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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Hampton Hawes, antes e depois da cadeia

Hawes na capa de “The Sermon”
O amigo Zeca Leal gostava de dizer que nos anos 1950/60 a melhor banda americana de jazz era a do presídio de San Quentin. Era um tremendo piadista e foi quem mais comprou discos de Frank Sinatra no Brasil (sobre isso, leia o Caso 1 do post “Frank faz 100 anos”).

Hampton Hawes nasceu em Los Angeles, em 1928, para manter um pouco a escrita dos músicos, filho de pastor presbiteriano e mãe pianista da Igreja. Autodidata, sem formação acadêmica, foi um pianista dos grandes. Com 19 anos, estava tocando com Howard McGhee. Serviu o exército, no Japão, de 1952 a 1954. Logo depois, formou um trio com Red Mitchell e Chuck Thompson. Com eles gravou três álbuns intitulados “The Trio” pelo selo Contemporary. No ano seguinte, com o acréscimo do guitarrista Jim Hall e Bruz Freeman no lugar de Thompson, lançou “All Night Sessions” em três volumes separados. Tornou-se a sensação da Costa Oeste. Foi o “New Star of the Year” pela Downbeat e o “Arrival of the Year” pela Metronome. O futuro que se apresentava róseo, pretejou com a prisão por porte de heroína. A pena foi dura: dez anos de cadeia.

A promessa foi encarcerada, como tantos músicos que tiveram o mesmo destino. Pouco antes, gravou “Mingus Three”, com o baixista Charles Mingus, e “The Sermon”, com spirituals. Saiu graças a um indulto pedido e aceito pelo presidente Kennedy, em 1963. Retomou a carreira. Em 1967, fez uma longa excursão pela Europa e viu que tinha fãs ardorosos pelo mundo. Seu estilo, segundo os críticos, influenciou Oscar Peterson, Horace Silver, Claude Williamson e Toshiko Akiyoshi. Não é pouco.

Movimento inverso

Como não sou da geração do Zeca, o primeiro disco que ouvi do pianista foi “As Long As There’s Music” (1976), duo com o Charlie Haden. Tinha conhecido alguns álbuns de Keith Jarrett e, por tabela, fiquei fã de Dewey Redman, Paul Motian e Haden, e foi por meio dele, conheci Hawes.

Ouça “Irene”, a primeira faixa.



Ouça “Turnaround”, de Ornete Coleman, ídolo de Haden.



O segundo álbum que conheci de Hawes foi “Live at The Montmartre”, de apresentação no famoso clube de Copenhagen, em 1971, adquirido ainda na época em que não existiam os CDs. Mais uma vez, a admiração era pelas linhas sinuosas e enérgicas ao piano. O início do disco, com o trio composto por Henry Franklin no baixo e Michael Carvin na bateria, é o perfeito exemplo em “The Camel”, de autoria do último. Como é uma gravação ao vivo, os dois últimos registros estão um tanto abafados e devem ter sido feitos em noites diferentes. A última, por sinal – “Dexter’s Deck” –, conta com Dexter Gordon no sax tenor.

Ouça o álbum na íntegra.



O Zeca, sendo de outra geração, trinta anos mais velho que eu, sendo da era dos LPs, não tinha muitos CDs. LPs pioram a cada audição por conta do atrito de uma agulha com o vinil. Agora, imagine o estado dos LPs do Zeca comprados ainda nos anos 1950 e início dos 1960. Deviam estar um chiado só.

Ele passou a vir com frequência à minha casa para gravar os seus álbuns preferidos em fitas cassete, outro formato que caiu em desuso, mas comum em carros, mesmo depois do advento dos CDs.

Nessas visitas, conheci muitos músicos antigos, com direito a muitas histórias. Tinha também cadernos com letras de tudo quanto é standard do cancioneiro americano. Ele emprestava, eu copiava em xerox. Minha coleção foi sendo formada em sentido inverso de tempo. Comecei comprando Chick Corea, Herbie Hancock, Keith Jarrett e os mais recentes de Miles Davis. À medida que ia me aprofundando na linguagem do jazz, fui atrás de álbuns antigos de Miles, Thelonious Monk, Duke Ellington, Count Basie, Art Tatum e Billie Holiday, dentre outros, para depois conhecer aqueles um pouco menos conhecidos como Phineas Newborn Jr. (era um dos que o Zeca admirava) e Hampton Hawes. Aprendi a admirar alguns que não faziam do meu panteão do piano, como Oscar Peterson, Dick Farney e Dave Brubeck. Gostava e conhecia bem o popular “Time out”, mas não outras coisas mostradas pelo Zeca.

