sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O novo CD do National

Boxer, o penúltimo CD do National não foi lançado no Brasil (ouça Fake Empire em http://guenyokoyama.blogspot.com/2010/06/barack-obama-e-o-rock.html). Não sei se High Violet, recém-lançado sairá aqui. É uma pena, pois o National é uma das grandes bandas surgidas na década passada. Uma pequena amostra em áudio. Afraid of Everyone:

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dois tempos de Leonard Cohen

Num período relativamente pequeno de tempo foram lançados Live in London e Live at The Isle of Wight 1970. Os dois álbuns de Leonard Cohen saíram em versão CD e DVD. É um hiato de quase 38 anos. Quais são as diferenças e semelhanças entre essas duas apresentações ao vivo?

Dentre as semelhanças, consideremos algumas músicas que estão presentes nos dois shows. São os seus velhos clássicos. Mas nesses quase 40 anos, compôs outras que tiveram o mesmo destino: tornaram-se clássicos. Que o digam por si Dance Me to the End of Love (1984), The Future (1992), Everybody Knows (1998), Who by Fire (1974), Tower of Song (1988), Hallelujah (1984), Take This Waltz (1988) e First We Take Manhattan (1988).

O lema “música, paz e amor” de Woodstock não serve para o festival que aconteceria na Ilha de Wight, na Grã-Bretanha e, muito menos para a exibição dos Rolling Stones, em Altamont, onde membros dos Hell Angels foram contratados para fazer a segurança e, em vez disso, foram protagonistas do assassinato de um espectador que puxou um revólver próximo ao palco. A violência ou sua explosão estava no ar. Apesar do clima “estranho”, no festival britânico aconteceram apresentações memoráveis, e muitas delas foram registradas e lançadas em DVD ou em filme. De barba por fazer e cabelos longos e despenteados e com cara de sono, subiu ao palco às 4 da madrugada. Não há nenhuma canção “para cima”. Esta era e, de certo modo, continua, a tônica delas: são “tristes”. Isso não significa que Cohen seja uma cara triste, decerto.

Quase quarenta anos depois, no espetáculo de Londres, a constatação é a de que continuam melancólicas. É a sua marca, digamos. O que mudou foi a voz. Tornou-se bem grave e um pouco “suja”. Ao mesmo tempo, passa a impressão de que, contraditoriamente, está mais “feliz”. A perda de “gravidade” implica em menor dramaticidade, apesar de sua voz ter-se tornado mais “cavernosa” que antes. Mesmo assim, vale, e o show é impecável – um pouco frio, reconheçamos –, com todos os membros da banda muito bem-vestidos, com cada um deles usando um modelo diferente de chapéu, com exceção das “senhoras” do backing vocals. O destaque é o violonista Javier Mas, que imprime tons ibéricos em brilhantes e econômicos solos. Os pontos altos desse show são Who by Fire com belíssima intervenção de Javier no violão de doze cordas, Hey, That’s No Way to Say Goodbye e a eterna Suzanne. As outras, mais recentes, são Dance Me to the End of the WorldHallelujah, Take This Waltz.

Cohen tem sido gravado por outros com resultados muito bons. Esses covers significam um outro olhar sobre composições que parecem indissociáveis ao canadense. Vale a pena ouvir Madeleine Peyroux cantando Dance Me to the End of World, Blue Alert e Half the Perfect World, essas duas últimas, mais recentes, de Cohen em parceria com Anjani Thomas, uma de suas backing vocals. Outra que merece ser ouvida (irei disponibilizar para audição num outro post nesta semana mesmo) é Patricia O’Callaghan, que em Real Emotional Girl, gravou Hallelujah e Take This Waltz.

Fez-se também um songbook de Leonard com covers excepcionais. As que se destacam são Who by Fire, com The House of Love, Tower of Song, com Nick Cave, First We Take Manhattan, como R.E.M., e Hey That’s No Way to Say Goodbye, Ian McCulloch, do Echo & The Bunnymen. O nome do CD, se alguém se interessar, é I’m Your Fan – The Songs of Leonard Cohen by… (1991)

Vejam e ouçam:

Hallelujah, 1970, Ilha de Wight.



Who by Fire, com participação especialíssima do saxofonista Sonny Rollins: