Recebi um e-mail de um amigo dizendo que uma das suas preferidas de “Day Breaks”, de Norah Jones, é “Fleurette Africaine”. Fiquei o tempo todo batendo na tecla de que o que ela faz não é jazz e acabei por deixar passar batido dois temas considerados jazz standards: a citada pelo Carlos G., de Duke Ellington, e Peace, de Horace Silver.
Quase todas, com exceção de “Don’t Be Denied”, que é de Neil Young, as restantes são de Norah, só, ou em parceria com Sarah Oda, e uma com Peter Remm. “Peace” foi composta em 1959 e faz parte de “Blowin’ the Blues Away”, lançado pelo mesmo selo Blue Note. Parece que a letra é do próprio pianista, cujo nome real é Horace Ward Martin Tavares Silver. O Conde dizia que o “Silver” era “Silva” e de que era filho de portugueses. Pelos dados biográficos, consta que o pai nasceu em Cabo Verde, antiga colônia portuguesa. O Conde quase acertou.
Ouça “Peace”.
“Fleurette Africaine” é de 1962. Saiu pela primeira vez em “Money Jungle”, em formação pouco comum na discografia de Duke Ellington. Neste álbum, ao piano, toca com Charles Mingus e Max Roach, duas feras. Parece que Duke a compôs pensando em Mingus.
Ela fecha o álbum e é instrumental, com a discreta e bela bateria de Brian Blade, o sax soprano de Wayne Shorter, contrabaixo de John Patitucci, e ela ao piano e nas vocalizações.
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terça-feira, 25 de abril de 2017
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Quase matam Horace Silver
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| Horace Silver |
Houvesse nascido em algum país de língua portuguesa seu nome seria Horácio Silva. O Carlos Conde adorava brincar com isso. Seu pai veio de Cabo Verde, antigamente, colônia portuguesa. Casou-se com uma descendente de negros e irlandeses. Horace Ward Martin Tavares Silva adotou como nome artístico Horace Silver. Poderia ter mantido o “Silva”, como seu colega, o baixista Alan Silva, filho de mãe açoriana.
Horace Silver e Art Blakey são considerados os criadores de um gênero, o hard bop. Uma geração que cresceu ouvindo rhythm and blues e a música gospel incorporou esses ritmos ao jazz. Era uma reação, de certo modo, ao cerebralismo do bebop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie. O estilo vibrante de Blakey casou perfeitamente com as composições e a forma mais percussiva e ritmica de Silver.
The Preacher, de Silver, lançada em 1955, é considerada o tema que “inaugura” o hard bop. Ouça.
Logo depois que surgiram notas anunciando o falecimento de Horace Silver na internet, um blogueiro entrou em contato com Gregory, filho dele. Disse que “tomando café e fazendo o desjejum nesse momento.” Que bom, pois os fins de ano são pródigos em matar pessoas.
Ouça outro clássico: Opus De Funk.
Pianista dos bons, mesmo tocando outros: ouça Silver em Prelude to a Kiss, de Duke Ellington, acompanhado por Curly Russell, Percy Heath e Art Blakey.
Veja Silver com Blue Mitchell e Junior Cook em sua composição Señor Blues.
Silver interpreta Song for My Father.
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