quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O melhor disco ao vivo de Jimi Hendrix

Jimi Hendrix empunha a sua Fender
Logo após a morte de Hendrix, considerado por 99% da população (1% é surda) o melhor guitarrista de todos os tempos, em setembro de 1970, foi lançado o álbum Cry of Love. Isso foi em 1971. Pouco antes saíra Band of Gypsys, com a banda que sucedeu ao Experience, com Billy Cox no baixo e Buddy Miles na bateria. Para alguns – é o meu caso –, era uma formação inferior à anterior. Com Mitch Mitchell na bateria e Noel Redding no baixo, e o mesmo Cox, posteriormente, Jimi fez o que de melhor houve na história dos power trios. Não sei se gosto da levada mais funk e rhythm’n’blues dos “gypsies”. Quem sabe, é a minha bronca primordial com os vocais de Buddy Miles

Foram lançados Crash Landing e Midnight Landing aproveitando-se a oportunidade comercial de exploração de sua morte prematura. Eram bem ruins. Mas, em 1972, saiu Hendrix in the West, uma compilação com algumas apresentações em solo americano que representava o melhor do talento de Jimi. Era ainda tempo dos LPs, aqueles discões de vinil de 12 polegadas. Por que razões, lançaram-no em CD apenas em 2011. O “in the west” é o melhor disco ao vivo lançado até hoje do americano. Tudo é impecável.

O álbum é um apanhado de apresentações ocorridas em quatro lugares. Organizado pelo produtor e engenheiro de som Eddie Kramer, abre com God Save the Queen, intitulado no CD, apenas The Queen, tirado da apresentação de Hendrix na Ilha de Wight (30/8/1970) e, na sequência, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, de Lennon e McCartney; tudo muito rápido, coisa de menos de um minuto, mas que vale uma vida. Curiosidade: tocou, pela primeira vez, Sgt. Pepper em junho de 1967 no Saville Theatre, Londres, três dias depois do lançamento do LP dos Beatles, na presença de McCartney e George Harrison. Desde então, Paul tem dito que foi um dos momentos marcantes na sua vida e uma grande honra na sua carreira.

A terceira faixa é de uma apresentação no Winterland, em San Francisco. É o melhor Little Wing ao vivo. Outras interpretações definitivas são as de Red House, em San Diego — a melhor, segundo a crítica —, e Vodoo Child (Slight Reurn).

Além de Sgt Pepperr’s Lonely Hearts Club Band, as que não foram compostas por Henderix são Lover Man, de Carl Perkins, e Johnny B. Goode, de Chuck Berry. É essa a que você ouve.




Ouça o melhor Red House.




Little Wing. Não é a versão do disco. Tentei disponibilizar, mas o vídeo foi bloqueado.





terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Diferenças entre o gosto da patuleia e o da crítica, de acordo com a lista dos melhores de 2012

Radio Music Society, de Spalding é o melhor do ano
Com certo atraso, comento sobre a lista dos melhores, segundo os leitores da revista Downbeat.

Todo ano, pouco depois de publicada a lista dos melhores eleitos por uma junta de críticos convidados, a Downbeat envia aos seus assinantes, por e-mail, um link para que seus leitores votem nos melhores do ano. Para cada categoria são sugeridos alguns nomes, mas é possível se votar em algum outro. É inevitável uma certa contaminação pelo fato de se votar depois de se saber o que os críticos escolheram.

Na edição de dezembro, que é lançada logo no início de novembro, sai o resultado do Readers Poll. É normal que os críticos especializados sejam mais sofisticados e informados que o chamado povão, mesmo em gênero tão específico como o jazz.


