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terça-feira, 22 de março de 2016

O momento relax de Stacey Kent

Stacey Kent e Roberto Menescal
A ausência de uma bateria faz uma diferença danada. Principalmente, se for com Stacey Kent. Sua voz é um convite para refestelar-se no sofá bebendo um vinho, o que não significa, de modo algum, que seja “easy listening”.

O que a diferencia da maioria das outras cantoras é a sua formação e de como isso influenciou sua trajetória profissional. Formada em Literatura, mudou-se para a Inglaterra com o intuito de fazer Literatura Comparada. Estudou na London's Guildhall School of Music and Drama, onde conheceu Jim Tomlinson, com quem se casou. Foi o que ajudou-a a escolher o que ia fazer.

Lançou o primeiro disco em 1997 pelo selo Candid. No círculo londrino, apresentou-se em clubes tradicionais como o Cafe Boheme e no Ronnie Scott’s. Depois de seis álbuns bem sucedidos por esse selo, ganhou notoriedade maior com Breakfast on the Morning Tram.

Até então, cantando basicamente standards do cancioneiro americano, no primeiro álbum pela Blue Note, as transformações são significativas. O interesse pela literatura e a amizade com o premiado Kazuo Ishiguro, autor de Vestígios do Dia (Remains of the Day), inauguram a parceria de escritor com Jim Tomlinson.

Kent e Ishiguro
Obviamente Kent tinha lido livros de Ishiguro e o admirava. Ishiguro, fã e grande conhecedor de jazz, convidado a participar do programa de rádio ”Desert Islands Discs”, tinha de elencar suas oito canções favoritas. Billie Holiday e Ella Fitzgerald, com certeza, estavam na lista. Incluiu Stacey Kent. Tendo-a visto cantar uma vez e ouvido dois de seus discos, sentiu algo de especial na forma em que interpretava clássicos que tanto admirava desde jovem.

Kent, ao saber disso, resolveu escrever uma carta agradecendo-o, dizendo que gostara muito de Remains of the Day e Never Let Me Go. Esse título é uma clara evidência de seu gosto pelo jazz; é o nome de conhecida composição de Jay Livingston e Ray Evans. Passaram a corresponder-se por e-mail. A cantora pediu-lhe um texto para as “liner notes” do álbum que faria com músicas de autoria de Richard Rodgers, In Love Again (Candid Records, 2002). Nasceu assim, lembrando Casablanca, uma bela amizade e uma grande parceria.

Em Breakfast on the Morning Train (Blue Note, 2007), das doze canções do disco, quatro são com letras de Ishiguro e música de Jim Tomlinson, marido e saxofonista de Stacey. Nesse álbum, evidencia-se seu interesse crescente pela música brasileira e pela francesa. So Many Stars, de Sergio Mendes, e Samba Saravah, composição de Baden que recebeu enorme acolhida na França depois de Pierre Barouh tê-la cantado em Um Homem e Uma Mulher, eram as “brasileiras”, ou melhor, de brasileiros. Além delas, dentre outras, fazem parte Never Let Me Go – referência a Ishiguro, imagino – e duas composições de Serge Gainsbourg.

Dentro dessa linha de desenvolvimento, seu próximo CD, Raconte moi… (Blue Note, 2010) é composta de músicas cantadas em francês, sendo algumas de autoria de Benjamin Biolay, considerado o Gainsbourg da nova geração. Duas, apesar dos títulos em francês são as exceções: Les eau de mars (Águas de Março) e C'est le Printemps (It Might As Well Be Spring).

O propósito de aprender português por Jim e Stacey era sério. Vieram ao Brasil várias vezes e tiveram como “professor particular” o poeta português António Ladeira. Em Changing Lights (Parlophone, 2013), 70% do disco é de música, vertida ou não, de autores brasileiros ou portugueses, no caso, Ladeira que, além de professor, tornou-se parceiro em Mais Uma Vez, Tarde e Chanson Légère, com Tomlinson. Pelo lado brasileiro estão Tom Jobim, João Bosco, Marcos Valle, Roberto Menescal e Dori Caymmi. Contam também com mais três com letra de Ishiguro.

