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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

De como Samba em Prelúdio foi composta


 

Conta Ruy Castro, em “Chega de Saudade” (Companhia das Letras, 1991), que, segundo a lenda, Vinícius de Moraes foi à boate Arpège para prestigiar Tom Jobim, que defendia uns trocados, tocando piano, e lá viu Baden Powell executando “My Funny Valemtine” e “Estúpido Cúpido” na guitarra elétrica. Depois do show, o poetinha o procurou e propôs uma parceria musical.

Lenda mesmo. Tom Jobim, em 1962, já era suficientemente famoso e não precisava tocar em boates para se sustentar. E Baden, não era tão desconhecido. A real é a que Vinícius conheceu Baden por meio de Nilo Queiroz, aluno de violão deste último. Depois de ouvi-lo uma noite inteira na casa do amigo, surgia um novo parceiro. Baden  foi parar no apartamento do ex-diplomata e lá ficou por quase noventa dias, compondo e bebendo. Resultou em 25 canções, muitas delas, hoje, clássicos.

De parte delas, resultou o genial álbum “Afro-Sambas”. A parceria foi regada a whisky Haig, que Vinícius tinha trazido na mala diplomática. A partir de um disco de folclore baiano, dado pelo amigo Carlos Coqueijo, e Baden sem nunca ter ido à Bahia, compuseram clássicos como os Cantos de Ossanha, de Xangô e de Iemenjá. 

Depois dos quase noventa dias de isolamento, internaram-se na Clínica São Vicente para se desintoxicarem.

No programa “Ensaio”, dirigido por Fernando Faro, Baden conta que ele e Vinícius passavam noites em claro, enchendo a cara e compondo. Uma delas deixou o poeta  injuriado. Disse que não ia colocar letra em um tema plagiado. O violonista alegou que não. “Isso é do Chopin”, dizia, depois de hectolitros de Haig na cabeça. Madrugada, quase amanhecendo, resolveu acordar a mulher, que conhecia bem sua obra do polonês. 

A mulher confirmou que não era. Vinícius resolveu então colocar a letra. Assim nasceu o clássico “Samba em Prelúdio”.

A melhor interpretação, na minha opinião, é a de Odete Lara, no álbum “Vinícius & Odete” (Elenco, 1963).

 
 
 
Veja Elizete Cardoso cantando “Samba em Prelúdio”, com Baden Powell.
 
 
 
 
Veja também a talentosa Andrea Motis cantando esse clássico.
 

 



quinta-feira, 16 de maio de 2019

A subestimada e genial Doris Day


Quando Doris Day estrelou “Confidências à Meia Noite”, “Volta Meu Amor” e “Carícias de Luxo”, tinha cerca de 40 anos. Assi mesmo, ficou com o estigma de “virgem oficial do cinema”, ou a “namorada da América”. Esses e outros filmes, na maioria, estrelados por ela e o o galã Rock Hudson, que acabou morrendo de AIDS, na década de 1980, comédias leves em que sempre resistia aos ataques masculinos, marcaram a sua biografia. Lembram-se menos de que estrelou “Ama-me ou Esquece-me”, em que faz o papel de uma cantora, com um amante violento (James Cagney), que a surrava e a violentava, ou, “O Homem Que Sabia Demais”, de Alfred Hitchcock, com James Stewart, em que têm o filho sequestrado em uma trama de espionagem, ou “A Teia de Renda Negra”, em que tem uma vida de terror com o marido (Rex Harrison).

Antes de tornar-se a “virgem oficial do cinema”, perdeu a virgindade antes de completar 17, com um músico chamado Al Jordan, da banda de Les Brown. A vida de Day não foi um mar de rosas, ao contrário do que sugeriria seus filmes “cor de rosa”.

De cantora à atriz
Antes de tornar-se atriz, seu início foi como cantora. De múltiplos talentos – dançava muito bem, apesar do acidente que resultou em múltiplas fraturas na perna –, Deus lhe deu uma beleza radiante e doce. Aprendeu a dançar porque adorava Fred Astaire e Ginger Rogers. Resolveu ter aulas de canto com uma professora porque adorava ouvir “A Tisket-a-tasket” e “Mr. Paganini”, com Ella Fitzgerald.

