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| Etta James |
Pior que nomes parecidos são nomes iguais, principalmente se se é um virtuose do piano dos bons, como Stephen Bishop, e surge um gajo que resolve se lançar com o mesmo nome na música popular. O talentoso teve que se curvar ao medíocre; por causa do homônimo “pop” trocou de nome. Ficou Stephen Bishop-Kovacevich. Passado um tempo, decidiu tirar o “Bishop” e tornar-se apenas Stephen Kovacevich. É americano de origem croata. Quis o destino que tivessem nascido em cidades “santas”: o pianista é de San Pedro e o outro, de San Diego.
O primeiro nome “Etta”, por questão de popularidade, nos faz lembrar, inicialmente, de Etta James. Faleceu em janeiro deste ano (2012). Pelas manifestações que vi no Facebook, tinha muitos fãs, bem mais do que imaginei. Não estava entre as minhas preferidas. No R&B – sigla para “rhythm’ blues” – ou na música soul, na minha opinião, tinha gente bem melhor. Gente, por favor: gosto é gosto. Ou, quem sabe, com tanta gente, impossível conhecê-los todos.
O fato pitoresco que descobri, na época de seu falecimento, é o de que seu nome de nascimento era Jamesetta Hawkins. Virou “Etta James” porque assim soava melhor. Do que sabia de James eram fatos externos à carreira: a obesidade mórbida (pesou quase 200 quilos) e problemas relacionados ao abuso no uso de drogas ilícitas. O mundo é ávido pelas desgraças alheias. Como no caso de Amy Winehouse, outros talentos diversos aos da autodestruição ficam em segundo plano.
É natural que tantos anos de abusos e a cirurgia báriatrica a que se submeteu tenha feito com que sua voz tenha perdido a característica “shouter” que a caracterizou. Ironicamente, aí reside a qualidade de seu último disco, lançado em 2006. Bem produzido, com a voz um tanto menos potente, timbre e bom acompanhamento instrumental e bom repertório, é um bom disco. O destaque, na minha opinião, é Cigarettes and Coffee (Eddie Thomas, Jerry Butler e J. Walker), clássico eternizado por Otis Redding. Por sinal, no disco de Etta James, o arranjo é o mesmo. Compare.
A de James.
A de Otis Redding.
A outra Etta
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| Etta Jones, a outra |
Pela semelhança, Etta Jones é confundida com seu quase homônimo. Sim, à menção do primeiro nome, associa-se à “James”. O universo do jazz é bem mais restrito e assim pois, Etta Jones é pouco conhecida. Até nesse terreno não é uma cantora tão conhecida; culpa de “hiatos” discográficos.
Etta Jones não teve a notoriedade de Billie Holiday, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Carmen McRae. Não era tão boa quanto estas, quem sabe, mas o jazz tem um grande segundo time. Bem jovem, chamou a atenção em um concurso de novos talentos no Apollo Theatre, tradicional casa de espetáculos localizada no Harlem, em Nova York. Participou da big band de Buddy Johnson e cantou com Art Blakey, Barney Bigard, Stuff Smith e Earl “Fatha” Hines, nos anos 1940, mas na década seguinte, “desapareceu”. Voltou a gravar na Prestige Records em 1960. Seu maior sucesso foi Don’t Go to Strangers. Depois de 1965, finda a parceria com a Prestige, apesar de continuar na ativa, particpando de tours e apresentações em clubes, voltaria a gravar apenas em 1976, quando passou a ser representada pela Muse Records, e depois, pela HighNote.
Jones sempre teve ao seu lado colaboradores constantes e duradouros. Primeiro, foi Buddy Johnson, mas seu parceiro por mais tempo foi o saxofonista Houston Person, com quem gravou vários álbuns nas duas últimas gravadoras citadas.
Seu último disco foi lançado em 2001, no mesmo ano em que morreu. Em Etta Jones Sings Lady Day, cantou clássicos associados à Billie Holiday, acompanhada de Person no sax tenor, Richard Wyands no piano, Peter Bernstein na guitarra, John Webber no baixo, e Chip White na bateria. A voz de Jones lembra a de Billie Holiday, pelo fraseado, e o timbre nos remete ao cantor Jimmy Scott. Faz até uma brincadeira imitando Billie em Fine and Mellow. Tal como Etta James, a voz sofreu algumas mudanças. Presumo que, pelo fato de, frequentemente, ter sido comparada à Billie Holiday, deveras, a voz lembra a Billie da fase final, um tanto pesada, sem aquela vivacidade e leveza que Lady Day tinha nos anos 1930. Sei de muitos que gostam dessa fase “overdrugs”, mas é incomparável na fase em que gravou para a Columbia.
Ouça Etta Jones em Fine and Mellow.
Ouça But Beautiful e perceba a semelhança do registro de sua voz com a de Lady Day.


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