Quando Scott viu que tinha talento para a guitarra, ficou a pensar que nome adotaria. Scott do quê? Scott DuBois? Que belo nome, sem dúvida. Imagino que seja o seu nome verdadeiro. É só uma bobagem que pensei. Apenas que, se é o registrado em sua certidão de nascimento, nem teve que pensar em um nome artístico.
Mas, indo ao que interessa, conhecia alguns de seus álbuns e gostado. Ao ouvir, no entanto, “Autumn Winds”, o mais recente, e “Winter Light” (2015), ambos da ACT Music, percebi que sua música é feita de silêncios, que, insidiosamente, nos jogam em estados abstratos. Nem é sempre assim, mas DuBois é o guitarrista de sonoridades econômicas e sedutoras. Acompanhado do contrabaixo acústico, bateria e do original Gebhard Ullmann nos saxofones e clarinete baixo, o combo produz um som original e hipnótico, seja em momentos impulsionados pelos sopros de Ullmann mais contemplativos ou mais agitados.
Aliás, o alemão, lidera o Tá Lam, uma formação com dez saxofonistas mais um acordeonista, do excepcional “Mingus!” (2011), e é um dos melhores no clarinete baixo da atualidade. Faz-nos lembrar de Eric Dolphy.
Entre momentos de paz e fúria, a música perpetrada por Ulmann e DuBois, como a Jazz Times define, a música deles é “fascinante e brilhante”, e “maravilhosa, relaxante, atmosférica e poderosa como pode ser”, segundo o site All About Jazz.
Os dois primeiros álbuns de DuBois saíram pelo selo Soul Note – “Moonsson” (2004) e “Tempest” (2006) –, e três seguintes, pelo Sunnyside – “Banshee” (2008), “Black Hawk Dance’ (2010) e “Landscape Scripture” (2012). Os recentes, citados acima, são pelo selo alemão ACT. Pelos títulos, é possível constatar que inspira-se principalmente em climas e estados relacionados à paisagem, luz e aos fenômenos da natureza, como as estações do ano. A resultante musical é um clima impressionista, meditativo e furioso, meditativo nas notas abstratas de sua guitarra, furioso no sax tenor e, principalmente, no clarinete baixo, mas com poesia e delicadeza.
Nos dois primeiros álbuns, o saxofonista é David Liebman, conhecido desde que despontou na banda elétrica de Miles Davis. A entrada de Gebhard Ullmann, a partir de “Banshees”, deu uma nova cara para os seguintes, tanto que segue com ele até hoje, com Thomas Morgan e Kresten Osgood a completar a banda.
Ouça a bela “Winter Haystacks”, de “Landscape Scripture”.
De “Winter Light”, veja a banda em “Late Morning Snow”.
Da mesma apresentação, veja “Early Morning Forrest”.
“First Light Tundra”.
Assista ao vídeo da ACT apresentando o álbum mais recente.
