Em brilhante golpe de marketing das gravadoras, com a montagem e gravação do espetáculo Three Tenors, viraram popstars mundiais, coisa que um Giuseppe di Stefano ou Enrico Caruso nem chegaram perto de serem. Não que Caruso não tenha sido um popstar, guardadas as devidas proporções. Foi. Por ter coincidido com o surgimento da indústria fonográfica, vendeu muitos discos. Deve ter sido, observadas as equivalências, tão famoso quanto Mick Jagger em seu tempo. Além do repertório erudito, gravou canções napolitanas. Então, não é de hoje que existe esse “negócio” que, hoje, chamam de crossover.
Jose Carreras, em 1987, foi diagnosticado com leucemia. Fez transplante de medula, radioterapia e quimioterapia, curou-se e continua a se apresentar. Mas doenças graves, se não são impedimento, são limitantes. O medo faz coisa, diz o ditado popular.
O italiano Luciano Pavarotti era o mais apreciado pela beleza da voz, apesar de não ser tão bom ator quanto Placido Domingo, um predicado importante nas encenações das óperas. Foi amado e, quando o brilho e perfeição da voz lhe fugiam, faleceu com 71 anos.
Placido Domingo continua em plena atividade. O madrilenho que cresceu no México possui características bem diferentes das de Carreras e Pavarotti, classificados como tenores líricos. De voz mais potente, mais escura e grande flexibilidade, talvez seja o mais completo dos três, principalmente por atuar muito bem. Com a idade, passou a enfrentar papéis que exigem mais da voz, cantando, inclusive, como barítono e interpretando personagens wagnerianos. Fora isso, aventura-se na regência de orquestras. Como se vê, está a toda.
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| Aplausos merecidos para Villazón |
Andrea Bocelli é o mais famoso deles, sem dúvida, por razões que escapam aos ouvidos “eruditos”. Parte de que, acometido por um glaucoma desde a infância, foi perdendo a visão, fato que o impede de atuar em óperas. Dono de uma bela voz, é quase um popstar, como Andre Rieu, sem querer comparar-lhes as competências.
Falou-se bastante do argentino José Cura, a quem pouco conheço. Dois, seguramente, estão no panteão dos melhores da atualidade: Roberto Alagna e o mexicano Rolando Villazón. O primeiro já foi vaiado em cena e abandonou o palco. Villazón teve um sério problema vocal e teve de cancelar apresentações. Aparentemente, está recuperado, mas uma doença dessas é sempre preocupante. São tenores líricos, o que facilita para se cair no gosto geral. Ambos são excepcionais e intensos.
Ganhei da amiga Vania o CD Opera Recital (Virgin, 2006), de Rolando Villazón. Belíssimo. Obrigado
Até o ano que vem. Feliz ano novo.
Ouça a interpretação impressionante de Villazón em Os Pescadores de Pérolas (“Je crois entendre encore”), de Georges Bizet!