Em uma dessas vezes em que esteve na minha casa, perguntou-me se tinha algo de Hampton Hawes. Feliz, mostrei os dois CDs comentados acima. Esses, nunca tinha ouvido. Coloquei o ao vivo em Montmartre. Não pareceu muito animado ao ouví-lo. Nem interessou-se em gravar. Contou-me que ele tinha passado uma boa temporada na cadeia e que as melhores coisas dele eram dessa época. Como bom colecionador, fui atrás. Aprendi muito com o Zeca. Foi um dos meus mestres.

Ouça “The Blues Most”, do primeiro “The Trio”.




Ouça também o que faz na balada “So in Love”, de Cole Porter.




Ouça a tradicional “Nobody Knows the Troubles I’ve Seen”, de “The Sermon”.




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O disco que João Donato não gravou com Chet Baker

João Donato e Chet Baker juntos: o grande disco “que não houve”


Foi lançado pela editora Melrose Brooks o livro Funny Valentine – The Story of Chet Baker, de Mathew Ruddick. É um catatau com 830 páginas e é bem provável que seja traduzido para o português. Teve uma época em que era chique conhecer ou citar Chet Baker, ou melhor, o álbum Chet Baker Sings. Os “bacanas” possuem certos códigos. Enquanto é do conhecimento de poucos é o máximo. Aí, cai na boca da patuléia. Daí em diante, deixa de ser.

A vida de Baker ficou maior do que sua arte. Bonito, talentoso, devastado pelas drogas pesadas, e ainda morre pulando da janela de um hotel em Amsterdam. Concorda que sua história “dava um bom livro”? O de Ruddick não é o primeiro e nem será o último.

O LP, lançado em 1956, era item de colecionador. Poucos o tinham, e nesse caso, em estado imprestável de tanto ser tocado. E não eram muitos os que tinham dinheiro para comprar discos. LPs eram bem caros. Mesmo na minha adolescência, no início dos anos 1970, em um período de um ano, conseguia comprar cerca de 10 LPs. Está certo que a mesada que recebia era uma miséria. A qualidade dos nacionais era péssima e os importados eram caríssimos. Para cada nove nacionais adquiridos, comprava um importado. Aos poucos os discos foram ficando baratos (ou tivesse passado a ganhar um pouco mais). Até o fim da era dos LPs, tinha cerca de 4 mil.

O amigo Alberico Cilento, adolescente na época em que saiu Chet Baker Sings, lembra de uma de suas férias em que passaram um mês na praia e levaram quatro LPs. Um era esse e os outros, Canção do Amor Demais, Joias de Erroll Garner e Inolvidable, de Lucho Gatica. Passaram todos os dias ouvindo apenas isso. Imagine como as músicas devem ter “colado” em suas memórias. Não estranhe que o disco de Gatica esteja na lista. Fazia o maior sucesso. O chileno, um dos gigantes do bolero, gravou Inolvidable em Cuba com os Irmãos Castro, no violão e contrabaixo, influenciado pelas harmonias do guitarrista Barney Kessel em Cry Me a River, de Julie London.

Salto para o fim dos anos 1990
A Vera Galli, velha e querida amiga – e antenada –, conta uma história engraçada. Um dia, meio a uma conversa perguntou a uma amiga se conhecia Chet Baker. Ela respondeu: “Nunca fui lá.”

Os “bacanas”, nesse meio tempo já sabiam quem ele era. Falava-se que João Gilberto fôra influenciado pela maneira “cool” de Baker cantar. Enfim, o pessoal da bossa nova falava muito dele e das harmonias, avançadas para a época, de Barney Kessel. De tanto falarem da influência do americano sobre a bossa nova, Chet caiu na boca da patuleia.

O Brasil foi conhecendo a música de Baker pelas bordas. Foram lançados aqui, primeiro os gravados na Europa, depois que passara por prisões, internações e nem tinha mais os dentes da arcada superior, terrível para um trompetista. A voz perdera aquela delicadeza juvenil do início da carreira. Eram álbuns, desiguais, muito inferiores aos do início de sua carreira. Anos depois, por volta de 1990, apareceu um disco chamado The Best of Chet Baker Sings, com o subtítulo “Let’s Get Lost”. Tinha sido lançado pouco antes um documentário (virou cult) dirigido pelo fotógrafo de moda Bruce Weber com este nome. Além das doze do original, foram acrescentadas outras oito gravadas em outros álbuns feitos para a Pacific Jazz. Foi a apresentação do melhor de Chet.

O meu Chet Baker Sings
Os CDs musicais foram lançados em 1979 pela Philips. Custavam bem mais que os LPs e demorou um pouco para pegar. A contrapropaganda alardeava quanto à pobreza do som digital (verdade) e diziam que a superfície metalizada dos CDs degradaria em até cinco anos (mentira).

Comprei meu primeiro aparelho em 1987, em Nova York, e cerca de 20 CDs. Paguei uma grana preta na alfândega. O fiscal da polícia federal não considerou minhas alegações de que música era cultura. Disse até que em todo LP vinha escrito “Disco é cultura”. E era verdade. A besta não ficou nem um pouco comovida com meus argumentos.

Em 1990 fui ao Japão. CDs que nunca tinham sido lançados nos EUA estavam disponíveis, se bem que, mais caros. Um dos achados foi um “complete” de Billie Holiday com todas as gravações da Columbia. Em anos posteriores saíram no Brasil e nos EUA, mas separados e com o título The Quintessential of Billie Holiday. Não vinha com os “alternate takes” e um livreto com as letras de todas as canções.

Grande achado mesmo foi Chet Baker Sings. Sonhava com ele em CD. O problema é que havia um outro com o mesmo título acrescido de “My Funny Valentine”. Na dúvida, comprei os dois. Neste segundo, constavam dez das doze do original. A capa era com Chet empunhando um violão, imagem do mesmo William Claxton, autor das melhores imagens de Chet nos anos 1950. Essas fotos foram reunidas em um livro chamado Young Chet (Schirmer Art Books, 1993). Parece que o produtor e dono da Pacific Jazz Dick Bock, para ganhar um troquinho a mais, reutilizava as matrizes fonográficas acrescentando alguns instrumentos e os “relançava”. Neste, estão listados Joe Pass, Bud Shank, Lawrence Marable, Corky Hale na harpa, além de um naipe de cordas, ausentes no LP original.

Fui pego novamente na alfândega. Trazia um amplificador Denon de 20 quilos e 90 CDs. Quis o bom destino que aparecesse uma pessoa dizendo que eu era funcionário da Varig. Não era. Minha irmã era. Estranhando a minha demora, pediu a uma colega de trabalho que fosse ver por que eu demorava. O fiscal disse: “Fecha a mala. Está liberado.” Não tive de pagar nada. Saí de um jeito tão atabalhoado que esqueci de pegar o passaporte de volta, que, à essa altura, já estava no bolso dele.

Era, no Brasil, provavelmente, um dos únicos a ter Chet Baker Sings. Vários amigos correram para a minha casa, não por minha causa, mas por Chet, no intuito de gravá-lo em fita cassete (não existiam ainda os CDs graváveis). Minha amiga Tila Leal pediu-me que gravasse para o seu pai. Disse-me ela que, quando começou a ouvir, chorou. Por causa de Chet ficamos amigos. O Zeca passou a vir com frequência a minha casa. Nunca saía sem ter gravado umas três fitas de jazz. Conhecia Frank Sinatra como poucos. Conto essa história em http://bit.ly/1yYZu3y. Era muito amigo de Dick Farney. Fazia o imposto de renda dele. Possuía vários discos de playback com as bases de Nelson Riddle, sem a voz. A cantora Sylvia Telles pegou vários emprestados, e não devolveu. 

Ouça Chet Baker Sings na íntegra.



O Zeca era espirituoso, fazia piada de tudo e aprendi muito com ele. Adorava Dave Brubeck e Oscar Peterson. Passei a ouvir a turma do cool jazz com mais atenção por causa dele. Adorava em Chet, principalmente o trompete sem vibrato. O Zeca “introduziu” Bud Shank, Shelly Manne e Clare Fischer na minha discoteca.

Sempre gostei de cantores de jazz. Em certo momento, de tanto ouvir certos standards, passei a me interessar pelas letras, nem tanto pelo teor e mais para (tentar) cantar junto. “Acompanhava” Ella e Louis Armstrong de cór em canções como Moonlight in Vermont, Cheek to Cheek, Stars Fell on Alabama, Tenderly e muitas outras. Comecei “na unha”: ouvia dezenas de vezes a mesma música com uma caneta e uma folha de papel. Hoje, qualquer letra está disponível na internet. O Zeca era meu consultor para resolver as minhas dúvidas. Disse uma vez: “O melhor jeito de pegar as letras é ouvindo Frank Sinatra. Não existe ninguém com a dicção dele. Facilita muito.” Facilitou mais depois emprestando-me várias publicações importadas com letras de músicas mais conhecidos do cancioneiro americano. Mais tarde, achei um livro chamado Reading Lyrics (Pantheon Books, New York, 2000) com mais de mil letras. O bom é que não se limita aos mais consagrados como Cole Porter e Ira Gershwin.

