quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ernesto Lecuona, Grupo Corpo, Bebo e Chucho Valdés

Ernesto Lecuona
Um dos maiores compositores da música cubana e do mundo é Ernesto Lecuona. Falo um pouco dele em http://bit.ly/1187Wg5, mais especificamente do clássico Siboney. Mas, por causa da morte de Bebo Valdés (http://bit.ly/106sxaA. Leia também em http://bit.ly/ZVXoT7), andei dando uma fuçada no Youtube e encontrei uma apresentação de Bebo e seu filho Chucho Valdés (veja no fim do post) interpretando La Comparsa, outro clássico de Lecuona.

Nasceu em 1895 e, com a queda do ditador Fulgêncio Batista e instauração do governo revolucionário de Fidel Castro, mudou-se para a Espanha. Morreu em 1963 de um ataque de asma nas Ilhas Canárias, terra natal de seu pai e está enterrado nos Estados Unidos. De formação erudita, transitou bem no gênero popular. Criou a Ernesto Lecuona Symphonic Orchestra e é compositor também da Rapsódia Negra para Piano e Orquestra.

Uma coisa leva o outra e lembrei-me da montagem do Grupo Corpo com músicas de Lecuona. É espetacular. Quem não viu tem a oportunidade de vê-lo no YouTube. São trechos do vídeo vendido pela companhia.


Veja  apresentação do Grupo Corpo com a música No Es Por Ti, cantada por Zoraida Moreno.




Veja Mariposa, cantada por Maria de Los Angeles Santana.




Se você quiser ver mais, digite “grupo corpo” e “lecuona” no YouTube. Foi lançado também o CD com as músicas de Lecuona que estão no balé. Creio que é vendido apenas pelo Grupo Corpo. Não existe disponível nas lojas físicas, O selo Bis lançou um “complete” da obra para piano do cubano. Acha-se nos sites de compra de CDs de fora.


Bebo e Chucho tocam La Comparsa.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Seu nome é José James

O cantor José James
O nome revela suas origens. José tem sangue latino. O James é da mãe, americana de origem irlandesa. Será que os latinos da América adotam o mesmo costume dos espanhóis, que usam o sobrenome da mãe, ao contrário de nós e de boa parte desse mundo?

JJ conviveu pouco com o pai músico (saxofonista), natural do Panamá. É aquele velho enredo: família pobre, pai vai embora, mãe cria filho. Teve, nas palavras dele, uma adolescência “fraturada”.

Segunda parte do enredo: foi mudando de cidade em cidade; nasceu em Duluth, Minnesota, morou em Seattle e em Minneapolis. José cresceu – tem hoje 34 anos – curtindo Nirvana, Digable Planets e Ice Cube, como muitos adolescentes de sua geração. O jazz ficou hibernando e viu despertado o interesse conhecendo músicos como Douglas Ewart, um dos expoentes da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM), movimento vanguardista que teve entre seus membros Roscoe Mitchell, Anthony Braxton e Henry Threadgill.

A vida o transportou para Londres. Foi tentar a sorte participando de um concurso de canto. Não ganhou, mas uma fita demo despertou o interesse de DJ Gilles Peterson, da rádio BBC 1. Gravou dois discos: The Dreamer e Blackmagic. Passou a apresentar-se em clubes e salas da Europa e do Japão.

Blackmagic (2010) representa já uma amostra do que se ouve em No Beginning No End, o mais novo e primeiro álbum pela Blue Note. Lembra um pouco a música de Ed Motta. Vai por uma levada meio soul, rhythm’n’blues, sonoridades sofisticadas como as de Steely Dan, algo entre o pop e a sofisticação dos arranjos de jazz.

É uma música que encaixa bem no que os selos de jazz procuram hoje: se não for jazz, um híbrido. Há tempos a Blue Note explora sonoridades além do mainstream. Isso vem desde fins dos anos 1950 com Grant Green, Herbie Hancock, Big John Patton e Jimmy Smith. A gravadora que abrigou Bud Powell, Thelonious Monk e Miles Davis, principalmente, nos anos 1960, adaptou-se à força das manifestações pós-Elvis e depois, a dos “invasores” britânicos.

No mesmo ano em que lançou Blackmagic, assinou um contrato com a Impulse para um disco. Com o pianista belga Jef Neve gravou For All We Know. É uma coleção de consagrados standards. Não repercutiu muito. Em 2010, a tão tradicional gravadora que teve seu apogeu com o produtor Bob Thiele e o engenheiro de som Rudy van Gelder, lançando discos de John Coltrane, Charles Mingus, Archie Shepp, Oliver Nelson e McCoy Tyner deixara de ser o que era. Seu último suspiro como selo lançador foi quando contratou a canadense Diana Krall. Hoje é um selo da Verve (Universal Music Group) e só relança o catálogo antigo.

Apesar das reservas da crítica, For All We Know é um belo disco. Não traz grandes novidades, como centenas de álbuns com standards. Até Rod Stewart entrou nessa e está lá pelo enésimo disco desse tipo. É um belo showcase da bela voz que tem, meio “cool”, sem grandes arroubos. É emoção contida para ser apreciada aos poucos.

James não faz feio nos standards. Ouça Embraceable You.




No Beginning No End foi apresentado pronto à Blue Note. Esta resolveu lançar. Era uma boa oportunidade para James ficar mais conhecido em sua terra natal. É um disco com uma certa sofisticação instrumental. Conta com parcerias importantes como a do pianista Robert Glasper e do baixista e produtor Pino Palladino. Tanto um como o outro transita por um tipo de experimentação que extrapola um gênero específico. Palladino participou de inúmeras gravações em estúdio. Glasper, além do trabalho em trio, montou a Robert Glasper Experiment.

Black Radio (2012), de Glasper é uma boa referência para o que é o som de James em No Beginning No End. Ambos nasceram em 1978. Cresceram ouvindo os sons das ruas como o hiphop, funky, rock, soul music, blues, soul music e, inclusive, jazz. O que fazem é uma síntese dessas informações auditivas. E não é mera coincidência que Glasper tenha gravado Smells Like Teen Spirit em Black Radio. O Nirvana era uma das bandas que James ouvia na adolescência.

Ouça It’s All Over Your Body, a primeira faixa do mais recente CD.




Veja It’s All Over Your Body em AllSaints Basement Sessions.




Uma mais calma: Come to My Door.




O YouTube é uma caixa de surpresas. Encontrei uma apresentação de Do You Feel, que está em No Beginning No End. É uma boa amostra das influências do jazz. A do estúdio é uma e nesta apresentação, por ser ao vivo, há espaço para a improvisação dos músicos.



É possível ouvir-se o disco inteiro nesse “youtube”. O site deixou de ser apenas um veículo de imagens. Com frequência estão disponíveis CDs inteiros de muitos intérpretes.