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terça-feira, 31 de março de 2015

Grandes duos de Kevin Eubanks e Stanley Jordan

Kevin Eubanks (esq.) e Stanley Jordan
Para quem toca piano apenas para relaxar, até que Kevin Eubanks não faz feio. Eu o conhecia apenas como guitarrista. Stanley Jordan, bom, acho todos sabem quem é. Ficou famoso com seu modo diferente na guitarra. Não é pioneiro na técnica do “tapping”, que é tocar a guitarra batendo nas cordas, mas é responsável pelo estilo único no instrumento ao usar a mão esquerda não apenas para as notas tocadas com a direita. Por vezes parece um pouco circense, como atuações de malabaristas, mas, afinal, faz com grande competência. Tanto ou mais impressionante é quando toca guitarra e piano ao mesmo tempo, coisa rara. Se bem que, nessas ocasiões, fico com a impressão de que toca mal nos dois. Quando estreou com Magic Touch, pelo selo Blue Note, em 1985, fez um tremendo sucesso.

Kevin Eubanks vem de uma família musical. Para os fãs de jazz, dos irmãos Eubanks, o mais conhecido é Robin, grande trombonista e membro da banda de Dave Holland. O mais popular – ou o mais visto –, no entanto, é Kevin. Foi da banda Tonight Band Show, do programa de Jay Leno, de 1995 a 2010. Saiu para retomar à carreira que havia interrompido como músico de jazz. O irmão mais novo – Duane – é trompetista. Tem dois primos conhecidos: o pianista Charles Eubanks e o contrabaixista Duane. E como confirmação de que é uma família verdadeiramente musical, Kevin é sobrinho do grande Ray Bryant, além do que tem mãe com pianista de formação clássica.

Após a saída do programa de Leno, lançou alguns álbuns como líder, criando sua gravadora, a Insoul Music e seus dois últimos saíram pela Mack Avenue. Por ela, acaba de sair, agora em março, Duets. Se não tinha muita expectativa por um disco dos dois, afinal seus tempos de maior prestígio estão no passado, é grande a surpresa pois é muito bom. Estão em grande forma e o entendimento entre eles é perfeito. Não é uma “guitar battle”, uma competição de quem é melhor ou mais rápido; é um álbum em que tocam com incrível harmonia, preservando, cada um, seu estilo, além dos dois tocarem outros instrumentos. 

Na primeira faixa, Morning Sun, em que são coautores, Jordan toca guitarra e Eubanks guitarra semi-acústica. Grande início. Seguem com três standards – Summertime, Nature Boy e A Child Is Born – e Someone Like You da pop inglesa Adele.

Veja Kevin e Stanley em Morning Sun, a primeira de Duets.




Na interpretação dos standards, ambos fogem do comum. Fazem releituras originais. Em A Child Is Born, de Thad Jones, como em várias faixas, revezam-se ao piano. Neste caso, é a vez Eubanks. Em entrevista, disse que cresceu ouvindo sua mãe e o tio Ray Bryant tocarem essa música.

Ouça a conhecidíssima Nature Boy, de eddie ahbez. Uma observação: no tempo em que ahbez era vivo, obrigava que seu seu nome fosse registrado em minúsculas pois, segundo ele, em maiúsculas, só Deus. (sobre isso leia http://bit.ly/1E1KERR e http://bit.ly/1BN6gu8)




Mesmo em canções populares como Someone Like You, da inglesa Adele, os dois são originais.
Ouça.




Além de Morning Sun, as outras composições originais dos dois são Old School Jam, Vibes e Goin’ on. Além das citadas anteriormente, tocam Blue in Green (brilhante), de Bill Evans, e Lights, canção pop da inglesa Ellie Goulding. É a preferida de Stanley. Confira.





Assista ao promocional da Mack Avenue com os dois. Quando começaram a conversar sobre o projeto, Stanley enviou um e-mail sugerindo o título Black and Black. Kevin respondeu: “Não”.














terça-feira, 17 de julho de 2012

Adele e o inverno paulista

Bela Adele

De vez em quando, acontecem fenômenos como o de Adele. Com apenas dois discos de estúdio, lançados em correspondência com sua idade – 19 e 21 – a inglesa conquistou milhões de ouvintes. Um pouco fora dos padrões (se bem que esses padrões estão mudando celeremente) das cantoras de sucesso, em termos estéticos. Em vídeos da época em que começou a aparecer, era um menina cheinha usando roupas largas, penteado com uma franja mal-cortada e cabelos presos atrás. Quando 21 saiu (leia http://bit.ly/SCc0mJ), percebe-se uma “produção” no visual, mas o corpinho, apesar de alguns quilos a menos, continua roliço. Se, em 19, estava ótima, aos 21 está melhor ainda, digo em relação à música. Quanto ao visual, é questão de gosto. A ditadura da magreza é perversa e Adele é um bom “consolo” para quem luta contra a balança.

