmão mais velho, e nesse sentido que surge a história de Caim e Abel, vai por outra seara. Menos careta e aberto às influências do rock e de outros gêneros “pobres”, comete o despautério de acompanhar o mais que pop Sting, criador de uma das grandes bandas dos anos 1980, o The Police. Aliás, que beleza a intervenção de Branford em Every Breath You Take, no Live Aid, em 1985.
Assista à apresentação, com Sting.
Veja também Branford com Sting em Roxanne.
O irmão moderninho
Branford gravaria seu primeiro álbum apenas em 1986, apesar de ser mais velho que Wynton. Scenes in the City, lançado pela mesma CBS, não tinha nada a ver com o que o irmão trompetista estava fazendo. Na música título, funde música e narração. Apesar do estilo coxinha, bem vestido, terno e gravata, por dentro, o primogênito dos Marsalis parecia mais aberto ao contemporâneo. O pai, Ellis, abençoado pianista disse sobre ele: “Branford era um abençoado. Poderia tocar um blues e dizer para ele: ‘toque o que você ouve’, e ele tocava. Então eu tocava uma linha de baixo de blues para que ele pudesse ouvir todas as doze notas e dizer-lhe para elaborar sobre isso, e ele fazia. Às vezes, tentava enganá-lo, mas não conseguia.”
Desassossegado, Branford, aventuraria-se por outras searas. Montou o Buckshot LeFonque, fundindo jazz, rhythm’ and blues, hip hop e rock. Tocou ainda com o Grateful Dead. E continuou lançando bons discos mais voltados ao jazz: Bloomington (1991), The Dark Eyes (1996), Loved Ones (1996), Requiem (1998), e Eternal (2004). Loved Ones é especial, pois é um duo com o pai Ellis.
Ouça, com os dois, Laura.
De Eternal, ouça a emocionante Gloomy Sunday.
Ouça outra especial, de Eternal: The Last Goodbye.
Aos clássicos
Enquanto o repertório para o trompete, na música erudita, é razoável e permite o brilho de estrelas como Alison Balsom e Håkan Hardenberger, o do saxofone é praticamente inexistente, principalmente como instrumento principal. Uma das razões é a de que foi inventado em meados o século XIX. Se foi para ser usado em orquestras, fato é que deu mais certo em bandas militares e, depois, no jazz. Os compositores mais conhecidos a usar o sax foram Georges Bizet (L’arlesienne), Maurice Ravel (Bolero), Debussy (Rapsodie pour Orchestre et Saxophone), Rachmaninov (Symphonic Dances). Outros que compuseram para o instrumento foram Vaughan William, Benjamin Britten, Darius Milhaud, Heitor Villa-Lobos e Paul Hindemith.
Se o saxofone pouco protagonizou no terreno dos clássicos, não se pode pensar no jazz sem ele. Mas é bem razoável que saxofonistas queiram tocar temas da música erudita. Não são muitis os que fizeram. Além de Branford Marsalis, lembro agora apenas de Grover Washington, Jr. que gravou Aria (Columbia, 2000). Este registra temas eruditos em um contexto mais jazzístico que Branford, que optou por usar o sax soprano, e o tenor menos, em transcrições para orquestra.
Dentre os compositores escolhidos estão Villa-Lobos, Ravel, Debussy, Stravinsky, Rachmaninov, Fauré, Colombier, Satie e Mussorgsky. O repertório é bem conhecido, mas é um CD muito prazeroso de se ouvir e Branford não fica nem um pouco atrás do irmão em termos de talento e técnica.
Vamos ouvir a Bachiana no. 5.
Veja Branford executando a Pavane, de Gabriel Fauré.
Ouça Vocalise, de Serguei Rachmaninoff.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O mundo de Pixinguinha segundo Hamilton de Holanda
Um disco com um instrumentista acompanhado de diferentes músicos em cada faixa é como um panaché de sobremesas. Experimenta-se o doce, o levemente amargo, o ácido, o exótico, etc. É o caso de Mundo de Pixinguinha, de Hamilton de Holanda. O outro álbum lançado quase ao mesmo tempo, O Que Será, comentado na semana passada (http://bit.ly/17xkvIv), é só ele e Stefano Bollani. Este, além do italiano, que participa de duas faixas (Canção da Odalisca e Seu Lourenço no Vinho), conta com o português Mário Laginha e de mais três pianistas: Chucho Valdés, Omar Sosa e André Mehmari.