Passou a cantar em uma rádio local. Bob Crosby, irmão de Bing Crosby, depois de ouví-la, levou-a para Chicago. nem tinha 17 quando entrou na orquestra de Les Brown. Foi bom para os dois. Revelava-se o talento como cantora, e a big band de Brown ficou mais conhecida ainda.

Doris acreditava no amor. Conheceu o trombonista Al Jordan, na orquestra de Brown. Logo ficou grávida. Era um psicopata. Foi um suplício. Vítima de surras homéricas, conseguiu divorciar-se. Al não viveu muito. Não se sabe se, intencionalmente ou não, morreu, despencando de uma ribanceira com o carro.

Depois de mais esse percalço, voltou à orquestra de Les Brown e explodiu cantando “Sentimental Journey”. Vendeu mais de um milhão de cópias.Mas Doris se apaixonava facilmente. Casou com outro músico, George Weidler, e deixou a big band de Brown novamente.

Em 1948, os compositores Jule Styne e Sammy Cahn a levaram para um teste na Warner.Foi contratada para atuar em um filme de Michael Curtiz. Doris brilhou cantando “It’s Magic”. Virou clássico; não o filme — “Romance em Alto Mar” —, a música. A partir daí, seu nome passou a brilhar nos letreiros dos cinemas.


A Warner não tinha a bala da MGM e da Fox. Não tinha dinheiro para produzir aqueles musicais luxuosos de suas concorrentes. Assim mesmo, Day brilhou. Livre, em 1955, do contrato, estrelou, com James Cagney, “Ama-me ou Esquece-me”, pela MGM. Sua interpretação de “Ten Cents a Dance” é considerada um clássico. E nunca esteve tão sensual como nesse filme.

Seu talento como cantora não pode ser muito aproveitado, pois a era dos musicais estava em declínio. Pena. Mesmo assim, era uma estrela de Hollywood. Ganhou muito dinheiro. O problema é que Doris tinha, como se diz por aí, a “mão podre” para escolher seus homens. Casou-se com Mary Melcher, um agente de atores que fazia “qualquer milhão virar um tostão”. Quando percebeu, estava falida.

Agora, 13 de maio, Doris morreu. Tinha 97 anos. Teve vida longa. Afastada das telas, criou a The Doris Day Animal Foundation e era dona de um hotel butique famoso em Carmel, California. Foi nessa cidade que veio a falecer.

Uma das melhores cantoras de jazz de todos os tempos
Em “Saudades do Século 20” (Companhia das Letras, 1994), livro no qual me baseio para escrever esse texto, Ruy Castro faz um perfil de doze nomes. Das três do sexo feminino, uma delas é Doris Day. Escreve que ela é “a mais subestimada das cantoras americanas”. “Ela era absoluta nos tempos médios e rápidos. […] para ser uma cantora de jazz, não é obrigatório fazer gargarejos com tabasco (como Dinah Washington), emitir sons parecidos com um corrupaco (como Nina Simone) ou escangalhar com as letras e melodias fazendo scats à menor provocação (Billie Holiday nunca fez um scat na vida e foi a maior de todas). A única prova dos nove é o swing. E Doris Day nasceu com esse, e de sobra.”

Ruy Castro ainda cita o grande crítico de jazz Will Friedwald, que a elege como um dos cinco maiores cantores americanos. Os outros: Louis Armstrong, Bing Crosby, Billie Holiday e Frank Sinatra.

Veja a cena em que canta “Love Me or Leave Me”.




Canta “Ten Cents a Dance”, de Richars Rodgers e Lorenz Hart.




Canta “It’s Magic”



Obs: sou fã de carteirinha. Tenho dois box set dela, lançados por uma gravadora alemã Bear Family Recors, comprados em Nova York. A primeira, “It’s Magic”, compreende o período de 1947-1950, a segunda “Que Será”, 1956-1959. Não tenho as outras porque não as achei.




quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Elis Regina e Frank Sinatra

Ronaldo Bôscoli e Elis Regina: um casal feliz?
Preferências, na adolescência, tendem à polarização. Gostar de Caetano Veloso significava que não morria de amores por Chico Buarque. Como gostava de Gal Costa, outras cantoras pouco significavam para mim. O tempo provocou uma mudança e uma capacidade de ser menos radical e sectário. Posso ter todos os álbuns dos meus preferidos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento, mas tenho cerca de dez de Chico. De Elis tenho poucos, mas um deles está entre os meus dez mais de música brasileira: “Elis & Tom”.

