1. Vijay Iyer Trio, Accelerando (ACT) - 115 votos
2. Sonny Rollins, Road Shows vol. 2 (Doxy/EmArcy) - 69
3. Keith Jarrett, Rio (ECM) - 68
4. Gregory Porter, Be Good (Motéma) - 56
5. Miguel Zenón, Alma Adentro: The Puerto Rican Songbook (Marsalis Music) - 54
6. Brad Mehldau, Live in Marciac (Nonesuch) - 52
7. Matt Wilson’s Arts & Crafts, An Attitude for Gratitude (Palmetto) - 40
8. Corea, Clarke White, Forever (Concord)
9. Terri Lyne Carrington, The Mosaic Project (Concord) - 38
10. Tim Berne, Snakeoil (ECM) - 33
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| Vijay Iyer (© ACT / Jimmy Katz) |
Vijay Iyer é a bola da vez, assim como Jason Moran foi na votação do ano passado. Além de ter seu disco Accelerando considerado o melhor do ano, ficou em primeiro lugar nas categorias “Jazz Artist”, “Jazz Goup”, “pianista”, e foi até lembrado na categoria “Rising Star”, ficando em segundo lugar. Nessa categoria, ganhou, com 2% de votos a mais, Robert Glasper, possível candidato a ser a “bola da vez” em anos vindouros na categoria principal.
Accelerando é um bom disco. Está no nível dos anteriores. Filho de indianos, Iyer passou pela Yale University e pela Columbia, estudante de matemática e física, e o título de sua dissertação de mestrado era Microstructures of Feel, Macrostructures of Sound: Embodied Cognition in West African and African-American Musics. Alta cultura, não? Não é possível uma simples transposição do conhecimento científico para as habilidades musicais, no entanto, percebe-se uma tremenda sofisticação no que toca; e, para arrematar, seus discos são belamente ilustrados por obras de um dos melhores artistas atuais: Anish Kapoor. Quem mora em São Paulo, Brasília ou Rio de Janeiro deve ter visto a bela exposição promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em 2006.
Veja uma das obras de Anish Kapoor (Ascension), no CCBB. Kapoor é gênio. Veja também uma entrevista sobre Leviatan, exposta no Grand Palais, em Paris, no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=12Ni0c4D27Y&feature=fvwrel). É uma obra impressionante. Pena que não estava em Paris em no segundo quadrimestre de 2011.
Ouça Mmmhmm (Steve Ellison, Stephen Bruner), do álbum Accelerando. Iyer toca com Stephen Crump no baixo e Marcus Gilmore na bateria. É uma das faixas mais interessantes. Vijay imprime uma melodia meio estranha em acordes repetitivos nos graves, com predominância de acordes nos médios e agudos em tons dramáticos, enquanto a “cozinha” parece tocar outra música.
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Basicamente, o som de Iyer é tenso. Toca sempre em um ritmo em que há poucos espaços de respiração, quase sem silêncios, em ritmos quebrados.
O segundo melhor do ano
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| Rollins. Até no visual, inova |
A voz está fraca. Percebe-se quando fala para apresentar os músicos ou anunciar os temas. Quando começa a tocar, aí, é outra história; mantêm vigor invejável. Não parecem ser a mesma pessoa. Na votação dos críticos, no sax tenor, foi considerado o melhor do ano, com 20 % de votos a mais que Joe Lovano. Justiça? Deve ser mais por aquele sentimento de reverência aos mais velhos. Rollins é o último de uma geração posterior à de Coleman Hawkins, Ben Webster e Lester Young. São seus contemporâneos, John Coltrane, Dexter Gordon, Stan Getz e Johnny Griffin. Todos estão mortos. Dos que estão vivos – Houston Person e Charles Lloyd –, ambos são mais novos que Rollins; nasceram, respectivamente, em 1934 e 1938.
O set de Road Shows vol. 2 consiste de temas conhecidos. Valorizam o disco convidados especiais como Jim Hall (In a Sentimental Mood), Ornette Coleman – com um longo solo –, e o baixista Christian McBride e o baterista Roy Haynes, em Sonnymoon for Two, e, finalmente, o trumpetista Roy Hargrove, em I Can’t Get Started e Rain Check. A música que fecha o CD é St. Thomas, o tema mais conhecido de Rollins. Dos músicos acompanhantes, o destaque mesmo é a guitarra delicada de Russell Malone.
Ouça Sonnymoon for Two.
Um gênio como o sax tenorista só deve ser reverenciado, mas é um exagero Road Shows vol. 2 ser considerado o segundo melhor do ano.
A carreira de Sonny Rollins passou por algumas oscilações, algumas provocadas por ele mesmo. Em 1950, foi detido por roubo à mão armada. Antes disso, já tinha tocado com Babs Gonzalez, Jackie McLean e Kenny Drew. Apesar de condenado a três anos de cadeia, Dez meses depois saiu e ficou em liberdade condicional. Violou-a ao ser preso por porte de heroína. No total, passou três anos detido. Conseguiu se livrar do vício por meio de tratamento à base de metadona. Foi a sua sorte.
Antes de fazer parte da legendária banda de Clifford Brown e Max Roach, havia tocado com Miles Davis e Thelonious Monk. Em 1956 lançou o disco que é considerado um dos melhores de todos os tempos, não dele, mas da discografia do jazz: Saxophone Colossus. Estava sendo considerado o melhor saxofonista tenor pela crítica, mas na mesma época John Coltrane começava a se firmar como líder. Foi eclipsado, porém não deixou de lançar discos muito bons, principalmente nos que era acompanhado apenas pela bateria e pelo baixo, sem piano.
A década de 1960 foi um tempo de grandes transformações sociais, e Rollins não iria ficar “fora” dessa”. Foi fazer ioga e ligou-se, como muitos, a certas práticas orientais. Na música, incorporou instrumentos eletrônicos como a guitarra e o baixo elétrico e também absorveu influências do R&B, do funk de Sly and The Family Stone e até do pop. Sonny não foi o único. O mesmo aconteceu com Charles Lloyd e muitos outros intérpretes do jazz.
Um solo de Rollins é reconhecível de longe. Waiting on a Friend é uma das faixas em que participa no disco Tattoo You (1981), dos Rolling Stones. As outras duas são Neighbours e Slave.


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