Till Brönner e seu trumpete |
O jazz fincou pé na Europa antes até da Segunda Guerra Mundial. É uma linguagem que nasceu nos EUA e se propagou por meio de americanos que emigraram para o Velho Mundo, principalmente, depois da Segunda Guerra, onde, ao contrário do país de origem, não eram discriminados racialmente.
Junto à leva de intelectuais, escritores (e pretendentes a), nos “roaring twenties”, havia uma Josephine Baker, dançarina e cantora que encantava parisienses e estrangeiros que lá estavam. Duas figuras dessa época são fundamentais: o belga cigano Django Reinhardt (é referência, até hoje, quando se fala de guitarra), e o violonista Stéphane Grappelli.
A presença militar americana pode ter sido também fundamental à consolidação do jazz. À maneira das big bands, como a do notável e legendário Glenn Miller, desparecido em 1944, quase no fim da guerra, esse formato se expandiu tremendamente. Qualquer cidadezinha inglesa tinha a sua para alegrar os corações sofridos e servir de “pretexto” para aplacar a explosão de hormônios dos jovens.
Mesmo em países que sofreram o jugo do domínio soviético, o jazz floresceu. Alguns emigraram, como Miroslav Vitous, Gabor Szábo e Aladár Page. A queda do Muro de Berlim mostrou que, sob a cortina de chumbo, a música fervilhava em pequenos bares. Hoje, é impressionante o número de talentos revelados na Polônia, por exemplo. Da Escandinávia, nem se fala, mas não serve como exemplo de região que viveu debaixo do jugo de regimes totalitários. Na década de 1960, a Dinamarca fervia no lendário Cafe Montmartre, em Copenhagen.
A Alemanha exerceu importância fundamental para a expansão dos limites do jazz. Músicos, como Manfred Schoof, Alexander von Schlippenbach, Albert Mangelsdorff e Peter Brötzmann, simplesmente, esgarçaram os limites da linguagem jazzística. Um país que produziu Brahms, Bach e Beethoven só tinha que continuar a contribuir para a evolução da música.
Descendo alguns degraus, existe um tipo de música que, antigamente, era chamada de “easy listening”. O alemão Till Brönner (enrolei, enrolei e só agora falo dele) não é o melhor exemplo dessa linha evolutiva à qual me refiro; não tem um décimo da relevância de seus pares citados no parágrafo acima. Mas é que andei ouvindo o seu At the End of the Day, lançado em 2010, e, confesso, me agrada bastante. É “easyíssimo” listening. Tem um belo And I Love Her, de Lennon & McCartney, mas bacana mesmo é um cover de Everybody’s Got to Learn Sometime, do The Korgis.
Sem dúvida, tocando trumpete e cantando, a primeira lembrança é Chet Baker. Em segundo lugar, lembra um pouco o cantor e guitarrista John Pizzarelli. Faz parte de uma linhagem que vem sendo explorada bastante pelo mercado. O curioso desses exemplos é que, quase sempre, produzem uma música fácil, sem deméritos, de grande apelo comercial. Ao mesmo tempo que alguns continuam a trilhar por vias mais radicais, seguindo caminhos que procuram “esgarçar” os limites da música, outros – e não são poucos – resolveram se voltar à instrumentação acústica, mas sempre perseguindo evoluções na linguagem musical. Uma terceira via vai por um viés mais comercial mesmo Sem criticar, esse tipo de música pode ser agradável. Às vezes, é o que nós queremos: uma música sem grandes pretensões que possamos ouví-la, enquanto comemos ou, mesmo que estejamos ouvindo um som no meio de um trânsito infernal.
Bem, falei, falei e não disse muita coisa sobre Till Brönner. Em algum post posterior, comentarei com mais detalhes o CD Rio, no qual o alemão tem a companhia de Annie Lennox, Milton Nascimento, Kurt Elling e Sergio Mendes dentre outros.
And I Love Her.
Everybody’s Got to Learn Sometimes.
A mesma música, no original, com The Korgis.
Curiosidade: ela na interpretação de Beck (em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças)
And I Love Her.
Everybody’s Got to Learn Sometimes.
A mesma música, no original, com The Korgis.
Curiosidade: ela na interpretação de Beck (em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças)

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