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| Bela Adele |
De vez em quando, acontecem fenômenos como o de Adele. Com apenas dois discos de estúdio, lançados em correspondência com sua idade – 19 e 21 – a inglesa conquistou milhões de ouvintes. Um pouco fora dos padrões (se bem que esses padrões estão mudando celeremente) das cantoras de sucesso, em termos estéticos. Em vídeos da época em que começou a aparecer, era um menina cheinha usando roupas largas, penteado com uma franja mal-cortada e cabelos presos atrás. Quando 21 saiu (leia http://bit.ly/SCc0mJ), percebe-se uma “produção” no visual, mas o corpinho, apesar de alguns quilos a menos, continua roliço. Se, em 19, estava ótima, aos 21 está melhor ainda, digo em relação à música. Quanto ao visual, é questão de gosto. A ditadura da magreza é perversa e Adele é um bom “consolo” para quem luta contra a balança.
Neste momento, em São Paulo faz 10 graus centígrados. Muito frio. Deitado ainda, no iPad leio que Mark Evans, pai que foi embora quando tinha três anos, apesar de desejar uma reaproximação com ela, afirma não crer muito na possibilidade, principalmente depois de ficar sabendo da fúria que a acometeu depois de saber que ele vendeu uma história para o The Sun. E nem era tão reveladora; apenas confirmava sua condição de pai ausente. Adele considerou um ultraje ele ter se vendido para um tabloide sensacionalista. Bem agora em que se publica que está grávida, vai ser difícil para o futuro avô, alcoólatra em recuperação, carregar o netinho no colo.
Faz algum tempo que não ponho Adele para cantar no iPod. Boa ideia. Ouço o seu ao vivo no The Royal Albert Hall. Logo que foi lançado, corri para comprá-lo em Blu-ray. O show é cheio de pompas, com orquestras e Adele maximaquiada, com um penteado que mais parece com aqueles dos anos 1960, cheio de laquê, bem ao estilo daquelas moças que aparecem em Hairspray (1988), filme ótimo de John Waters.
O show é uma combinação estranha de pompa e deboche. Adele não deixou de ser uma garota de subúrbio. É debochada, conta piadas, fala da própria vida com ironia e desdém, ri de si, refere-se às amigas de infância e adolescência que estão no teatro, chora de emoção, em suma, sente-se muito em casa. Fala tanto, que cansa e deixo de prestar atenção. Mas já saiu na imprensa que as piadas que conta não primam pelo bom gosto. Um exemplo: "Como você chama uma loira de cabeça para baixo? Uma morena com mau hálito". Foi contada em um show.
No CD, as longas falas de Adele foram suprimidas. Ótimo. Presta-se mais atenção na parte musical. Aí, percebe-se que seus produtores exageraram um pouco na pompa. Poderia ter sido em um teatro menos pomposo que o Royal Albert Hall. Mas Adele é uma boa companhia no frio com sua voz cálida, rouca na medida exata, meio-moleca, mas sofrimentos e alegrias não têm idade, principalmente, quando percebemos que podemos cair em armadilhas que acreditávamos não mais existir quando chegássemos à idade madura. O frio potencializa a melancolia e várias músicas que Adele canta sem as falas presentes do DVD e do Blu-ray parecem mais tristes.
Adele em 2008, em Late Show, de Jools Holand.
Adele canta Someone Like You, no Royal Albert Hall.
Rolling in the Deep.

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