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| Capa do CD Rio |
O CD
Rio, de Till Brönner, como já dá para imaginar, é voltado à música brasileira. A produção é de Larry Klein, baixista também, ex-marido de Joni Mitchell e atual da cantora Luciana Souza. Produtor craque, é responsável por uma das “viradas” da ex-mulher – Joni – e por bons discos de Melody Gardot, Madeleine Peyroux e, naturalmente, Luciana (sobre ele, leia em
http://bit.ly/zHzHg6).
Rio abre com
Mistérios, com uma dupla improvável e bela: Annie Lennox e Milton Nascimento nos vocais. Não é tão boa quanto àquela que Milton gravou em
Clube da Esquina 2, mas vale pela diferença e pelo estilo tão característico da parte feminina do finado Eurythmics.
A segunda,
Que Será, Que Será?, de Chico Buarque, é cantada por Vanessa da Matta em versão sob uma base rítmica que privilegia o violão, a bateria e uma discreta marcação de baixo e, em plano secundário, acordes esporádicos do piano e do órgão . Não falta o solo de Brönner ao trumpete, em linhas fáceis e agradáveis.
E não é que Brönner podia passar por brasileiro? Seu
Só Danço Samba é cantado em um português com pouquíssimo sotaque. A voz de Aimee Mann só valoriza
Once I Loved (
Amor em Paz). É um destaque.
Tarde, de Milton Nascimento, no original, é climática, meio sombria, e aqui, é cantada em inglês por Luciana Souza. Na “balançada”
Ela é Carioca, para minha surpresa, quem canta é Sérgio Mendes.
High Night (
Alta Noite), de Arnaldo Antunes, é cantada por Melody Gardot (leia em
http://bit.ly/gkVOri). Passável.
Café com Pão, de João Donato, tem uma cozinha bem samba e, mais uma vez, tem Brönner como cantor: é, ele surpreende na boa dicção. Tem voz pequena, afinada e até puxa um sotaque carioca. Lígia é fraca. Só instrumental, concorre desleamente com a sublime versão de Stan Getz no sax tenor. Brönner não ousa no trumpete e no flugelhorn, em nenhum momento.
Sim ou Não, de Djavan, é interpretada pelo cantor que é considerado o melhor do jazz, atualmente: Kurt Elling. Canta em português, algo que não faz pela primeira vez; já cantou
Luíza, de Antônio Carlos Jobim, e
Rosa Morena, de Dorival Caymmi.
A Rã, de João Donato, é bela de qualquer jeito. O alemão não faz feio. É suingada: dá para mexer os quadris. Till ataca de novo como cantor em Bonita, mas em inglês (“You are bonita, bonita”; engraçado, às vezes, essas misturas do português com o inglês); o piano do brasileiro Fábio Torres, presente em todas as faixas, aqui, é bem jobiniano. E o CD é “fechado” com um balançado
Aquelas Coisas Todas (Toninho Horta, grande Toninho Horta!), novamente, com participação de Luciana Souza nos vocalises e
scats, em dupla com Till.
Rio é mais um disco de um estrangeiro gravado com participação de vários brasileros. É bem produzido, como qualquer coisa em que o nome de Larry Klein esteja envolvido.
Ouça
Mistérios, com Annie Lennox e Milton Nascimento.
Vale a pena ouvir; é melhor que Rio.