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terça-feira, 25 de abril de 2017

O que é jazz em “Day Breaks”, de Norah Jones

Recebi um e-mail de um amigo dizendo que uma das suas preferidas de “Day Breaks”, de Norah Jones, é “Fleurette Africaine”. Fiquei o tempo todo batendo na tecla de que o que ela faz não é jazz e acabei por deixar passar batido dois temas considerados jazz standards: a citada pelo Carlos G., de Duke Ellington, e Peace, de Horace Silver.

Quase todas, com exceção de “Don’t Be Denied”, que é de Neil Young, as restantes são de Norah, só, ou em parceria com Sarah Oda, e uma com Peter Remm. “Peace” foi composta em 1959 e faz parte de “Blowin’ the Blues Away”, lançado pelo mesmo selo Blue Note. Parece que a letra é do próprio pianista, cujo nome real é Horace Ward Martin Tavares Silver. O Conde dizia que o “Silver” era “Silva” e de que era filho de portugueses. Pelos dados biográficos, consta que o pai nasceu em Cabo Verde, antiga colônia portuguesa. O Conde quase acertou.

Ouça “Peace”.




“Fleurette Africaine” é de 1962. Saiu pela primeira vez em “Money Jungle”, em formação pouco comum na discografia de Duke Ellington. Neste álbum, ao piano, toca com Charles Mingus e Max Roach, duas feras. Parece que Duke a compôs pensando em Mingus.

Ela fecha o álbum e é instrumental, com a discreta e bela bateria de Brian Blade, o sax soprano de Wayne Shorter, contrabaixo de John Patitucci, e ela ao piano e nas vocalizações.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quase matam Horace Silver

Horace Silver
Uma semana depois da morte de Jim Hall, surgiu a notícia de que Horace Silver tinha falecido (hoje, 17/12). A notícia provou-se falsa. Sua gravadora oficial, a Blue Note, desmentiu. Está “vivinho da silva”. Aliás, seu nome verdadeiro é Silva. Mais velho dois anos que Jim Hall, é outro que, quando morrer, de fato, será manchete na imprensa especializada. Silver faz parte da história como um dos grandes pianistas da história do jazz, não só como instrumentista, mas como compositor. Muitos são virtuoses em seus instrumentos, mas não são numerosos os que possuem composições que se tornaram clássicos. Silver é autor de temas como The Preacher, Señor Blues, Opus De Funk, Doodlin’, Peace, e Sister Sadie.

Houvesse nascido em algum país de língua portuguesa seu nome seria Horácio Silva. O Carlos Conde adorava brincar com isso. Seu pai veio de Cabo Verde, antigamente, colônia portuguesa. Casou-se com uma descendente de negros e irlandeses. Horace Ward Martin Tavares Silva adotou como nome artístico Horace Silver. Poderia ter mantido o “Silva”, como seu colega, o baixista Alan Silva, filho de mãe açoriana.

Horace Silver e Art Blakey são considerados os criadores de um gênero, o hard bop. Uma geração que cresceu ouvindo rhythm and blues e a música gospel incorporou esses ritmos ao jazz. Era uma reação, de certo modo, ao cerebralismo do bebop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie. O estilo vibrante de Blakey casou perfeitamente com as composições e a forma mais percussiva e ritmica de Silver.

The Preacher, de Silver, lançada em 1955, é considerada o tema que “inaugura” o hard bop. Ouça.




Logo depois que surgiram notas anunciando o falecimento de Horace Silver na internet, um blogueiro entrou em contato com Gregory, filho dele. Disse que “tomando café e fazendo o desjejum nesse momento.” Que bom, pois os fins de ano são pródigos em matar pessoas.

Ouça outro clássico: Opus De Funk.



Pianista dos bons, mesmo tocando outros: ouça Silver em Prelude to a Kiss, de Duke Ellington, acompanhado por Curly Russell, Percy Heath e Art Blakey.



Veja Silver com Blue Mitchell e Junior Cook em sua composição Señor Blues.



Silver interpreta Song for My Father.