Tenderly
Depois de álbuns com várias referências literárias, músicas cantadas em três línguas diferentes, composições próprias, temas mais contemporâneos, Stacey resolveu dar uma relaxada. Tenderly é composto de clássicos do repertório americano.

Em comemoração aos 50 anos da carreira, Marcos Valle gravou um belíssimo álbum com Stacey, lançado em 2013. Em Changing Lights, há a participação de Roberto Menescal em dois números tocando violão.

Menescal, antes de tornar-se executivo na gravadora Philips, foi um dos fundadores do movimento da bossa nova. Autor de inúmeros clássicos, em sua maioria, em parceria com Ronaldo Bôscoli, nunca deixou de ser músico. Depois de sair da Philips, montou o estúdio Albatroz com o filho. Misto de produtor, músico e compositor, é o maior responsável pela propagação da bossa nova. Admirado por cantoras, que adoram tê-lo ao lado na condição de acompanhante e parceiro, lançou muitos discos no mercado japonês e é, com certeza, com seu jeito relaxado e despretensioso, um dos gênios da música. Seu jeito de tocar o violão e a guitarra elétrica, sem efeitos, abrilhantam qualquer música.

Ao vê-lo casualmente em de suas inúmeras vezes em que veio ao Brasil, no show Cristo Redentor 80 Anos exclamou: “Roberto!”; ao que ele respondeu: Stacey!” Depois, passaram a se comunicar com frequência. Stacey o queria para alguns números de Changing Lights. Ligou para ele. Menescal contou que, quando Tom Jobim ligava, já sabia que queria encontrá-lo. Antes que Tom completasse alguma frase, respondia: “Tô indo”. Sabia que era por isso que Tom ligara. Terminando de contar a Stacey, respondeu: “Estou indo.”

Em Tenderly, a participação de Menescal foi diferente. Tocando guitarra elétrica, com Jim Tomlinson no saxofone tenor e na flauta, e Jeremy Brown, propuseram-se a fazer um disco de standards. A única exceção é Agarradinhos, de Menescal e Rosália de Souza. A escolha do título é em razão do elo de Tenderly com o Brasil. O primeiro intérprete da hoje conhecidíssima composição de Jack Lawrence e Walter Gross, foi Dick Farney, quando morou nos EUA.

Tenderly, cinco estrelas pela publicação The Guardian e quatro estrelas pela Downbeat, como disse acima, é um daqueles discos tranquilos e tremendamente prazerosos de se ouvir. Menescal, com a experiência de meio século acompanhando cantoras e o talento natural, é cúmplice desse clima. Tem um modo tranquilo de tocar, é um carioca da praia, de fala mole, que adora o mar. Gosta tanto que só se chega ao seu estúdio de barco. Ele transpira esse sossego. Jeremy Brown é um acompanhante discreto no contrabaixo acústico, Jim é exato em seus comentários musicais no sax tenor e na flauta. E Stacey, é Stacey. Sua voz pequena é sempre elegante e suas intervenções em canções que o mundo já cantou, sempre trazem algo original. Não é à toa que Kazuo Ishiguro a escolheu, com Billie Holiday e Ella Fitzgerald para o seu “desert island discs”.


Ouça Embraceable You.



If I’m Lucky é um dos destaques.



Tenderly, a música título, é excepcional com Kent e Menescal.



Ouça In the Wee Small Hours of the Morning.



Não poderia faltar Agarradinhos.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Wanda Sá com seus amigos

Wanda Sá e o velho amigo Menescal
Se algumas viraram musas e inspiradoras da bossa nova, como a que gerou Garota de Ipanema, poucas foram protagonistas do movimento. Uma delas é Wanda Sá. As mais conhecidas foram Astrud Gilberto, Sylvia Telles e Nara Leão, mas Wanda não fica atrás de nenhuma delas quanto à qualidade como intérprete. Astrud é quase um acidente: estava no lugar certo na época certa. Casou com João Gilberto em 1959 e descobriu-se cantora devido ao empurrão do marido. Mudaram-se para os EUA e gravaram com o saxofonista Stan Getz o álbum Getz/Gilberto. Por um lado foi bom e por outro, não, para João: as portas estavam abertas para o baiano, mas Astrud gostou de Getz.