Holanda pensou no projeto por achar que “a música de Pixinguinha é agregadora por natureza” (o que está entre aspas são da matéria “Hamilton com Wynton”, de Roberto Nascimento em O Estado de S.Paulo, set. 2013). O melhor foi que agregou músicos de diferentes lugares. A referência ao panaché de sobremesas (tem um ótimo no restaurante do hotel Unique, SP) não é casual, pois o que ele nos proporciona são sabores diversos como a ginga cubana de Valdés e Sosa, temperos mediterrâneos do francês Richard Galliano e Bollani, ibéricos de Laginha, jazzísticos de Wynton Marsalis, sem faltar a brasilidade de Mehmari, Carlos Malta e da francesa/brasileira Odette Ernest Dias. O universo da música se circunscreve no “mundo Pixinguinha”. Muito boa a ideia dele: uní-los em volta de um dos maiores compositores do mundo.
O bandolinista está, com esse disco, semeando a obra de Pixinguinha. “Você precisa ver como o Chucho Valdés ficou. Toquei a primeira parte e, quando modulou para a segunda, ele disse: ‘Meu deus do céu. Que gênio!’”, conta. O cubano participa de duas faixas: Benguelê e Lamentos. Belíssima. Pixinguinha foi pioneiro ao apresentar-se com seus Batutas, em 1922, fora do Brasil. Os Oito Batutas ou, como diziam os franceses, o “Les Batutás, apresentaram-se por quase seis meses nos palcos do Sheherazade, Chez Duque e La Reserve Saint-Cloud. Não foi o sucesso que previam, apresentados como um conjunto exótico de negros (lembre-se do sucesso de Josephine Baker), nem o fracasso como desejaram seus detratores. Pixinguinha já era internacional, quem sabe, sua bela música se torne também, até a partir do trabalho de Hamilton de Holanda.
Lamentos é a que vem depois de Naquele Tempo. Esta é um solo de Holanda. Richard Galliano participa de Ingênuo e da pouco conhecida Agradecendo. Pouco conhecida também é Canção da Odalisca, executada com Stefano Bollani. A outra colaboração é em Seu Lourenço no Vinho. Os outros pianistas são Omar Sosa, em Yaô, e Mário Laginha com grande solo em Rosa.
Veja Hamilton e Sosa tocando Dos Caminos. Não está no disco e não é de Pixinguinha.
Hamilton e Wynton
Uma interpretação a se destacar é a de Wynton Marsalis em Um a Zero. Segundo Hamilton, o único que não conhecia Pixinguinha, nem de ouvir falar, era ele. "A música que gravamos é fantástica, solidifica as harmonias e a maneira que se toca a melodia, como no ragtime. É uma das mais difíceis para o trompete que já toquei”, disse o trompetista sobre a música de Pixinguinha e comparou-o a Scott Joplin. E sobre Hamilton, afirma: "Ele é a personificação de tudo que queremos num grande músico. Tem bons reflexos, tem uma maneira natural de tocar, tem profundidade de alma e sentimento. Ele é um tesouro nacional".
Caprichos de Pixinguinha, com André Mehmari, e Carinhoso são as únicas em que toca com brasileiros. Aqui, Hamilton toca com Carlos Malta e Odette Ernest Dias. Nada como terminar com a música considerada a melhor de todos os tempos, segundo pesquisa de O Estado de S.Paulo, de uns quatro anos atrás.
Ouça Um a Zero com Hamilton e Wynton.
Alguém ouviu o CD Samba do Avião, de Hamilton de Holanda?
Como tantos outros discos de música instrumental, Samba do Avião, lançado em 2008, encontra-se esgotado. Descobri casualmente pesquisando a discografia de Richard Galliano. É possível baixá-lo pela iTune Store por US$ 9.99. Foi o que fiz. Só não entendi por que paguei um dólar a menos por Mundo de Pixinguinha, que é mais recente. O CD físico pode ser comprado na loja da Amazon americana.
No disco, Hamilton toca desacompanhado na maioria das faixas, ou melhor, em algumas toca com ele mesmo, usando o recurso de overdubs. Apenas nas três últimas – Chorinho Pra Ele, Sertão e Sanfona –, toca com o acordeonista Richard Galliano. Impressionante como os dois instrumentos se combinam ou, pelo menos, impressionante a simbiose entre Hamilton e o francês. Confira em Chorinho Pra Ele, de Hermeto Pascoal.