A lista dos melhores CDs na opinião dos leitores
1. Esperanza Spalding, Radio Music Society
2. Ahmad Jamal, Blue Moon
3. Tony Bennett, Duets II
4. Vijay Iyer, Accelerando
5. Keith Jarrett, Rio
6. Brad Mehldau Trio, Ode
7. Sonny Rollins, Road Shows, Vol. 2
8. Arturo Sandoval, Dear Diz (Everyday I Think of You)
9. Corea, Clarke & White, Forever
10. Trombone Shorty, For True

Na dos melhores pela crítica, Accelerando (ACT 2012), do pianista Vijay Iyer, ficou em primeiro lugar com quase o dobro do segundo – Road Shows, vol. 2, de Sonny Rollins. Na do povão, em primeiro ficou Radio Music Society, de Esperanza Spalding. Como foi lançado em abril do ano passado, nem consta na lista dos 30 melhores da crítica. É o caso, provavelmente, de outros álbuns como Ode, de Brad Mehldau, e de Dear Diz (Everyday I Think of You), de Arturo Sandoval, lançado em junho. Spalding é nova, belo penteado black (lembra a ex-ativista Angela Davis), canta e toca um instrumento do seu tamanho – o contrabaixo acústico – e é talentosa, mas supervalorizada, devido ao seu carisma. Meu voto foi para Rio, de Keith Jarrett. Na lista dos críticos ficou em terceiro. É um dos melhores registros do pianista nos últimos anos. Leia e ouça em http://bit.ly/MF8xTA.

A divergência mais perceptível é a não classificação – entre os 30 melhores – do álbum Be Good, de Gregory Porter (ouça e leia sobre ele em http://bit.ly/TVkW98). Inexplicável. Merecidamente, Sonny Rollins e o “retorno” de Forever, de Chick Corea, Stanley Clarke e Lenny White constam nas duas listas. Faz o gosto da patuleia e da crítica. Corea é sofisticado e pop ao mesmo tempo.

Os dez discos classificados devem ser ouvidos e cada um preenche um “pedaço” de prazer do fã do jazz. Não ouvi apenas os de Arturo Sandoval (leia sobre seu Time for Love, lançado em 2010, em http://bit.ly/VvMdf5) – mas tudo o que grava é bom –, e o de Tony Bennett, apesar de considerá-lo “the best” como cantor, não tenho a mínima curiosidade de conhecer. Esses “duets”, moda iniciada com Frank Sinatra no crepúsculo de sua carreira, em 1993, dividindo os vocais com Julio Iglesias, por exemplo, são um saco de gatos; se bem que dividiu também com Bennett, Bono, do U2, e Aretha Franklin. Têm cara de caça níqueis. Em Duets II, Bennett divide vocais com k d lang, Norah Jones, Andrea Bocelli, Amy Winehouse, o que não é mal, mas também com Lady Gaga e Mariah Carey.

Veja Body and Soul, com Amy Winehouse. Amy é Amy, ou melhor, foi. Era bem talhada para interpretar standards do cancioneiro americano. Basta ouví-la a cantar (There Is) No Greater Love, em Frank (2003). Foi uma de suas gravações derradeiras.




Os melhores instrumentistas
Apenas para registro (e poucos comentários) listo os melhores de alguns instrumentos.
Piano: Brad Mehldau (leitores) e Vijay Iyer (crítica)
Sax alto: Kenny Garrett (L), Rudresh Mahanthappa (C)
Sax soprano: Wayne Shorter (L), Branford Marsalis (C)
Trumpete: Wynton Marsalis (L), Ambrose Akinmusire (C)
Flauta: Hubert Laws (L), Nicole Mitchell (C)
Guitarra: Pat Metheny (L), Bill Frisell (C)
Trombone: Trombone Shorty (L), Wycliff Gordon (C)
Vocalista feminina: Diana Krall (L), Cassandra Wilson (C)

Em alguns instrumentos concordam em quem são os melhores: baixo acústico (Christian McBride), sax tenor (Sonny Rollins), bateria (Jack DeJohnette), sax barítono (Gary Smulyan; na lista dos leitores empatou com James Carter), clarineta (Anat Cohen), entre outros.

Pelas diferenças percebe-se o óbvio: os críticos adoram Vijay Iyer e Rudresh Mahanthappa, e os leitores ainda estão se acostumando com eles mas, no básico, não existe grande diferença entre o que eles gostam e nós, membros da patuleia.

Ouça duas interpretações de Ahmad Jamal, do CD Blue Moon (Jazz Village, 2012). Leia sobre esse CD em http://bit.ly/V6khVi.

Gypsy. Nesta e na próxima, Ahmad é acompanhado por Reginald Veal no baixo, Herlin Riley na bateria, e Manolo Badrena na percussão.



Laura.



Com Chick Corea, Stanley Clarke e Lenny White, ouça No Mistery.