Assistir à minissérie – não vi o filme quando exibido nos cinemas – “Elis – Viver é Melhor que Sonhar” seria uma boa chance de reavaliação. Foi uma tremenda cantora, devo considerar. Continuo preferindo a Gal Costa dos primeiros anos. Questão de gosto. Agora, a atriz Andréia Horta subiu no meu conceito. Magnífica Elis. Nem dá para pensar alguém mais adequada para o papel.

Nesses filmes biográficos ficamos a ver o quão próximos são do real. Não li “Furacão Elis”, escrito pela jornalista Regina Echeverria. Muito do que eu sei da carreira de Elis é por meio de “Chega de Saudade” (Companhia das Letras, 1990) e do que li sobre ela em jornais e revistas. Acredito que os roteiristas usaram muito do que foi escrito no livro de Ruy Castro.

Uma é a de quando ela vai ao Rio de Janeiro fazer um teste para a peça “Pobre Menina Rica” e ouve palavras não muito lisonjeiras de Antônio Carlos Jobim. Pelo que consta no livro, Jobim teria afirmado: “Essa gaúcha é muito caipira. Ainda está cheirando a churrasco.” No filme não são essas palavras, mas percebe-se que a fonte pode ter sido o texto de Ruy Castro. O que ela soube, por Carlos Lyra, autor da canção, com Vinícius de Moraes, é que Jobim não a achara adequada para o papel. Mas ficou a bronca. Demorou para gravar alguma composição do autor de “Chega de Saudade”.

Elis não ficou inimiga de Tom, mas de Ronaldo Bôscoli, sim. Desde quando se conheceram, no Rio de Janeiro, a antipatia foi mútua.

O início
Em 26 de outubro de 1964, no show “O Remédio é Bossa”, no teatro Paramount, em que se reuniam Marcos Valle, Antônio Carlos Jobim, Alaíde Costa, Sylvia Telles, Carlos Lyra, Os Cariocas, Vera Brasil, Walter Santos, Vinícius de Moraes, Oscar Castro Neves, Paulinho Nogueira, Pedrinho Mattar, Zimbo Trio, Roberto Menescal e Quarteto em Cy, a participação por 30 segundos de Elis Regina, cantando um trecho de “Terra de Ninguém”, hipnotizou o público. Segundo Ruy Castro, “nascia uma estrela – grande demais para caber nos palcos para pulgas do Bottle’s e do Little Club.”

Pouco antes, com o furo da promessa feita pelo produtor Armando Pittiglani, ao vê-la cantar em Porto Alegre, de lançá-la no mercado fonográfico, obrigou-a a sair atrás de algum lugar que pudesse cantar e ganhar um dinheiro e não ter de voltar de mãos abanando à sua terra natal. Foi assim que conheceu Bôscoli, que em dupla com Luis Carlos Miele, produzia shows para as melhores boates do Rio de Janeiro.

Em pouco tempo, Elis ganharia um programa na TV Record, com Jair Rodrigues e o Jongo Trio. “O Fino da Bossa” foi um tremendo sucesso, mas começou a perder audiência. Enquanto isso, o programa dominical “Jovem Guarda”, com Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderléa, explodia.

A direção da TV Record resolveu contratar a dupla Miéle-Bôscoli para salvar “O Fino da Bossa” do naufrágio. Elis odiava Ronaldo desde o dia em que se conheceram. E agora, iam trabalhar juntos.

O improvável aconteceu, no entanto. Pouco tempo depois de passarem a trabalhar juntos na Record, estavam casados. Carlinhos de Oliveira, o folclórico cronista do Jornal do Brasil, ao anunciar o casamento, escreveu: “Elis Regina terá para sempre o consolo de saber que a guerra do Vietnã é muito pior.”