Holanda pensou no projeto por achar que “a música de Pixinguinha é agregadora por natureza” (o que está entre aspas são da matéria “Hamilton com Wynton”, de Roberto Nascimento em O Estado de S.Paulo, set. 2013). O melhor foi que agregou músicos de diferentes lugares. A referência ao panaché de sobremesas (tem um ótimo no restaurante do hotel Unique, SP) não é casual, pois o que ele nos proporciona são sabores diversos como a ginga cubana de Valdés e Sosa, temperos mediterrâneos do francês Richard Galliano e Bollani, ibéricos de Laginha, jazzísticos de Wynton Marsalis, sem faltar a brasilidade de Mehmari, Carlos Malta e da francesa/brasileira Odette Ernest Dias. O universo da música se circunscreve no “mundo Pixinguinha”. Muito boa a ideia dele: uní-los em volta de um dos maiores compositores do mundo.
O bandolinista está, com esse disco, semeando a obra de Pixinguinha. “Você precisa ver como o Chucho Valdés ficou. Toquei a primeira parte e, quando modulou para a segunda, ele disse: ‘Meu deus do céu. Que gênio!’”, conta. O cubano participa de duas faixas: Benguelê e Lamentos. Belíssima. Pixinguinha foi pioneiro ao apresentar-se com seus Batutas, em 1922, fora do Brasil. Os Oito Batutas ou, como diziam os franceses, o “Les Batutás, apresentaram-se por quase seis meses nos palcos do Sheherazade, Chez Duque e La Reserve Saint-Cloud. Não foi o sucesso que previam, apresentados como um conjunto exótico de negros (lembre-se do sucesso de Josephine Baker), nem o fracasso como desejaram seus detratores. Pixinguinha já era internacional, quem sabe, sua bela música se torne também, até a partir do trabalho de Hamilton de Holanda.
Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.
Lamentos é a que vem depois de Naquele Tempo. Esta é um solo de Holanda. Richard Galliano participa de Ingênuo e da pouco conhecida Agradecendo. Pouco conhecida também é Canção da Odalisca, executada com Stefano Bollani. A outra colaboração é em Seu Lourenço no Vinho. Os outros pianistas são Omar Sosa, em Yaô, e Mário Laginha com grande solo em Rosa.
Veja Hamilton e Sosa tocando Dos Caminos. Não está no disco e não é de Pixinguinha.
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| Wynton e Hamilton tocam Pixinguinha |
Uma interpretação a se destacar é a de Wynton Marsalis em Um a Zero. Segundo Hamilton, o único que não conhecia Pixinguinha, nem de ouvir falar, era ele. "A música que gravamos é fantástica, solidifica as harmonias e a maneira que se toca a melodia, como no ragtime. É uma das mais difíceis para o trompete que já toquei”, disse o trompetista sobre a música de Pixinguinha e comparou-o a Scott Joplin. E sobre Hamilton, afirma: "Ele é a personificação de tudo que queremos num grande músico. Tem bons reflexos, tem uma maneira natural de tocar, tem profundidade de alma e sentimento. Ele é um tesouro nacional".
Caprichos de Pixinguinha, com André Mehmari, e Carinhoso são as únicas em que toca com brasileiros. Aqui, Hamilton toca com Carlos Malta e Odette Ernest Dias. Nada como terminar com a música considerada a melhor de todos os tempos, segundo pesquisa de O Estado de S.Paulo, de uns quatro anos atrás.
Ouça Um a Zero com Hamilton e Wynton.
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Alguém ouviu o CD Samba do Avião, de Hamilton de Holanda?
Como tantos outros discos de música instrumental, Samba do Avião, lançado em 2008, encontra-se esgotado. Descobri casualmente pesquisando a discografia de Richard Galliano. É possível baixá-lo pela iTune Store por US$ 9.99. Foi o que fiz. Só não entendi por que paguei um dólar a menos por Mundo de Pixinguinha, que é mais recente. O CD físico pode ser comprado na loja da Amazon americana.
No disco, Hamilton toca desacompanhado na maioria das faixas, ou melhor, em algumas toca com ele mesmo, usando o recurso de overdubs. Apenas nas três últimas – Chorinho Pra Ele, Sertão e Sanfona –, toca com o acordeonista Richard Galliano. Impressionante como os dois instrumentos se combinam ou, pelo menos, impressionante a simbiose entre Hamilton e o francês. Confira em Chorinho Pra Ele, de Hermeto Pascoal.
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