Ficar ouvindo por dois dias o mesmo cantor é alguma sinalização de transtorno psíquico? Numa entrevista muito antiga, o diretor de Todas as Mulheres do Mundo, Domingos de Oliveira, afirmara – acho, ou assim ficou na memória – que, quando ficava ouvindo a mesma música por muitos dias, era sinal de que estava deprimido.
Ora, pois, ouço Regina Spektor seguidamente por dois dias alternando com autores de gêneros díspares ao seu. Ela lembra um pouco Tori Amos, Jewel e Fiona Apple. A preferência deve ser por razões… misóginas? – diriam algumas amigas “crí(cri)ticas”. São mulheres, fogem daquele padrão “beleza perfeita”, possuem vozes pequenas e doces (não são “etta james” e congêneres) e transmitem alguma fragilidade com suas canções “sensíveis”.
Procurando por alguns dados na Wikipedia, descubro que Spektor nasceu em Moscou. Em cirílico, escreve-se Регина Спектор. Ah, então era em russo mesmo a estrofe de Après moi e a citação é do poeta e romancista Boris Pasternak. Tem algo de especial em Regina e não sei se consigo explicar esse “grude” que faz com que sinta falta de sua voz de inflexões tão charmosas. Afinal, nasceu em um país que não existe mais, é judia, e tem formação e gosto suficientes para citar – além de seu conterrâneo – Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Virginia Woolf. Perto de algumas características ou episódios traumáticos das cantoras citadas no parágrafo anterior, as de Spektor podem nem parecer tão “especiais”: Tori foi violentada ao dar carona a um cliente do bar onde cantava, Jewel passou parte da infância e adolescência no Alaska e é disléxica, e Apple foi estuprada quando tinha 12 anos e sofreu de anorexia nervosa.
Spektor lançou dois discos. Depois de Begin to Hope foi a vez de Far em 2008. É uma intérprete diferenciada e merece ser ouvida. Para quem quiser vê-la ao vivo, ela se apresentará em outubro no SWU Festival 2010, que acontecerá em Itu, São Paulo.
Fidelity, do CD Begin to Hope:
Ouçam Eet.

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