Aqui, entra Frank Sinatra na história. Bôscoli dizia: “Gosto mais de Frank Sinatra do que de mulher.” E olhe quem dizia! O produtor e letrista era o que se chamava antigamente, um tremendo “rabo de saia”. Namorou Maysa e Nara Leão, para citar apenas as cantoras. Tremendo mulherengo, sentiu na carne as consequências de sua cafajestice. Depois de uma briga, ao voltar para o apartamento, viu toda a sua coleção de LPs e raríssimos discos de 10 polegadas de Frank Sinatra atirada “como discos voadores, no Oceano Atlântico. Alguns dos discos não haviam chegado ao mar e podiam ser vistos, como peixes mortos, na pista da av. Niemeyer”, escreveu Ruy Castro, em “Chega de Saudade”.

O casamento não durou muito tempo.

Ouça a música-título de Only the Lonely”, de Jimmy van Heusen e Sammy Cahn. É um dos grandes álbuns de Sinatra, de sua fase na Capitol Records. Nessa época, Frank encontrava-se no auge da dor pelo fim do casamento com Ava Garner.




Anos depois de ter sido chamada caipira por Tom, passou a raiva. Gravaram, em 1974, o antológico “Elis & Tom”. 

 Ouça o disco na íntegra.




Nota final
No filme, Elis joga uns poucos LPs. Foi por conta dessa cena que resolvi escrever esse texto. Tudo o que foi citado está em “Chega de Saudade”, de Ruy Castro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nada além de Orlando Silva

Os três maiores cantores do Brasil: Silvio Caldas, Francisco Alves e Orlando Silva 

(esq p/dir). O de óculos é Gilberto Andrade, diretor da Rádio Nacional (1940)
Depois de dias a ouvir Billie Holiday, peguei a caixa com três CDs de Orlando Silva, com as gravações da RCA Victor, lançada em 1995. Ato falho? Em suas vidas há várias coincidências.

No perfil biográfico, de autoria de Ruy Castro, é dito que “de 1935 a 1942, Orlando Silva foi o mais perfeito cantor popular do Brasil. E um dos mais perfeitos do mundo. ”

“Não há um pingo de ufanismo nessa afirmação. É só comparar os seus discos dessa fase com os da concorrência internacional do período: Bing Crosby nos Estados Unidos, Al Bowlly na Inglaterra, Charles Trenet na França – cantores que deram nuance e elegância à música popular e silenciaram aqueles tenores e barítonos de opereta que a infestavam. Cada qual em seu país, eles criaram um estilo suave e natural de cantar, influenciaram uma multidão de outros cantores, compositores, letristas e orquestradores e, em poucos anos, alteraram todo o rumo da música popular. Para muito melhor.”

A vida, para Orlando Silva, não foi aquela maravilha. Como para Billie Holiday. Filho de família de modestas posses, perdeu o pai com três anos. A mãe, lavadeira, teve de se virar para criar três filhos. Pois Orlando fez apenas o primeiro ano primário (era assim que se designava) e mal sabendo escrever caiu cedo na vida, fazendo de tudo. Foi entregador de marmita, aprendiz de sapateiro, estafeta da Western. Trabalhando para a Casa Reunier, Orlando, ao tentar pegar o bonde em movimento, “calculou mal o salto, caiu no estribo e sua perna esquerda ficou dentro do trilho”. Consequência: teve quatro dedos dos pés amputados. Nessa temporada hospitalar, os médicos aplicavam-lhe morfina para aplacar as dores.

Tinha 16 anos quando isso aconteceu. Pouco depois do acidente, a vida mostrou-lhe a face boa. Depois de longa recuperação, foi trabalhar de trocador de ônibus (é o que, hoje, chamam de “cobrador”). Vivia a cantar. Nos tempos em que teve de ficar parado, passava os dias a ouvir rádio. O Edmundo, percebendo seu talento, resolveu levá-lo à rádio. Era feio, um rapazote de pele morena, cabelos ruins, como se dizia antigamente, e manco. No pé ruim vestia uma alpercata. Não deu certo na primeira tentativa. Perseverou. Um dia, em um corredor da rádio Cajuti, Bororó ouviu uma voz. Era Orlando. O compositor o levou ao Café Nice, no Rio de Janeiro, e foi apresentado ao melhor cantor da época, Francisco Alves. Generoso, Chico Viola lhe deu a maior força. Mal sabia que, em pouco tempo, lhe roubaria o título de “o maior cantor do Brasil”.

