quinta-feira, 14 de julho de 2016

Saiu a lista dos melhores do ano 2016, pela Downbeat

Kamasi Washington, destaque na Downbeat
Como é tradicional, há 64 anos, no mês de agosto sai a lista dos melhores na Downbeat. Em razão de quase nenhum – ou todos – foi lançado no Brasil e pouco comentado aqui, vai aqui a lista dos des melhores discos do ano.

1. Kamasi Washington: The Epic (Brainfeeder)
2. Maria Schneider Orchestra: The Thompson Fields (Artistshare)
3. Cécile McLorin Salvant: For One to Love (Mack Avenue)
4. Henry Threadgill’s Zooid: In for a Penny, In for a Pound (PI Recordings)
5. Steve Coleman & The Council of Balance: Synovial Joints (PI Recordings)
6. Charles Lloyd: I Long to See You (Blue Note)
7. Tom Harrell: First Impressions (Hugh Note)
8. Christian McBride: Live at the Village Vanguard (Mack Avenue)
9. Michael Formanek’s Ensemble Kolossus: The Distance (ECM)
10. Charles Lloyd: Wild Man Dance (Blue Note)

O primeiro
O jovem saxofonista Kamasi Washington – nasceu em 1981 –, no ano passado, nem estava entre os melhores “rising star” e muito menos na principal. Como do nada, na Downbeat com a lista dos melhores de 2016, não apenas ficou em primeiro no item “saxofone tenor “rising star”, como teve seu disco The Epic em primeiro lugar, desbancando medalhões como Charles Lloyd, Henry Threadgill, Tom Harrell e Maria Schneider.

O título diz tudo. Soa épico.  Produzido pelo multitalentoso e eclético Flying Lotus, The Epic é um poema sinfônico ambicioso e surpreendente por suas dimensões. Kamasi une uma banda composta de saxofones, trompetes, teclados e base ritmica, acrescido de um coral e uma orquestra. E mais: tem aproximadamente três horas. Nas passagens iniciais lembra um pouco alguns álbuns de McCoy Tyner da década de 1970 em formações maiores, como Fly with the Wind. Os coros, por sua vez, lembram, de vez em quando, o Marvin Gaye de What’s Going On.

Veja a apresentação de The Epic na íntegra.




Se você preferir ouvir o registro em estúdio.




Na minha opinião, não é o melhor álbum de jazz do ano, mas confesso não ter um preferido absoluto entre esses dez. Devido a longa duração, é um tanto cansativo. É bom? Sim. Mas não é o que eu naturalmente buscaria ouvir.  Outros, como os de Charles Lloyd e de Tom Harrell, são mais prazerosos, talvez por serem mais palatáveis.

Os outros
Se você for um ouvinte desavisado como eu e ficasse curioso de ouvir ou comprar alguns dos dez melhor classificados, iria direto para os álbuns de Charles Lloyd. I Long to See You é mais interessante por ser um pouco diferente dos da fase ECM, como ainda é um pouco Wild Man Dance.

Com banda composta por Bill Frisell e Greg Leisz, I Long to See You é bem americano e essa é a diferença com o “Lloyd ECM”. Ouça Shenandoah, tema mais traditional americano, impossível.





No ano retrasado, Cécile McLorin Salvant foi a surpresa, como Washington está sendo desta vez. Surgindo do nada, emplacou como melhor cantora “rising star” e teve WomanChild como o melhor lançamento do ano. Continua prestigiada e o seu For One to Love ficou em terceiro agora. É inferior ao anterior. É mais intimista e já não conta com o impacto de ser uma estreante.

Alguns classificados são queridos pela crítica e assíduos frequentadores das listas não apenas da Downbeat. Maria Schneider é a campeã. Tudo o que lança é elogiado. Tem a melhor big band, junto a de Darcy James. Tom Harrell é outro. Não só grande trompetista, quase sempre apresenta composições próprias em seus discos, o que não é tão comum. O surpreendente em Harrell é que apresenta-se ativo e lançando álbuns regularmente, seja esquizofrênico e tenha tido problemas como espasmos musculares involuntários consequência dos medicamentos pesados que é obrigado a tomar.

De todos os listados, os álbuns de Henry Threadgill, Steve Coleman e Michael Formanek são a face mais avant garde do jazz. Os dois primeiros estão ligados à cena vanguardista de Chicago. Dos três, o de Steve Coleman (Synovial Joints) é o melhor. Threadgill é o gênio criador do Air (foi criada bem antes da banda eletrônica Air dos franceses Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel) e do Very Very Circus, Make a Move e agora o Zooid. Com essa banda, gravou In for a Penny, In for a Pound. Com essa composição ganhou o 2016 Pulitzer Prize of Music. É o reconhecimento para um dos gênios da música atual.

Assista à apresentação de Threadgill no Library of Congress. Uma das características marcantes do som do saxofonista/flautista é a presença de instrumentos não tão usuais no jazz como o violoncelo e a tuba. Na atual formação, Liberty Ellman, bem conhecido na cena novaiorquina, é um dos destaques, pela sua forma peculiar de tocar o violão. Confira.



Formanek vem de uma ótima sequência de grandes álbuns pela ECM. Small Places foi considerado um dos melhores lançamentos de 2012. Neste, contou com o sax alto de Tim Bern, o piano de Craig Taborn e a bateria de Gerald Cleaver, enquanto em The Distance, montou uma big band com 19 membros em que estão incluídos Mary Halvorson, Thomas Fujiwara, Tim Berne e Ralph Alessi.

Veja o promocional com Formanek falando sobre o projeto.




Veja também Steve Coleman com o seu The Council of Balance, em Synovial Joints.




Por último, Christian McBride. É o melhor contrabaixista hoje, craque no acústico e quando pega o elétrico, é tão bom quanto. Live at the Village Vanguard é com o trio formado pelo pianista Christian Sands e Ulysses Owens. Não é dos melhores álbuns de trio, mas pelo jeito, os críticos gostaram.

Ouça Cherokee.