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| Capa do CD relançado |
Em razão da popularidade de Stacey e da constatação inconteste de que é uma das melhores cantoras da atualidade, The Lyric está sendo relançado com capa diferente. originalmente aparecia a imagem desfocada de Jim segurando um sax-tenor, Em letras pequenas tem um “featuring Stacey Kent”, portanto, deve-se considerá-lo um disco do marido. Na versão 2006/modelo 2011, o nome dela tem maior destaque e a imagem é a do casal em um instantâneo de felicidade. Faça-se justiça à senhora Tomlinson: participa de 70% das faixas com sua bela voz. No relançamento, agora pela major Blue Note Records, “consertaram” a ortografia de Manhã de Carnaval.
A ideia do comentário sobre o clássico de Bonfá surgiu por conta das várias grafias e títulos constantes nos discos: Carnaval, Orpheus, Orpheus’ Song, Canción de Orfeo, Carnival e Black Orpheus.
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| Stacey deveria ter usado um vestido como esse |
Uma quase cidadã brasileira. Casualmente, Jim está no Brasil com Stacey. Apresentaram-se na quarta, 4 de maio, na Sala São Paulo, parte da programação da Série TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) de Concertos Internacionais. Quase perco. Boa, a lembrança do amigo Armênio Guedes.
Kent e Jim tiveram como banda suporte o Trio Corrente, dos brasileiros Fabio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo elétrico e contrabaixo acústico), e Edu Ribeiro (bateria). Foram eles que abriram a apresentação com Mistura e Manda (Paulo Moura) e Amor Até o Fim (Gilberto Gil). Apresentado pelo pianista, Jim Tomlinson tocou Manhã de Carnaval. Simpático, disse algumas palavras em português – e não pareceu nenhum rock star proferindo palavras decoradas e mal pronunciadas –, e chamou Stacey ao palco.
Cabelos curtíssimos – desde sempre – um vestido preto básico que não compromete e realça a pele branca, começou com um suingado It Might As Well Be Spring. Comunica-se em português com a plateia e emenda um lindísimo Les eaux de mars, a versão de Georges Moustaki para o clássico jobiniano. Do mesmo CD (e de The Lyric), canta Jardin d’hiver, de Keren Ann e Benjamin Boulay – segundo a amiga Vania, que mora há 20 anos na França, o marido da atriz Chiara Mastroianni é uma versão repaginada de Serge Gainsbourg –, e Mi amor, de Claire Denamur.
As demais canções “francesas” são Samba Saravah (Samba da Bênção) e What Are You Doing the Rest of Your Life?, de Michel Legrand. Cabem esclarecimentos: O clássico “afrossambístico” de Baden Powell e Vinícius de Moraes ficou conhecidíssimo cantado por Pierre Barouh em Um Homem e Uma Mulher, filme de Claude Lelouch; Michel Legrand é um dos maiores compositores vivos nascidos na França. A letra em inglês é dos Bergman – Alan e Marilyn – versionistas/letristas de alguns clássicos estrangeiros, inclusive brasileiros, como o standard So Many Stars, de Sergio Mendes.
Dirigindo-se ao público em português, a empatia é total. Conta que ela e Jim se inscreveram em uma faculdade americana há três anos para aprenderem a língua. De lá para cá, aperfeiçoaram-se, e muito. Isso, porém, é apenas um detalhe que só abrilhantou uma apresentação impecável composta de um set list maravilhoso.
Alguns momentos foram emocionantes. A interpretação de I’ve Grown Accustomed to His Face, do musical My Fair Lady, e a música de Legrand foram ponto altos, junto de Corcovado, em que Kent empunhou o violão e teve uma bela introdução ao piano com Fabio Torres tocando Retrato em Branco e Preto.
É claro que haveria um bis. Praxe, não? Kent comenta sobre a admiração que tem de ver a plateia brasileira cantar junto dos artistas. Engrena um You’ve Got a Friend, de James Taylor. O público acompanha com palmas ritmadas e cantam o refrão. O último bis é dedicado a outro compositor que ama: Caetano Veloso. Nada como Desde Que o Samba é Samba para coroar um show maravilhoso.
Da próxima vez em que forem se apresentar no Brasil, Stacey e Jim estarão merecendo receber o título de cidadãos brasileiros. Que tal?
Kent e Jim tiveram como banda suporte o Trio Corrente, dos brasileiros Fabio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo elétrico e contrabaixo acústico), e Edu Ribeiro (bateria). Foram eles que abriram a apresentação com Mistura e Manda (Paulo Moura) e Amor Até o Fim (Gilberto Gil). Apresentado pelo pianista, Jim Tomlinson tocou Manhã de Carnaval. Simpático, disse algumas palavras em português – e não pareceu nenhum rock star proferindo palavras decoradas e mal pronunciadas –, e chamou Stacey ao palco.
Cabelos curtíssimos – desde sempre – um vestido preto básico que não compromete e realça a pele branca, começou com um suingado It Might As Well Be Spring. Comunica-se em português com a plateia e emenda um lindísimo Les eaux de mars, a versão de Georges Moustaki para o clássico jobiniano. Do mesmo CD (e de The Lyric), canta Jardin d’hiver, de Keren Ann e Benjamin Boulay – segundo a amiga Vania, que mora há 20 anos na França, o marido da atriz Chiara Mastroianni é uma versão repaginada de Serge Gainsbourg –, e Mi amor, de Claire Denamur.
As demais canções “francesas” são Samba Saravah (Samba da Bênção) e What Are You Doing the Rest of Your Life?, de Michel Legrand. Cabem esclarecimentos: O clássico “afrossambístico” de Baden Powell e Vinícius de Moraes ficou conhecidíssimo cantado por Pierre Barouh em Um Homem e Uma Mulher, filme de Claude Lelouch; Michel Legrand é um dos maiores compositores vivos nascidos na França. A letra em inglês é dos Bergman – Alan e Marilyn – versionistas/letristas de alguns clássicos estrangeiros, inclusive brasileiros, como o standard So Many Stars, de Sergio Mendes.
Dirigindo-se ao público em português, a empatia é total. Conta que ela e Jim se inscreveram em uma faculdade americana há três anos para aprenderem a língua. De lá para cá, aperfeiçoaram-se, e muito. Isso, porém, é apenas um detalhe que só abrilhantou uma apresentação impecável composta de um set list maravilhoso.
Alguns momentos foram emocionantes. A interpretação de I’ve Grown Accustomed to His Face, do musical My Fair Lady, e a música de Legrand foram ponto altos, junto de Corcovado, em que Kent empunhou o violão e teve uma bela introdução ao piano com Fabio Torres tocando Retrato em Branco e Preto.
É claro que haveria um bis. Praxe, não? Kent comenta sobre a admiração que tem de ver a plateia brasileira cantar junto dos artistas. Engrena um You’ve Got a Friend, de James Taylor. O público acompanha com palmas ritmadas e cantam o refrão. O último bis é dedicado a outro compositor que ama: Caetano Veloso. Nada como Desde Que o Samba é Samba para coroar um show maravilhoso.
Da próxima vez em que forem se apresentar no Brasil, Stacey e Jim estarão merecendo receber o título de cidadãos brasileiros. Que tal?
A instrumental Manhã de Carnaval e I’ve Grown Accustomed to His Face, cantada por Kent, estão no recém relançado (no Brasil, “lançado”) The Lyric.



