quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Led Zeppelin no órgão. Uma grande ideia
Leclare Stevenson, Teddy Presberg e Kyle Honeycut, de St. Louis, do Resistance Organ Trio, em 2012, resolveram, com o acréscimo de Adam Hucke no trompete e Ben Reece no saxofone, gravar um álbum com o repertório da banda inglesa. A princípio, o que poderia dar errado, o som do Led sem vocais, pelo contrário, deu muito certo.
The Resistance Organ Trio não deve ser muito conhecido além das fronteiras de St. Louis. Em uma olhada nos sites de busca, quase não existem informações. Quase inexplicável se se considerar a qualidade desse álbum. Não existe um site da banda e nem do organista. Algumas faixas são muito boas. Na minha opinião, os destaques são Immigrant Song, a que abre o álbum, Living Loving Maid, All of My Love, Babe e I’m Gonna Leave You.
Confira, que vale a pena. É possível fazer um download pago no site de Presberg, o guitarrista. Vai lá: http://music.teddypresberg.com/album/the-resistance-organ-trio-does-zeppelin
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Leonard Cohen e as mulheres
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| Janis, a feia. Leonard, o feio |
Por que é que sempre tem mulher no meio? Ou homem, sob o ponto de vista oposto? Mata-se e sofre-se por amor. É, entretanto, motivo para muitas coisas belas, inclusive canções, sejam elas por alegria ou dor e sofrimento. E, ironicamente, as mais sofridas são as mais belas. Rancores, dores de corno, abandono, rejeição são um belo caldo para a composição das chamadas “torch songs”.
Mas os motivos podem ser mais banais, como, por exemplo, um encontro fortuito. Leonard Cohen já era conhecido quando, por um tempo, morou no Chelsea Hotel. Prestes a completar um século de existência, tinha 3/4 de suas acomodações ocupadas por residentes e o restante por hóspedes temporários. O poeta, cantor e compositor adorava o lugar. “É um desses hotéis que têm de tudo o que eu tanto prezo… Adoro que, às quatro da madrugada, você pode trazer para o seu quarto um anão, um urso e quatro mulheres e ninguém dá a mínima.”
Um de seus hóspedes mais conhecidos foi Sid Vicious, do Sex Pistols, que matou sua namorada Nancy Spungen no banheiro da suíte número 100. Nem tudo, porém, foi tão trágico. Leonard, quando morava no hotel, em 1971, cruzou no elevador com Janis Joplin. Desse encontro resultou em sexo na cama do apartamento 104. Leonard não era exatamente o modelo de homem que Janis preferia cruzar. Sonhava sim com um belo espécime como o seu ídolo Kris Kristofferson e não um cara de quem se poderia falar qualquer coisa, mas lindo, não. Nas suas letras usualmente autobiográficas, canta: “Você me disse de novo que preferia homens bonitos/ Mas que para mim faria uma exceção”. Bom, muito devem conhecer essa música: Chelsea Hotel no. 2.
Ouça Chelsea Hotel no. 2.
Assista a um vídeo curioso com Leonard “contando” a história da música. Imperdível.
A mulher que inspirou uma das mais belas canções da história
No clube de jazz Le Vieux Moulin, em Montreal, uma garota a dançar chamou a atenção de Leonard Cohen. Chamava-se Suzanne Verdal, que lá estava com o namorado e futuro marido, o escultor Armand Villaincourt.
Tempos depois, Suzanne, separada de Armand, foi morar com a filha Julie em uma casa à beira do rio St. Lawrence. Leonard sentia atração por ela e passou a visitá-la com frequência. Eram encontros de “mentes, não de corpos”, apesar das segundas intenções de Cohen. Os versos “Suzanne te leva até um lugar perto do rio/ Você pode ouvir os barcos passando/ Você pode passar a noite ao seu lado/ E você sabe que ela é meio louca/ Mas é por isso que você quer ficar lá/ E ela lhe serve chá e laranjas/ Que faz todo um caminho a partir da China” é a exata descrição desses encontros. Cohen sugere que a atração não era mútua: “E você quer viajar sem rumo/ E você sabe que ela confiará em você/ Pois você tocou o corpo perfeito dela/ Com sua mente”.
Uma nota, que não é esclarecimento para 99% de seus fãs: antes de tornar-se compositor e cantor, Cohen já era poeta conhecido, com alguns livros publicados no Canadá. A cantora Judy Collins havia gostado do poema e sugeriu-lhe que o musicasse. Foi a canção que tornou-o conhecido e deu-lhe a oportunidade de assinar um contrato com a Columbia.
Depois desse período de encontros, distanciaram-se mas não perderam totalmente o contato. O sucesso transformou a vida do canadense e Suzanne nunca deixou de ser a garota “que vivia à beira do rio, que lhe oferecia chá e tangerinas, que vestia trapos e plumas dos bazares do Exército da Salvação. Ela o levava para passeios ao longo do rio, e eles passavam pela Capela de Notre-Dame-de-Bon-Secours, com sua imagem de Jesus como marinheiro.” (as aspas são porque é reprodução de um trecho de Músicas & Musas - A verdadeira história por trás de 50 clássicos pop).
Suzanne Verdal ficou lisonjeada com o poema, mas queixa-se: “… fui retratada, eu acho, de maneira melancólica, em certo sentido, e isso é lamentável. Sabe, eu não acho que era tão triste assim – ou talvez eu fosse e ele percebesse e eu não.” É possível que Suzanne não seja triste mesmo. Cohen declarou-se mais de uma vez depressivo. Sua Suzanne passa por esse filtro e torna-se poesia.
Ouça Suzanne.
Veja Cohen com Judy Collins, que foi quem o lançou ao mundo da música.
Uma nota final: as informações sobre as canções foram retiradas do livro Músicas & Musas
– A verdadeira história por trás de 50 clássicos pop, de Michael Healey, Frank Hopkinson (Gutenberg Editora, 2011).