Como as ondas das praias cariocas, Sylvinha Telles, considerada uma das grandes intérpretes da bossa nova, hoje, encontra-se um tanto esquecida. Como as ondas, daqui a pouco vão se lembrar dela. Tinha voz pequena, delicada, e combinava bem com o gênero. Meu amigo Zeca Leal era amigo de Sylvia e Candinho, seu primeiro marido. Emprestou vários discos de playback com orquestrações de Nelson Riddle de canções de Frank Sinatra para ela treinar o seu canto. Disse-me que ela dava umas belas atravessadas. Tinha bom ouvido. Deve-se, em parte, o esquecimento de Sylvinha, à morte precoce em um acidente automobilístico em 1966. Era garota ainda. Mal tinha passado dos trinta.

Parte da turma da bossa nova reunia-se no apartamento de Jairo Leão. Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli eram os frequentadores mais assíduos. Para Nara Leão, filha de Jairo, tornar-se cantora foi um passo natural. Apesar de associada à bossa nova, no início da carreira, na menina de classe média alta, um dia, a voz do morro soou mais forte, assim como para Carlinhos Lyra. Nara participou do Teatro Opinião. Cantava Carcará com João do Valle e Zé Keti. Ela foi maior que os gêneros. Fez até um songbook de Roberto Carlos, quando isso nem moda era.

Wanda Sá é da segunda dentição da bossa nova, assim como a turma que se reunia na casa de Nara. Em 1964, lança o belíssimo Wanda Vagamente. Participa também do Brasil 65, de Mendes, nos EUA. “Desaparece” da cena musical depois de casar-se com Edu Lobo. Opta por criar os três filhos. Separa-se de Edu em 1982 e, paulatinamente, retoma a carreira interrompida. Volta a se apresentar e a gravar, quase sempre com seu antigo professor de violão Roberto Menscal.

Ouça Vagamente na íntegra.




O tempo longe dos palcos não a fez perder o bonde. A voz, inclusive, mais grave, ganhou maior expressividade. Não é mais a voz da garota de Vagamente. Em comemoração aos seus 70 anos, completados em 11 de julho de 2014, a gravadora Biscoito Fino lançou Wanda Sá ao Vivo em DVD. Os registros foram feitos no Espaço Tom Jobim, Rio de Janeiro e conta com vários e velhos amigos como Marcos Valle, João Donato, Carlos Lyra, Dori Caymmi e a americana Jane Monheit. [sobre Jane, leia http://bit.ly/1CBbj7U].

Nada melhor que comemorar datas como essas com os amigos.

Ouça Inútil Paisagem, com participação de Jane Monheit.




Ouça também faixa que abre o disco: Só Me Fez Bem. Era uma das músicas de Vagamente. É uma bela composição do ex-marido Edu Lobo, em parceira com Vinícius de Moraes.




Veja Wanda e Menescal em O Barquinho.




Os dois cantam Rio no programa Ensaio.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

The Changing Lights, o disco mais brasileiro de Stacey Kent

A capa do novo CD de Stacey Kent
Tem tempo ainda. No dia 4 de dezembro, Stacey Kent se apresentará no clube novaiorquino Birdland, em comemoração ao lançamento de The Changing Lights. O ingresso custa 45 dólares e consumação mínima de 10, valor bem mais modesto que os 400 reais mais 85 de taxa de conveniência do show da cantora que aconteceu em novembro do ano passado no Teatro Reanault, antigo Paramount, em São Paulo (leia http://bit.ly/16eP2r4). Com a diferença que é no Birdland e, apesar do frio, é sempre bom caminhar pelas ruas de Nova York.

Ontem, 16 de setembro, foi o lançamento oficial do último CD de Stacey Kent. De tanto vir para cá, realiza seu álbum “mais brasileiro”, apesar de ter sido gravado em Sussex, Inglaterra, e contar com apenas um brasileiro no lineup. A língua portuguesa e as referências a nossa música têm sido uma constante em seus trabalhos mais recentes.

Stacey não possui a voz marcante de Sarah Vaughan, nem a potência de Carmen McRae, e talvez por isso, saiba usá-la como ninguém. Sua voz é pequena e complexa. Ao contrário de outras, conhece o que canta. Não basta ter uma bela voz para ser bom intérprete. Com impressionante humildade disse que ainda trabalha a voz: “Tento cantar o melhor que eu posso, simplesmente, porque é a minha profissão e minha razão de ser.”