Ídolo das multidões, o período em que ficou contratado pela RCA Victor constitui o seu apogeu como intérprete. O Orlando que muitos conheceram era o cantor de voz grave, rouca. A extensão da voz do grande Orlando ia do mais grave ao mais agudo em suaves passagens. Ruy Castro, quando relata sobre sua súbita decadência diz que “na primeira metade dos anos 1940, algo aconteceu a Orlando que afetou cruelmente a sua voz. O tenor cristalino, capaz de viajar dos graves aos agudos com facilidade; o timbre de maciez e beleza imbatíveis; a naturalidade de seus pianíssimos; a delicadeza quase feminina da entonação; o fôlego para entrelaçar frases e frases, como se as palavras respirassem por ele – tudo isso cedeu lugar, quase de repente, a um tom roufenho, cansado e sem cor, que os seus perplexos adoradores custavam a reconhecer como Orlando.”

A fase de ouro de Billie Holiday, para a maioria de seus admiradores, é a dos anos dos discos lançados pela Columbia e a Decca. Quando foi contratada pelo selo Verve, tinha passado por clínicas de reabilitação e por delegacias, naturalmente. Além do consumo de bebidas alcoólicas, o de drogas foi ficando mais pesado. Quando gravou pela Verve, a voz de Billie tinha perdido o frescor dos tempos da Columbia. Esses anos vão de 1933 a 1942. Os anos RCA de Silva vão de 1935 a 1942. Coincidências. Outra: tiveram problemas com drogas pesadas. A de Holiday foi a heroína e a de Silva, a morfina.

O vício dele é posterior à internação. Apesar de alguns dizerem que seu vício foi consequência do acidente, Ruy Castro discorda. Em primeiro lugar, era caro para o ainda pobretão Orlando e, outra coisa, era uma droga restrita a hospitais. A tal morfina vendida pelos comerciantes “informais”, naquele tempo, era destilada de quantidades cavalares de elixir paregórico posto horas em fervura (a informação é de Ruy Castro).

A importância da obra de Orlando Silva está na belíssima voz e também pelos músicos que o acompanharam nas gravações da RCA. Um dos arranjadores foi Pixinguinha, o outro, Radamés Gnatalli. No perfil está escrito que, segundo Jonas Vieira, autor do livro O Cantor das Multidões, “foi Radamés Gnatalli, em 1937, o introdutor do uso de cordas no acompanhamento dos tempos médios e lentos, com seu arranjo para Orlando em Lábios Que Beijei. Pois o americano Alex Stordhal, que ficaria mundialmente famoso pelo mesmo motivo, só começaria a fazer isso em 1941, acompanhando Frank Sinatra.” Nada mal, heim?

Para a nossa sorte, o grande Orlando está registrado no box O Cantor das Multidões. Gravações Originais • 1935–1942.

Disponibilizo algumas interpretações em que se percebe a qualidade de “seus agudos e sustentações” e, é claro, a música Nada Além.

Lábios Que Beijei (J. Cascata - Leonel Azevedo). Gravada em 15 de março de 1937, a orquestra é dirigida por Radamés Gnattali.



Lágrimas de Rosa (Dante Santoro - Kid Pepe). Gravada em 9 de julho de 1937, Radamés Gnattali dirige a Orquestra Victor Brasileira.



Caprichos do Destino (Pedro Caetano – Claudionor Cruz). Gravada em 30 de julho de 1937, Radamés Gnattali dirige a Orquestra Victor Brasileira.



Por Quanto Tempo Ainda (Joubert de Carvalho). Gravação: 24/2/1939.



Mágoas de Caboclo (Leonel Azevedo - J. Cascata). Gravação: 21/5/1936, com o Conjunto Regional RCA Victor.



Nada Além (Custódio Mesquita - Mário Lago). Gravação: 11/5/38, com Orquestra RCA Victor, dirigida por Radamés Gnattali.



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