Essa história de “king” no nome de formações inglesas nos leva a pensar em alguma ligação com a realeza. Por esse motivo, podemos imaginar que The King’s Singers, The King’s Consort ou The Kings Sisters possam estar ligados à realeza britânica de algum modo, como várias marcas de whiskies e até artigos de perfumaria, como a Penhaligon’s, que trazem inscritas em seus rótulos “by appointment to”, como certificadores. Bem, pensando bem, nem sempre o Reino Unido foi governado por reis, ou seja, “kings”. Temos Elisabeth II a governá-lo, e antes dela, tivemos a rainha Vitória, portanto, o termo usado é “majesty”, que é o usado para os produtos considerados “by appointment”.
O conjunto de música de época The King’s Consort deve seu nome ao seu diretor Robert King, The King’s Singers tem esse nome devido ao tradicional King’s College, de Cambridge, fundada em 1441, formado por seus alunos, que tiveram essa ideia. The King’s Sisters, bem, esse pode ser assunto para um outro texto, foi formado por irmãs com o sobrenome King, nos Estados Unidos.
The King’s Singers foi criado em 1º de maio de 1968 por participantes do coral da escola. Nela, o repertório básico era de composições de música erudita e temas tradicionais anônimos consagrados através do tempo. O que almejam, afinal, uma formação a capella? Uma completude sem instrumentos como violinos, pianos e tudo o que forma uma orquestra. Essa é a sua originalidade e o seu encanto. Ainda mais, como eles, formado exclusivamente por homens. As vozes femininas são supridas pelos contra-tenores, uma tradição que vem da Idade Média, quando era vedada às mulheres a participação em serviços religiosos.
A mesma formação – dois contra tenores, um tenor, dois barítonos e um baixo – é mantida até agora. Com mais 50 anos, não sobrou nenhum membro original, mas o conceito se mantém. Com mais de 60 álbuns lançados, o repertório abrange desde temas eruditos antigos (Gesualdo, Tallis, Byrd, Purcell, etc.), atuais, com obras especialmente compostas (Peter Maxwell Davis, John Taverner, Georg Ligeti, etc.), e até composições contemporâneas populares.
Segundo a Signum, gravadora de “Love Songs”, recém lançado agora em fevereiro, coincide com o Valentine’s Day, que comemora lá fora o Dia dos Namorados. O nosso é em data diferente: 12 de junho. As canções abrangem do repertório pop aos temas tradicionais, de autores anônimos. É tão abrangente que, dentre essas, há um inglês, um escocês e um terceiro, coreano. Temos clássicos do cancioneiro americano, como “It’s a New World”, de Harold Arlen e Ira Gershwin, “I’ve Got the World on a String, de Harold Arlen e Ted Koehler, “Bewitched, Bothered and Bewildered, de Richard Rodgers e Lorens Hart, “Love Is Here to Stay”, de George e Ira Gershwin, “I Won’t Dance”, de Jerome Kern, Dorothy Fields e Jimmy McHugh, “At Last”, de Mack Gordon e Harry Warren, e “When I Fall in Love”, de Victor Young e Edward Heyman.Não incluíram a mais óbvia: “My Funny Valentine”. Outro clássico mundial é “La mer”, de Charles Trenet, aqui cantada na sua versão em inglês – “Beyond the Sea” –, de Jack Lawrence. Tem uma outra francesa: “Quand tu dors près de moi”, de George Auric. Quem gosta de Charles Aznavour e Yves Montand a conhece. É um dos destaques de “Love Dance”, com belo arranjo de Gordon Langford.
Ouça.
As interpretações são de alto nível, tudo a capella, um gênero que exige cantores muito afinados. São excelentes nas canções citadas acima, porém, são surpreendentes no repertório mais pop. Dois são de Paul Simon – “Some Folks’ Lives Roll Easy” e “April Come She Will” –, um de Stephen Stills – “Helpless Hoping” – e um de John Legend –“All of Me”. As duas últimas estão entre as melhores do álbum.
Ouça “All of Me”, de John Legend.
Ouça a fabulosa “Helpless Thing”
Das tradicionais, a mais bela é “I Love My Love”, do folclore inglês.