Neste momento, em São Paulo faz 10 graus centígrados. Muito frio. Deitado ainda, no iPad leio que Mark Evans, pai que foi embora quando tinha três anos, apesar de desejar uma reaproximação com ela, afirma não crer muito na possibilidade, principalmente depois de ficar sabendo da fúria que a acometeu depois de saber que ele vendeu uma história para o The Sun. E nem era tão reveladora; apenas confirmava sua condição de pai ausente. Adele considerou um ultraje ele ter se vendido para um tabloide sensacionalista. Bem agora em que se publica que está grávida, vai ser difícil para o futuro avô, alcoólatra em recuperação, carregar o netinho no colo.

Faz algum tempo que não ponho Adele para cantar no iPod. Boa ideia. Ouço o seu ao vivo no The Royal Albert Hall. Logo que foi lançado, corri para comprá-lo em Blu-ray. O show é cheio de pompas, com orquestras e Adele maximaquiada, com um penteado que mais parece com aqueles dos anos 1960, cheio de laquê, bem ao estilo daquelas moças que aparecem em Hairspray (1988), filme ótimo de John Waters.

O show é uma combinação estranha de pompa e deboche. Adele não deixou de ser uma garota de subúrbio. É debochada, conta piadas, fala da própria vida com ironia e desdém, ri de si, refere-se às amigas de infância e adolescência que estão no teatro, chora de emoção, em suma, sente-se muito em casa. Fala tanto, que cansa e deixo de prestar atenção. Mas já saiu na imprensa que as piadas que conta não primam pelo bom gosto. Um exemplo: "Como você chama uma loira de cabeça para baixo? Uma morena com mau hálito". Foi contada em um show.

No CD, as longas falas de Adele foram suprimidas. Ótimo. Presta-se mais atenção na parte musical. Aí, percebe-se que seus produtores exageraram um pouco na pompa. Poderia ter sido em um teatro menos pomposo que o Royal Albert Hall. Mas Adele é uma boa companhia no frio com sua voz cálida, rouca na medida exata, meio-moleca, mas sofrimentos e alegrias não têm idade, principalmente, quando percebemos que podemos cair em armadilhas que acreditávamos não mais existir quando chegássemos à idade madura. O frio potencializa a melancolia e várias músicas que Adele canta sem as falas presentes do DVD e do Blu-ray parecem mais tristes.

Adele em 2008, em Late Show, de Jools Holand.


Adele canta Someone Like You, no Royal Albert Hall.




Rolling in the Deep.

terça-feira, 1 de março de 2011

O 21 de Adele

A capa do 21
Adele nasceu em 1988 e ganhou a crítica britânica. Lançou seu segundo CD – 21 – em 24 de janeiro desse ano e vendeu 208 mil cópias na primeira semana, ficando em primeiro lugar nas paradas. O single Someone Like You atingiu o topo das paradas, depois de ter sido apresentada no Brit Awards 2011, desbancando Lady Gaga. Rolling in the Deep, a que abre o 21 está em quarto lugar. Mas quem é Lady Gaga perto dos Beatles? Pois Adele desbancou um recorde que era deles há mais de 40 anos.

A moça é minimalista. O nome artístico é, simplesmente, Adele, menos até daquela que ficou conhecida como Adele H., de sobrenome Hugo, filha do escritor Victor Hugo. Seus dois CDs são números, 19 e 21. Se continuar nessa toada, quem sabe, estará fazendo, no futuro, um álbum chamado 71… ou 91.

A moça de 22 anos tem uma voz forte e envolvente, levemente rouca. Apesar de estarmos apenas no começo do ano e termos tido a chance de ouvir o novo Radiohead – The King of Limbs, lançado em 18 de fevereiro –, provavelmente, constará na lista dos melhores de 2011.

Veja Adele cantando Someone Like You no Brit Awards.