Nada melhor do que alguém com Stacey para interpretar canções como This Happy Madness (Estrada Branca), One Note Samba (Samba de Uma Nota Só) e Insensatez (How Insensitive), de Antônio Carlos Jobim. Os outros brasileiros presentes no álbum são Dori Caymmi (Like a Lover), Marcos Valle (The Face I Love) e Roberto Menescal (O Barquinho). Toca violão na música de sua autoria e em A Tarde, de Jim Tomlinson e o poeta António Ladeira. O português é parceiro também em Mais Uma Vez. São duas canções belíssimas, melancólicas e poderiam passar por brasileiras facilmente, apesar de compostas por um inglês e um português.


Ouça A Tarde. As duas de Ladeira são cantadas em português.




Como Stacey formou-se em Letras nos EUA e foi fazer um curso de Literatura Comparada na Inglaterra (dê uma busca por “Stacey Kent” no blogue; como é uma das minhas preferidas, publiquei vários textos sobre ela), é natural seu cuidado com os “letristas”. Mais que letristas, os parceiros são escritores. Além de António Ladeira, Stacey e Jim são próximos a Kazuo Ishiguro. Nascido no Japão, escreve em inglês e é considerado um dos grandes da atualidade. A ligação vem de gostos em comum: o jazz e a literatura. A parceria foi iniciada em Breakfast in a Morning Tram. Das doze canções desse álbum, quatro são com letras de Ishiguro. No CD lançado ontem, é parceiro de The Summer We Crossed Europe In The Rain e Waiter, Oh Waiter. Aliás, “garçom, seo garçom!”, é bem brasileiro. E a música também. Ouça:




Se você é fã de Stacey e de MPB, não deixe de ter esse CD. Tudo é muito brasileiro, até Chanson Légère, de Bernie Beaupère, outro parceiro “reincidente” e Smile, de Charlie Chaplin, com introdução instrumental com o tema de O Bêbado e o Equilibrista. Confira.




Veja o teaser de The Changing Lights.




Ouça Samba de Uma Nota Só.



Ouça um trecho de Estrada Branca.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O melhor disco ao vivo do mundo. Ou, pelo menos, o dele: Antony and The Johnsons

A imagem de Antony Hegarty na capa de Cut the World
Fiquei surpreso com o fato de Roberto Menescal, compositor de O Barquinho e Surfboard, violonista, produtor e, atualmente, dono do estúdio Albatroz, ter citado Cut the World, de Antony and The Johnsons, como exemplo de um disco ao vivo bem gravado. Pelo jeito, Antony Hegarty não é tão desconhecido por essas paragens.

Em seus tempos de A&R na Philips, discos ao vivo eram cheios de aplausos irritantes. Muitos deles eram um “faz-de-conta”. Gravados em estúdio, os aplausos eram acrescentados depois. Em outros casos, como no álbum Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo, gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), partes que poderiam causar problemas com a censura do regime militar (em 1972, a coisa era muito séria e o pau, como se dizia, corria solto contra qualquer manifestação que os militares pudessem considerar como ameaça) eram “tapados” – ou camuflados – com ondas de aplauso. Quando Chico Buarque cantava Bárbara, os trechos “perigosos”, eram camuflados com “exaltados” aplausos. Outro caso de álbum estragado por aplausos é o de João Gilberto gravado no teatro da TV Globo, em 1980.

Menescal cita o disco de Antony and The Johnsons em razão, justamente, de ser um disco ao vivo em que não se ouve um aplauso ou algum ruído da plateia. A exceção é na faixa Future Feminist (logo mais vai ficar claro por que). Em registros de apresentações ao vivo, mesmo não sendo irritantes, o aplauso é um componente natural. Novas tecnologias permitem que sejam completamente suprimidas. É comum o uso dessa técnica em discos de musica erudita. Orquestras são numerosas e fica muito caro colocá-las em um estúdio. As óperas, praticamente, deixaram de ser gravadas desse modo devido ao custo e ao trabalho que dá registrar vozes e instrumentos separadamente. Mesmo que o custo hora de estúdio tenha diminuído drasticamente, reunir muitas pessoas em um estúdio necessita de uma logística absurda.