O disco que Donato não gravou
João Donato morou, em períodos intercalados, nos Estados Unidos. Em 1965, fazia uma temporada com seu trio no clube Trident, em Sausalito, cidadezinha próxima à San Francisco. O “special guest” era Chet Baker. Na matéria publicada em 13/5/2013, na Folha de S.Paulo, sobre a biografia escrita por Ruddick, assinada por Roberto Evangelista, há uma referência sobre um episódio capital na vida do trompetista. Como sempre, estava sempre atrasado. Chegou com um lenço cobrindo a boca toda ensanguentada. Tinha levado uma surra de cinco jovens negros, aparentemente, sem razão. “Fiquei chateado, claro – ver tudo aquilo acontecer com uma pessoa bonita, com quem eu trabalhava todos os dias. Ele não podia tocar da mesma maneira depois disso. Então eu o mandei para a casa e disse, se cuide”, falou Donato. Uma observação: pelo artigo da Folha, o incidente ocorreu em 1965, enquanto mais de uma fonte dá como 1968.

Em consequência da agressão sofrida em 1966, Chet teve que tirar todos os dentes da arcada superior, fato desastroso para um trompetista. Ficou afastado por um período. Chegou a trabalhar de frentista em um posto de gasolina. Quando voltou a tocar, não era mais o mesmo.

Mesmo antes que o vício da heroína o dominasse, os amigos achavam que Baker já gostava de viver perigosamente. Joyce Freeman, ex-mulher do pianista e arranjador de vários discos seus, Russ Freeman, conta que, uma vez saíram com ele em seu Aston Martin. Dirigia bem, mas gostava de se arriscar. Ela lembra dele ter-lhe dito, uma vez, que tinha pavor de heroína. Tinha experimentado e jogado fora. O problema começou quando passou a namorar uma francesa amiga de vários junkies.

O título Let’s Get Lost do documentário de Bruce Weber e da canção de Frank Loesser e Jim McHugh funciona como a perfeita síntese de uma época. Depois de duas guerras mundiais havia desencanto dos que as viveram e esperança dos sobreviventes e de uma juventude que havia nascido durante os conflitos. O florescimento do rock, Bill Haley e Seus Cometas, o bebop, o cool jazz, a aparição de figuras emblemáticas como James Dean e Marlon Brando se incluem nessa transformação. Era uma mistura de inconformismo e ingenuidade. Baker, com sua beleza dúbia, queixo duro de macho e, ao mesmo tempo angelical, e voz delicada, de certa forma, era uma síntese dessa época. Viver no limiar do perigo, como Joyce Freeman exemplifica no jeito de Baker dirigir era a imagem de uma geração.

Veja-o cantando Almost Blue, de Elvis Costello. É uma das grandes músicas do Baker da última fase.



Em 1968, época em que foi “special guest” do brasileiro, era uma sombra do que havia sido. Era um homem destruído, mas algo do mito persistia. Mesmo depois que mudara para a Europa era cultuado por antigos fãs e músicos.

Quando tocavam no Trident, Baker e João combinaram de gravar um disco. Depois da surra que levou, ficou o dito pelo não dito. Resultaria em um bom disco? Não dá para saber. O que teria sido nunca será.

Sobre João Donato, conto uma história legal (duas) em http://bit.ly/13c3RQ6

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Jane Monheit e o gosto dos outros


O autógrafo de Jane com algumas gotas de whisky
Em três ocasiões tive a oportunidade de ver Jane Monheit no Bourbon Street Music Club, todas graças aos convites simpáticos de Carlos Conde. Ir com ele significava ficar na primeira fileira de mesas, e de graça. O único porém era de que ficávamos sujeitos aos perdigotos dos cantores. O jazz, sem chauvinismos, é mais do universo masculino, e não por coincidência, nossa mesa, na maioria das vezes, constituía-se apenas de seres deste sexo. A Dôra, mulher do Conde, ia muito de vez em quando, nunca quando era de música estritamente instrumental. Segundo outro amigo, o Zeca Leal, que conhecia tudo de jazz e, principalmente de Frank Sinatra (adorava dizer que foi a pessoa que mais comprara discos do “old blue eyes”; essa história conto em http://bit.ly/UTQNF3), a preferência das mulheres, em se tratando do gênero, recaía em temas de musicais de Hollywood.

Por ser costumeiramente uma mesa só de homens, imagine o tipo de comentários que surgiam quando os shows eram de representantes do sexo feminino, é claro, além das críticas e elogios específicos relacionados aos músicos, ao repertório, à execução, de certo solo do pianista, do baixista ou do saxofonista? Lembro que uma cantora nos impressionou especialmente por suas formas e pela beleza. O Conde não deixou de prestar atenção – e tecer comentários – em certas características físicas bem ao gosto dos brasileiros de Nnenna Freelon. Todos à mesa concordaram. E também quanto à voz, que seja dito. Aliás, a pianista, uma japonesa, de quem não recordo o nome, era muito boa.

Como vimos Jane Monheit por três vezes em ocasiões diferentes, percebemos certas mudanças físicas. Jane, mesmo hoje, com 35 anos, continua com um rosto muito bonito e seus lábios carnudos chamam muito a atenção. As observações, na primeira vez, foi quanto à pele alva, perfeita, belos olhos emoldurados por sombrancelhas bem desenhadas e nariz perfeito. Mas precisávamos arrumar um defeito. Era um pouco cheinha.

Uma das faces da sensualidade de Jane
Na segunda vez, para nossa surpresa, estava bem magra. Comentário masculino, com algo de chauvinismo: “deve estar apaixonada.” Verdade. O felizardo estava do seu lado: era Rick Montalbano, seu baterista. Bom, não disse uma palavra de suas qualidades como intérprete até agora. É afinadíssima. É, no entanto, uma qualidade que esperamos de qualquer intérprete.
Na terceira vez em que fomos vê-la no Bourbon – como John Pizzarelli havia ficado “freguês” dos palcos brasileiros – estava gordinha de novo. Aqui não direi o que foi comentado à mesa. Entre a primeira e a terceira vez havia ficado fã de Ivan Lins e cantou algumas de suas músicas e, obviamente, temas jobinianos.

O primeiro disco de Monheit foi Never Never Land, lançado em 2000, na esteira do segundo lugar conquistado no prestigiado Thelonious Monk International Jazz Competition. Fôra avaliada por um júri primeiro time: Dianne Reeves, Diana Krall, Nnenna Freelon, Dee Dee Bridgewater e Joe Williams. Nos álbuns seguintes, como no primeiro, prevalecem os standards, com um ou outro tema mais recente como A Case of You, de Joni Mitchell, e é acompanhada por um músicos de jazz excepcionais como Alan Broadbent, Ron Carter, Christian McBride, Tom Harrell, Kenny Barron, Hank Crawford, Bucky Pizzarelli (pai de John Pizzarelli), Toots Thielmans e Geoffrey Keezer. Demonstração de prestígio.

Em In the Sun, de 2002, Jane canta, pela primeira vez Ivan Lins: Começar de Novo e Once I Walked in the Sun (se não me engano, em português é A cor do pôr-do-sol, letra de Celso Viáfora). Once I Walked in the Sun é cantada com participação de Lins. Começar de Novo é com arranjo de Vince Mendoza e no final há um belíssimo e mínimo solo de trompete de Tom Harrell. Confira. É um dos melhores Começar de Novo até agora registrados.


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É evidente a paixão de Jane pela música brasileira. Em Surrender (2007), das dez faixas, seis são de brasileiros. Como de costume, inclui uma composição de Ivan (participa cantando também) – Rio de Maio –, outra da feliz parceria com Viáfora. As outras são de Jobim, Dori Caymmi e Sérgio Mendes. O toque “pop” é a gravação de Overjoyed, de Stevie Wonder. É um bom disco.

Agora em 2013, Jane acaba de lançar The Heart of Matter, seu décimo álbum. Ouvi e baixou a bronca. Apesar de considerá-la afinadíssima, é muito certinha para o meu gosto. Tem alguma coisa faltando. Em matéria da Downbeat (junho de 2013), Allen Morrison tece rasgados elogios à cantora. Depois de ouvir por algumas vezes, vou discordar. Enjoei. Seu jeito “sensual” de cantar, arfante, me faz lembrar o que o Zeca Leal, amigo que faz falta, agora que se foi, com seus comentários ácidos e engraçados. Disse uma vez que alguns intérpretes cantam com um fole na garganta. Para cada frase, uma puxada de ar, como se estivesse afogando. Não tinha percebido o quanto Monheit “arfa” e suas modulações vocais, sabe, aquelas em que a voz vai num sobe e desce suspirante, especialmente em Two Lonely People (quarta faixa), é irritante. Allen Morrison escreve que “ela nunca cantou melhor ou com maior convicção, desmentindo a sabedoria convencional de que a melhor arte nasce das cinzas da desgraça.” O que escreve outro Bobby Reed, da mesma revista, em “Editor’s Picks” do mês de maio, é só elogios. Estou começando a pensar que sou o único que não gostou do disco. Outra coisa que passou a irritar-me e havia percebido nos shows, mas não incomodava tanto é sua tendência a reforçar um lado sensual, não apenas pelos movimentos no palco, assim como pelo modo de cantar, cheio de modulações e, como havia dito, arfante. Garanto porém que deve ter muitos que adoram esse seu estilo. Prefiro Julie London.

Última coisa: não falta Ivan Lins. Desta vez, canta Depende de Nós e A Gente Merece Ser Feliz. Curiosidade: Sing, aquela do Vila Sésamo. A melhor do disco: Born to Be Blue, de Mel Tormé e Robert Wells.

Ouça Sing.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Os três mortos e a trilha de natal por Dave Brubeck

Publiquei, depois da virada do ano 2011–2012 texto intitulado “Dezembro maldito” (leia um trecho no fim do texto). Temos alguns dias ainda até o início de 2013. Como o mundo não acabou no dia 22, nada resta senão vivermos.

