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| Django, o cigarro e a guitarra |
Antes da Segunda Guerra Mundial, a França era o destino de músicos americanos como Coleman Hawkins e Josephine Baker, a deusa negra que balançou a febril Paris, cidade preferida de escritores (ou aspirantes a) como Ernest Hemingway, John dos Passos, Scott Fitzgerald e Gertrude Stein. Quem pensa que foi simples entertainer deve ouvir seu J’ai deux amours. Baker era tremenda cantora, também.
O acidente que aconteceu com Reinhardt moldou seu jeito tão original de tocar. Como nasceu no início do século XX, sofreu as consequências das duas guerras mundiais. Durante a segunda, Grappelli ficou na Grã-Bretanha e Reinhardt, na França. Voltaram a reunir-se após o fim da guerra. O violinista teve vida longa, mas Reinhardt morreu cedo, com 43 anos, em decorrência de uma hemorragia cerebral, numa estação de trem. Demorou o dia inteiro para ser socorrido. Depois da guerra excursinou pelos EUA e chegou a tocar com a banda de Duke Ellington. Segundo seus biógrafos, voltou para a França diferente. Como puro sangue cigano, não fixava residência e faltava às apresentações marcadas, e quando ia, às vezes, nem levava a guitarrra. Provavelmente, andava deprimido: passava dias sem se levantar da cama.
A tragédia de Clifford Brown foi bem diversa. Encontrava-se no auge como músico quando morreu em um acidente automobilístico. Richie Powell, pianista talentoso e membro de sua banda, irmão de Bud Powell, estava com ele no carro. Brown era genial e bom páreo para Miles Davis e Dizzy Gillespie.
Brownie, como era conhecido, morreu dias antes de completar 26 anos, no dia 26 do 6 de 1956. Leia mais sobre Clifford Brown em http://bit.ly/Wj3bxT para maiores detalhes, se você for um curioso.
Benny Golson (sobre ele, leia http://bit.ly/Umy71H), saxofonista e autor de poucas e boas canções, compôs I Remember Clifford, em homenagem ao trompetista. É um dos grandes standards do jazz. Diferentemente dos clássicos consagrados de George e Ira Gershwin, Cole Porter, Richard Rodgers, Oscar Hammerstein II, Lorenz Hart, Irving Berlin e outros, a música tributo a “Brownie” foi composta como tema instrumental, tal qual composições de Thelonious Monk, Bill Evans, John Coltrane e Jimmie Rowles. Posteriormente, alguns desses temas, como ’Round Midnight, Blue in Green, Naima e The Peacocks, receberam letras para serem interpretadas por cantores como Carmen McRae, Thierney Sutton, Mark Murphy e Mary Stallings.
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| Elegância do Modern Jazz Quartet |
O MJQ trouxe a elegância ao jazz, sem desmerecer os impecáveis costumes que músicos como Artie Shaw, Miles Davis e Charlie Parker vestiam em suas apresentações. Incorporaram uma nova atitude nas salas de espetáculos. Eram algo como apresentações de música erudita em salas de concerto. Eram, por assim dizer, um conjunto de câmara, não apenas um quarteto. O som etéreo do vibrafone de Milt Jackson e o piano econômico de Lewis impunham silêncio à plateia; e as composições fugiam da voga do swing e do bebop. E Django representa a essência do Modern Jazz Quartet. John Lewis foi um dos primeiros representantes do que seria cunhado de “Third Stream”, expressão inventada por Gunter Schuller em 1955. Seus interesses pela música erudita e, principalmente, por Johann Sebastian Bach, moldaram seu estilo. Gravou com os Swingle Singers (formação vocal que ficou conhecida por vocalizações a partir de temas eruditos), compôs suites à maneira dos eruditos e adaptou temas clássicos, como em Blues on Bach, tocando, inclusive, cravo.
O melhor I Remember Clifford é, na minha opinião, a de Bud Powell com o saxofonista Don Byas. Ouça.
A interpretação de Django, pelo Modern Jazz Quartet, é excepcional. Existem muitas outras, mas essa é a original.
Ouça uma interpretação de Helen Merrill (sem letra; é só vocalizada) com John Lewis ao piano.
Ouça uma interpretação de Helen Merrill (sem letra; é só vocalizada) com John Lewis ao piano.
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