Cut The World foi gravado em Copenhagen com a Danish National Chamber Orchestra. E o resultado é excepcional. Se Antony Hegarty é bom com pouco acompanhamento ou apenas ao piano, impressionante como sua música ganha com uma orquestra.

Fora a primeira, que é a canção título e a segunda, que, em vez de ser canção, é um longo discurso sobre uma nova sexualidade – Jesus como uma garota ou Buda como uma mãe, do patriarcado ao matriarcado, coisas do tipo –, as restantes são conhecidas por seus fãs.

Aliás, o “discurso” de Future Feminism cai bem partindo de uma figura andrógina como Antony. Cabelos longos, uma franja à la Veronica Lake, lembrando vagamente a arquiteta Lina Bo Bardi. Um pouco gordo, rosto bem rechonchudo, os cabelos caindo para um lado, apresenta-se com frequência vestindo batas ou roupas bem largas. Quando se veste de branco é como um anjo torto, “um patinho feio que se transforma em um magnífico cisne”, conforme descrição publicada no The Independent em 4 de agosto de 2012. A comparação não é casual: o quarto álbum se chama Swanlights. Os gestos no palco, como você irá ver no vídeo de Cripple and the Starfish, são bem estranhos. Não são desse mundo (o dos normais, digo), e Antony não é homem nem mulher; é um outro gênero, – um transgênero, se isso existe – talvez algo que explica parcialmente Future Feminism.

As cordas, flautas e sopros da orquestra da Danish National Chamber Orchestra, reforçam as qualidade da música e do vocal de Antony. A melancolia fica mais melancólica, o (melo)dramático se torna mais dramático, a desesperança é mais dolorida, soturna. Ele se definiu, em uma entrevista como alguém que tende a ficar em pequeno barco e navegar em volta de enormes embarcações. Para quem gosta de excessos é um prato cheio. Algumas de suas qualidades se originam de sua participação em espetáculos que não exclusivamente musicais. É um performático (desculpe pela expressão meio fora de moda), em atuações que conjugam a dança (é apaixonado pelo butoh e por Kazuo Ohno), o teatro e o cinema.

Cut the World, a inédita, tem como parceira criativa a artista (performática) Marina Abramović. Transformou-se em um curta, dirigido por Nabil Elderkin. Assista. O refrão “But when will I turn and hurt the world?/ When will I turn and cut the world?” é uma boa pista do que acontece. Assista.



Veja Antony em Cripple and the Starfish;




em The Crying Light.



I Fell in Love with a Dead Boy.




Leia “Kazuo Ohno e Antony and The Johnsons”: http://bit.ly/OCkQyK

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Coldplay à cubana

Roberto Menescal é um dos nomes mais importantes da bossa nova. Virou executivo da Philips e distanciou-se do violão. Em 1985, por insistência de Nara Leão, acompanhou-a em uma excursão ao Japão. Interrompeu-se a carreira de executivo e retomou-se a de músico. Montou, um tempo depois, com o filho, a Albatroz. Produziu discos próprios e dos outros.

A capa do CD “punky-bossa” de Menescal
No esteio da popularidade imensa da bossa nova no Japão, Menescal deve ter ido pelo menos umas trinta vezes à terra do sol nascente. Além de apresentar-se com frequência, várias criações de sua produtora têm sido lançadas por lá. Um projeto interessante é o de adaptar gêneros musicais diversos transformando-os em “bossa nova”. Lançou Beatles ’n’ Bossa, Bossa Elvis, Sinatra in Bossa Nova – um lembrete: ouça Sinatra cantando Change Partners ou Baubles, Bangles and Beads; pura bossa nova –, Bossa Bolero… conseguiu fazer “bossa” até com o Sex Pistols, em Never Mind The Bossa – Punky Bossa. Depois dessa, só falta fazer “bossa” com música javanesa.

E, como nada é impossível, alguém imaginou o Coldplay no ritmo da terra outrora comandada pelo barbudo Fidel? Então, ouça Clocks.

Obs: até hoje não consegui descobrir a razão de ser “à cubana” um filé acompanhado de farofa, abacaxi e banana à milanesa.