Niemeyer, Brubeck e Shankar
Três personalidades faleceram neste mês: Oscar Niemeyer, Dave Brubeck e Ravi Shankar. Nada de fins trágicos. Fora o primeiro, que passara dos 100, Brubeck e Shankar eram nonagenários. Natural que nessa idade a morte esteja à espreita. Brubeck morreu um dia antes de fazer 92.

1. Niemeyer mereceu cadernos especiais na grande imprensa. Mais do que merecido. Apesar de muita gente falar mal, pelas redes sociais, principalmente, ouço das pessoas que o conheceram apenas palavras carinhosas. Era uma pessoa generosa. Ajudou muita gente e muito o partido comunista e seus camaradas (não era assim que se tratavam?). O Armênio Guedes, hoje com 94 anos, membro histórico do Partidão, conta que o encontrou em Paris quando ia a um congresso em Moscou. Niemeyer comentou do frio que estava fazendo lá naquele ano e perguntou-lhe se tinha roupa para se proteger. Armênio disse que sim. Mesmo assim, quando se despediram, entregou-lhe mil dólares em espécie “para comprar um casaco”.

No último período da Segunda Grande Guerra, com a aproximação do país com os Aliados, o Partido Comunista passou a ser melhor tolerado pelo governo de Getúlio Vargas a ponto de ser legalizado em 1945. Lançaram dois estatutos, um de capa branca e outro com capa vermelha. O primeiro era uma versão, digamos, mais “light” e o segundo era mais sério. No artigo 13 proibia-se qualquer relação de seus militantes com a “canalha trotskista”.

Respirando-se os tempos de liberdade e legalidade, os amigos comunistas costumavam se reunir nos fins de tarde no escritório de Oscar Niemeyer. O arquiteto, apesar do estatuto vigente, continuava a ser muito amigo de um notório “canalha trotskista”. Então, um amigo lhe perguntou: “E agora Oscar? Como vai ser da sua amizade com o Echenique?”. Oscar respondeu: “Besteira… o Echenique? Ele é só canalha.” Posso estar sendo impreciso porque é uma história contada por um amigo em uma mesa de restaurante. É mais para assinalar a fineza de humor de Niemeyer.
Uma crítica frequente era a de que sua arquitetura “não era boa de morar”. Em São Paulo existem vários prédios residenciais projetados por ele, sendo o Copan o mais conhecido. Vou perguntar para alguém que mora lá. Nunca o ouvi reclamar disso.

2. Na década de 1970 e pouco antes, o Theatro Municipal de São Paulo abrigou vários artistas estranhos à música erudita. Apresentaram-se lá Miles Davis, Duke Ellington, Charles Mingus, Bill Evans, Ray Charles, João Gilberto, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald, Stan Getz, os Swingle Singers e Ravi Shankar. Este tinha ficado conhecido no mundo ocidental em razão do interesse dos Beatles pela música indiana e por uma onda místico musical que dominou o mundo sedento por orientalismos nos anos 1960. Apresentou-se no festival de Monterrey e no de Woodstock e também no Concerto para Bangla Desh, em 1975, organizado por George Harrison. Mas antes desse concerto, em 1971, esteve no Brasil. Fui um dos cerca de 1.500 espectadores que foram vê-lo no Theatro Municipal. Era um moleque naquela época, com a maior curiosidade do mundo. Mal tinha completado 15 anos.

Shankar morreu com 92 anos. Deixou duas filhas artistas. Uma delas, a mais famosa, é Norah Jones, com quem teve convívio um tanto complicado. Jones é fruto de seu relacionamento com a produtora de shows Sue Jones. A outra seguiu os passos do pai. Anoushka Shankar é citarista de renome e gravou um belo CD pela conceituada Deutsche Grammophon.

3. Meu amigo Zeca Leal e Dave Brubeck morreram agora em 2012. E o Zeca nem ficou sabendo: morreu antes. O Zeca, junto com o Carlos Conde, foi um dos meus gurus musicais. Era um cara engraçado e gozador. Botava apelido em todo mundo. Fiquei sem saber do meu. Eram apelidos muito particulares e o único jeito de conhecê-los era pelos outros. Conto uma história engraçada dele. Tinha o costume de dizer que foi o cara que mais comprou discos do Frank Sinatra no mundo. Cada vez que ia ouvir, de bêbado, riscava. Ia até a loja e comprava outro, novinho. A história está em http://bit.ly/UTQNF3. Mas, além do Sinatra, o Zeca era fã do west coast jazz, do Dick Farney, de quem era muito amigo (fazia o imposto de renda dele, inclusive) e de Dave Brubeck, “Brubéck”, como dizia, e não “Brûbeck”, com costumam os brasileiros dizer.

