sexta-feira, 16 de julho de 2010

O pulo suave do Aztec Camera

Algumas bandas, na verdade, são “uma só pessoa”. Um exemplo atual é de Antony & The Johnsons. Ninguém sabe quem são os Johnsons. Nos anos 1980, duas bandas inglesas de primeira eram também de uma só pessoa: Durutti Column, do genial guitarrista e compositor Vinny Reilly, e o Aztec Camera, de Roddy Frame. Acho que quase ninguém sabe quem é Dave Mulholand (tocava bateria com Roddy). O percussionista e baterista Bruce Mitchell, tão importante na concepção sonora da banda, era o “segundo” Durutti, quase invisível.

No segundo álbum lançado, ainda na época dos lps – Knife –, puseram uma faixa bônus que não foi inserida em sua versão CD. A música era Jump, conhecidíssima composição da banda hard rock Van Halen. Transformou-a de tal modo que fez dela outra música. Aquele vocal rascante e irritante (para alguns, of course) de David Lee Roth é substituída pelo registro claro, relaxado e apolíneo (para contrapor-se ao cantor do Van Halen) de Frame. Essa versão é bem conhecida, mas não custa relembrar. Está postado um vídeo com uma animação (divertida para alguns) de Jump. Assistam:


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Algo de especial em Regina Spektor, ou o vício por Spektor

Ficar ouvindo por dois dias o mesmo cantor é alguma sinalização de transtorno psíquico? Numa entrevista muito antiga, o diretor de Todas as Mulheres do Mundo, Domingos de Oliveira, afirmara – acho, ou assim ficou na memória – que, quando ficava ouvindo a mesma música por muitos dias, era sinal de que estava deprimido.

Ora, pois, ouço Regina Spektor seguidamente por dois dias alternando com autores de gêneros díspares ao seu. Ela lembra um pouco Tori Amos, Jewel e Fiona Apple. A preferência deve ser por razões… misóginas? – diriam algumas amigas “crí(cri)ticas”. São mulheres, fogem daquele padrão “beleza perfeita”, possuem vozes pequenas e doces (não são “etta james” e congêneres) e transmitem alguma fragilidade com suas canções “sensíveis”.

Procurando por alguns dados na Wikipedia, descubro que Spektor nasceu em Moscou. Em cirílico, escreve-se Регина Спектор. Ah, então era em russo mesmo a estrofe de Après moi e a citação é do poeta e romancista Boris Pasternak. Tem algo de especial em Regina e não sei se consigo explicar esse “grude” que faz com que sinta falta de sua voz de inflexões tão charmosas. Afinal, nasceu em um país que não existe mais, é judia, e tem formação e gosto suficientes para citar – além de seu conterrâneo – Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Virginia Woolf. Perto de algumas características ou episódios traumáticos das cantoras citadas no parágrafo anterior, as de Spektor podem nem parecer tão “especiais”: Tori foi violentada ao dar carona a um cliente do bar onde cantava, Jewel passou parte da infância e adolescência no Alaska e é disléxica, e Apple foi estuprada quando tinha 12 anos e sofreu de anorexia nervosa.

Spektor lançou dois discos. Depois de Begin to Hope foi a vez de Far em 2008. É uma intérprete diferenciada e merece ser ouvida. Para quem quiser vê-la ao vivo, ela se apresentará em outubro no SWU Festival 2010, que acontecerá em Itu, São Paulo.

Fidelity, do CD Begin to Hope:



Ouçam Eet.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O “Après moi” original de Regina Spektor

A brincadeira subjacente no post sobre Sinead O’Connor era quanto ao título da música de Prince – Nothing Compares to U. Muitos detestam comparações pois, automaticamente, está se considerando que há um melhor e outro pior. No vídeo anexado Regina Spektor canta Après moi, de sua autoria. Engraçado, o título é em francês, é cantada em inglês, mas tem uma estrofe… em uma língua estranha. Russo? (alguém falou de Pasternak) Não sei.

A estrofe:
Fevrale dostat chernil i plakat,
Pisat O Fevrale navsnryd,
Poka grohochushaya slyakot
Vesnoyu charnoyu gorit.