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| A Nana da época dos festivais, aqui com Gil |
Sofridos mesmo são os versos de Canção em Tom Menor: “Porque cada manhã me traz/ O mesmo sol sem resplendor/ E o dia é só um dia a mais/ E a noite é sempre a mesma dor/ Porque o céu perdeu a cor/ E agora em cinzas se desfaz/ Porque eu já não posso mais/ Sofrer a mágoa que sofri/ Porque tudo que eu quero é paz/ E a paz só pode vir de ti/ Porque meu sonho se perdeu/ E eu sempre fui um sonhador/ Porque perdidos são meus ais/ E foste para nunca mais/ Oh, meu amor/ Porque minha canção morreu/ No apelo mais desolador/ Porque a solidão sou eu/ Ah, volta aos braços meus, amor.”
É de cortar os pulsos. Se Por Toda a Minha Vida é a jura do amor eterno, nessa é a dor da perda e a súplica pela volta do amado. Quem seria a(o) intérprete ideal para uma música tão dilacerante? Nana Caymmi? Para muita gente seria o primeiro nome lembrado.
Dinair de nome original, Nana é de uma família musical: o pai Dorival, e a mãe Stella Maris. Fora isso, tem dois irmãos, músicos excepcionais. Foi “apresentada” a um público maior na época dos festivais de música, tão populares a partir do meio da década de 1960, mas já tinha participado de Tom Canta Caymmi, em 1964, e tinha gravado o solo Nana, ambos pela gravadora Elenco. (leia mais sobre Nana em http://bit.ly/p90k1D)
Depois de um “sumiço” por conta do casamento e nascimento do filho, separada, voltou à ativa gravando discos pela gravadora CID, já em meados da década seguinte. São todos excepcionais, contando com participações especialíssimas como as do irmão Dori nos arranjos, Milton Nascimento e Tom Jobim. São músicas, no geral, densas. É uma pena que tais discos estejam fora de catálogo ou que suas músicas estejam espalhadas em coletâneas. Quando passou a gravar pela EMI, Nana não deixou de ser densa, mas ficou menos. Lançados ainda na época dos LPs, as embalagens da CID passavam uma imagem de baixa qualidade. O que estava contido, no entanto, nessas pobres capas mal plastificadas eram diamantes brutos “dramaticamente” lapidados. Nana gravou e revelou canções – algumas pouco conhecidas – como Branca Dias (Edu Lobo e Cacaso), Tens Calmaria e Mãos de Afeto (Ivan Lins), Sacramento e Boca a Boca (Milton Nascimento), e Se Queres Saber (Peterpan) em leituras, na falta de melhor palavra, viscerais. Mesmo canções mais conhecidas, como a citada Sacramento, ganham um tom autoral. É dessa época a gravação de Canção em Tom Menor. Ela canta acompanhada por ninguém menos que Antônio Carlos Jobim. É impressionante o grau de dramaticidade que Tom imprime ao piano com tão poucas notas. Confira.
Canção em Modo Menor, executada e cantada por Antônio Carlos Jobim.