No aprendizado do pianista incluem-se aulas de composição com Darius Milhaud. A formação mais conhecida de sua banda ficou sendo a do quarteto que incluía o saxofonista alto Paul Desmond, o baixista Gene Wright e o baterista Joe Morello. Time Out, lançado em 1956 foi o primeiro LP a vender mais de um milhão. Poucos nesse mundo nunca ouviram Take Five na vida, mesmo sem saber. Blue Rondo à la Turk, inspirada em Mozart (e por isso o “à la Turk”), foi composta por Brubeck em exdrúxulo 9/8, e Take Five, em 5/4. Nada de quatro por quatro. Brubeck incorporou linguagens sofisticadas ao jazz e, assim mesmo, vendeu muito. Alquimias perfeitas. O pianista tinha a favor um saxofonista de som redondo e muito agradável aos ouvidos e um baterista com um drive perfeito para os seus tempos inusitados.

As inclinações eruditas ficaram mais evidentes por meio de peças compostas depois dos anos 1960 como os oratórios, balés, cantatas e uma missa.

Dave Brubeck e o Natal
Muitos intérpretes, principalmente os americanos, em dado momento gravam alguma coisa alusiva ao Natal. Ele gravou o seu em 1996 pela Telarc Jazz. É piano solo. Daí termos a sensação de que é Natal apenas em alguns temas conhecidíssimos como Jingle Bells. Bom, imagino que essa seja uma das mais conhecidas no mundo. O Natal de Brubeck, em disco pelo menos, é melancólico, reflexivo.

Não sou chegado às festividades de fim de ano. Na verdade, me deprimem. Não gosto de enfeites de Natal, não me sinto confortável em ficar escolhendo presentes e em recebê-los. Gosto de receber, mas em datas aleatórias, nunca nessas ocasiões pré marcadas. E, bom, para completar, músicas de Natal não fazem parte das minhas primeiras preferências, nem mesmo que tenha sido composta por Mel Tormé, como The Christmas Song, ou White Christmas, de Irving Berlin.

Bom, mas vamos Brubeck em O Little Town of Bethlehem, de Lewis H. Redner e Phillip Brooks.

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Dezembro maldito (2011)
Ao contrário do que escreveu T.S. Eliot – “Abril é o mais cruel dos meses” –, dezembro parece mais. Parece que ficamos na expectativa de algo prestes a acontecer: não apenas mortes, mas tragédias naturais, daquelas que parecem vingança dos deuses ou da natureza, como tsunamis, enchentes, cidades devastadas pela água. Em 2001, estava na praia, televisão ligada: Cássia Eller morreu; no 29º dia de dezembro.

E como farsa ou para corroborar nossos maus presentimentos, acontecem coisas. Imagino que deve ocorrer uma espécie de caos coletivo: a impressão é a de que todo mundo fica estressado e meio “desgovernado”. Se o período é de Festas, esse tempo deveria ser o de alegrias, congraçamentos e anseios por paz. Essa “obrigação” pela felicidade pode ter efeito contrário.

Mortes, quanto mais próximas do fim do ano e, se acontecem com pessoas ainda jovens, ficam tingidas de dramatismo maior. Não lembro mais daqueles que morreram no fim de 2010, mas, em 2011, foram registradas muitas; desde a de esportistas como Sócrates (muito jovem ainda), de pessoas ligadas ao teatro como Sérgio Brito (17), Rodolfo Bottino (11); à música, como o saxofonista Sam Rivers (26) e o trombonista e pianista Bob Brookmeyer (16), ambos octogenários; a cantora Cesária Évora (17); o grande desenhista e cartunista Ronald Searle (30), com 92 anos; artistas plásticos como a expressionista abstrata Helen Frankenthaler (27) e o brasileiro Mário Gruber (30); estadistas como Vaclav Hável (também poeta, no dia 18); o ditador da Coreia do Norte Kim Jong-Il; e jornalistas e escritores como o ateísta Christopher Hitchens (15), a alemã Christa Wolf (1), e Daniel Piza, este, dois dias antes que findasse o ano.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Seu nome é Julie London

A bela Julie
Um dia – melhor, uma noite –, meu amigo Zeca Leal trouxe um vídeo (era tempo das fitas VHS, anteriores aos DVDs e Blu-rays) com uma apresentação de Julie London. Bem no meio da tela, quase de corpo inteiro, Julie vai se aproximando lentamente, enquanto a câmera vai fazendo um movimento, como as curvas sinuosas que se insinuam através do vestido de tecido brilhante, de alças, glorificando seu belo colo. Aproxima-se de um divã, enquanto canta Cry Me a River e senta com as mãos apoiadas no encosto. Tenho a certeza que não deleita apenas aos homens; causa admiração nas mulheres também. Diferentemente de muitos homens que nunca podem achar os do mesmo sexo belos, elas admiram, e se não admiram, invejam. Quem, porém, resiste a uma bela figura, quase deusa, cantando com aquela voz levemente rouca e quente?

