quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A fila anda com Rolando Villazón

Nos anos 1980/90, se perguntados, fossem especialistas ou não, quem era o melhor tenor do mundo, as opções recairiam em três: Placido Domingo, Luciano Pavarotti e Jose Carreras.

Em brilhante golpe de marketing das gravadoras, com a montagem e gravação do espetáculo Three Tenors, viraram popstars mundiais, coisa que um Giuseppe di Stefano ou Enrico Caruso nem chegaram perto de serem. Não que Caruso não tenha sido um popstar, guardadas as devidas proporções. Foi. Por ter coincidido com o surgimento da indústria fonográfica, vendeu muitos discos. Deve ter sido, observadas as equivalências, tão famoso quanto Mick Jagger em seu tempo. Além do repertório erudito, gravou canções napolitanas. Então, não é de hoje que existe esse “negócio” que, hoje, chamam de crossover.

Jose Carreras, em 1987, foi diagnosticado com leucemia. Fez transplante de medula, radioterapia e quimioterapia, curou-se e continua a se apresentar. Mas doenças graves, se não são impedimento, são limitantes. O medo faz coisa, diz o ditado popular.

O italiano Luciano Pavarotti era o mais apreciado pela beleza da voz, apesar de não ser tão bom ator quanto Placido Domingo, um predicado importante nas encenações das óperas. Foi amado e, quando o brilho e perfeição da voz lhe fugiam, faleceu com 71 anos.

Placido Domingo continua em plena atividade. O madrilenho que cresceu no México possui características bem diferentes das de Carreras e Pavarotti, classificados como tenores líricos. De voz mais potente, mais escura e grande flexibilidade, talvez seja o mais completo dos três, principalmente por atuar muito bem. Com a idade, passou a enfrentar papéis que exigem mais da voz, cantando, inclusive, como barítono e interpretando personagens wagnerianos. Fora isso, aventura-se na regência de orquestras. Como se vê, está a toda.

Aplausos merecidos para Villazón
Como a fila anda, novos cantores têm merecido a atenção do público de música erudita. Confesso conhecê-los pouco. Estou feliz com os registros antigos que tenho, mas um pouco de curiosidade não faz mal.

Andrea Bocelli é o mais famoso deles, sem dúvida, por razões que escapam aos ouvidos “eruditos”. Parte de que, acometido por um glaucoma desde a infância, foi perdendo a visão, fato que o impede de atuar em óperas. Dono de uma bela voz, é quase um popstar, como Andre Rieu, sem querer comparar-lhes as competências.

Falou-se bastante do argentino José Cura, a quem pouco conheço. Dois, seguramente, estão no panteão dos melhores da atualidade: Roberto Alagna e o mexicano Rolando Villazón. O primeiro já foi vaiado em cena e abandonou o palco. Villazón teve um sério problema vocal e teve de cancelar apresentações. Aparentemente, está recuperado, mas uma doença dessas é sempre preocupante. São tenores líricos, o que facilita para se cair no gosto geral. Ambos são excepcionais e intensos.

Ganhei da amiga Vania o CD Opera Recital (Virgin, 2006), de Rolando Villazón. Belíssimo. Obrigado

Até o ano que vem. Feliz ano novo.

Ouça a interpretação impressionante de Villazón em Os Pescadores de Pérolas (“Je crois entendre encore”), de Georges Bizet!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O disco solo do vocalista do Gnarls Barkley

Os óculos modelo “Lady Killer” estão à venda
em 
http://www.ceelogreen.com/us-store
Quando vi a capa, a primeira coisa que pensei foi: “Nossa, como o Al Green está diferente!” Engano. O CD era de Cee-Lo Green, vocalista do grupo Gnarls Barkley. Essa banda montada por DJ Danger Mouse e o vocalista ficou conhecida por ter atingido o primeiro lugar nas paradas inglesas com Crazy sem sequer ter sido lançado em CD. Disponível apenas em download pela internet, virou um fenômeno. O sucesso é justificado. Crazy é uma das músicas mais vibrantes – daquelas de sacudir os esqueletos esticados nas camas e sofás – e geniais surgidas na primeira década do século XXI; tanto ou mais que Hey Ya, do Outkast.

The Lady Killer, saiu em novembro de 2010. Está sendo lançado no Brasil. Como é época de festas de fim de ano, provavelmente, estará nas lojas apenas na segunda quinzena de janeiro. Desde já, é candidato a ser um dos melhores de 2011, pois, de 2010, já é, pelo menos fora do Brasil.

Veja e ouça duas que constam do CD.
Vídeo oficial de Fuck You:




No Ones Gonna Love You. O original é de Band of Horses.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os “xis” de The XX

Jamie, Romy, Oliver e Baria Quireshi (a que saiu)
Quem leu o post anterior sobre The XX vai notar algumas repetições. É mais uma oportunidade para se conhecer a banda. Ouça uma versão estendida de Intro.


Intro é a primeira música do disco do XX. Ou melhor, se “intro” significa algo que vem antes do início, VCR é a primeira. Mas Intro é uma boa “introdução” para as canções que vêm a seguir. A marcação do baixo e da bateria, e sobre ela, alguns sons de guitarra, criam um “clima” do que virá. O som é muito diferente do mainstream do rock. Há originalidade no XX, de tão simples, pode ser considerado primário. São melodias frias, meio vagas… e belas. Em algumas passagens, lembra um pouco a atmosfera criada por Angelo Badalamenti para os filmes de David Lynch.

As guitarras são tão básicas que faz imaginar que qualquer um, depois de um aprendizado de seis meses, poderia integrar o XX. Nota: a segunda guitarrista – e tecladista – Baria Quireshi não toca mais na banda, mas está no disco lançado em 2009. As estruturas das músicas, como Infinity, uma das mais interessantes, são “inteligentes” em seus minimalismos. Algo tão simples como frequências baixíssimas e breves que fazem vibrar as portas da sala, ressoam nos esqueletos dos ouvintes em contraste com as vozes de Romy Madley Croft – doce e feminina – e de Oliver Sim – em tons médios e melancólicos – como em Islands e Fantasy.

A banda, atualmente, é formada por Romy Madley Croft (guitarra e vocais), Oliver Sim (baixo e vocais), e Jamie Smith (bateria e MPC).

Ouça Intro, que deve ser a melhor do CD, junto de Infinity.