Devo ter visto esse vídeo pela primeira vez há 25 anos, talvez. Marcou. Em certa feita, na casa do Alberico Cilento estava Flavio Mancini, baixista da primeira formação do Nouvelle Cuisine. Ao ver essa apresentação de Julie London, Flavio, simplesmente, enlouqueceu. É: as primeiras vezes podem ser chocantes ou traumáticas..

Julie, em 1947, casou com o ator Jack Webb. Em 1954, com dois filhos para criar, separaram-se. Ficou reclusa. Tempos depois, conheceu Bobby Troup (é ele o compositor de Route 66, sucesso com Nat King Cole e depois com os Rolling Stones) em um clube noturno de Los Angeles. Convém perguntar quem teve melhor sorte. Se Julie, por ter conhecido aquele que catapultou sua carreira como cantora, ou Troup, que se casou com uma das mais deslumbrantes do universo, pelo menos, daquele tempo. Esclarecimento: modelos de mulher eram Marilyn Monroe, Jane Mansfield e Kim Novak (lembro dela, aspirante à cantora, em Pal Joey, de George Sidney, deixando Frank Sinatra “de quatro”, Rita Hayworth com raiva e dor de cotovelo).

Cry Me a River é uma composição de Arthur Hamilton. É, praticamente, compositor de uma canção só, como eden ahbez (é assim mesmo, em minúsculas; saiba por que em http://bit.ly/Anuaym), autor de Nature Boy. Foi o suficiente. Como ahbez, fez um bem ao mundo compondo tão linda canção.

Há vinte e poucos anos, não existia internet e, muito menos, sites com todas as letras possíveis e inimagináveis disponibilizadas. A melhor solução, para músicas cantadas em inglês, era tentá-las decifrar na voz de Frank Sinatra. Pelo menos, essa era a opinião bem-humorada do Zeca Leal. E era verdade. Nunca existiu alguém com dicção tão perfeita. Os primeiros versos de Cry Me a River eram fáceis, mas, chegando na terceira estrofe, travava no verso “You told me love was too plebeian”. Quem me revelou o “plebeu” foi o Zeca. Ele tinha vários cadernos escritos à mão com letras de um número grande de standards e em songbooks dos autores mais conhecidos (Gershwin, Cole Porter, Sammy Cahn, Rodgers & Hammerstein II, Rodgers & Hart, etc.). Revistas antigas de variedades (fotonovelas, guias de programação de televisão, fofocas e notícias de artistas) sempre traziam letras de canções de sucesso. O normal era se copiar em um caderno: todo mundo tinha o seu de letras de música, e não era só coisa de mocinhas. Em tempos em que o que é chamado de xerox (é a “brahma” das cervejas) se chamava “fotocópia”, coisa surgida na década de 1960, não restava outro modo senão copiar letras e receitas de bolo no “caderninho”. Os mais jovens, hoje, quando fazem um cópia em papel, chamam-na de “print” ou “printer” (sic!) e já nem mais devem saber o que é uma “xerox”.

Bom, fiquei comentando outras coisas e estava quase esquecendo de Julie. Isso, no entanto, é impossível. Julie London se encaixaria perfeitamente no conhecido slogan do filme que consagrou Rita Hayworth: “Nunca houve mulher como Gilda.” Basta trocar o “Gilda” por “Julie London”.

A apresentação:



Julie em cores.




Veja um clip divertidíssimo em que, chegando bêbado, coloca um disco de Julie London e passa a vê-la pela casa.




Opções para ouvir Cry Me a River
Há centenas, com certeza. É clássica, também, com Ella Fitzgerald. Não irei me lembra agora das melhores. Vou citar apenas as que estão no iTunes da máquina que uso mais frequentemente, mais para mostrar como “todo mundo” gravou. Explicação: mudo sempre minha lista no iTunes (no meu iPod estão as minhas preferidas de sempre) de maneira que possa conhecer o maior número de interpretações possíveis. Não estranhe, portanto, a citação de nomes um tanto obscuros.
A lista:
• Archie Shepp (Blue Ballads)
• Barney Wilen (My Romance)
• Brad Mehldau (Progression. The Art of the Trio vol. 5)
• J.J. Johnson (First Place)
• Jaimee Paul (At Last)
• Marilyn Scott (Everytime We Say Goodbye)
• Nicki Parrott (Moon River)
• Nicole Henry (Teach Me Tonight)
• Sonji Kimmons (Fine & Mellow)
• Tierney Sutton (Desire)

Das citadas, minha preferida é a de Barney Wilen. Nada como um bom sideman. Kenny Barron é um craque.