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terça-feira, 14 de abril de 2026

O encontro adorável de Geri Allen e Kurt Rosenwinkel

Antes, algumas linhas sobre Geri Allen e Kurt Rosenwinkel. Gery, depois de ter se graduado na Howard University, Washington, ao mudar para Nova York foi estudar com Kenny Barron. Iniciou sua carreira musical associando-se ao coletivo M-Base, que teve entre seus mentores Steve Coleman e Greg Osby. Vários músicos que participaram do coletivo, destacaram-se no universo da música, como ela, Graham Haynes, Cassandra Wilson e Robin Eubanks.

Quem conhece a discografia do baixista Charlie Haden, no trio em que ela é a pianista e o baterista é Paul Motian, como In the Year of the Dragon (JMT, 1989) e Segments (DIW, 1989). Um terceiro álbum, com a mesma formação, e Live at The Village Vanguard (DIW, 1991). Tem dezenas de álbuns como líder nos quais toca com músicos importantes, como o ex-marido Wallace Roney, David Murray, Ron Carter, Tony Williams, Andrew Cyrille, Terry Lynne Carrington. Participou de álbuns de Ornette Coleman, Charles Lloyd, Oliver Lake e Betty Carter. Morreu cedo, vítima de câncer, pouco depois de completar 60 anos, em 2017.

Apesar do nome, Kurt é americano nascido na Filadelfia, em 1970. Como Allen, tocou com um mundaréu de gente. Foi sideman de Aaron Goldberg, Mark Turner, Brian Blade, Seamus Blake, Joshua Redman, Chris Potter e, vale destacar, um dos vários guitarristas das bandas de Paul Motian. Mesmo nunca tendo sido considerado o guitarrista nº1 de alguma votação dos críticos da revista “Downbeat”, está sempre classificado entre os dez melhores.Como Pat Metheny, Bill Frisell e outros, criou uma sonoridade original que o identifica facilmente. 

Sobre o duo. Agora podemos abordar sobre o encontro de Geri Allen e Kurt Rosenwinkel que aconteceu no Philharmonie de Paris e virou disco só em outubro de 2033: A Lovesome Thing (Live at Philharmonie de Paris). Em julho de 2012, o guitarrista consultou-a de participar de uma apresentação que faria no The Jazz Standard Club, Nova York. Impressionada de como o som entre eles fluiu tão naturalmente e ficou de agendar um novo encontro, que acabou acontecendo meses depois.

Sem ensaio, encontraram-se no dia e A Lovesome Thing é o registro dessa apresentação memorável. A magia da música é essa: parece algo do além dois músicos se entenderem tão rapidamente. Vi isso na minha juventude, no primeiro Hollywood Festival, acho que em 1978 ou 1979, quando na apresentação de Hermeto Pascoal, John McLaughlin entrou fazendo uns riffs bem tímidos, e logo estava tocando um frevo, provavelmente, sem nunca ter ouvido esse gênero musical na vida. Essa jam foi memorável. Logo entrou Chick Corea fazendo percussão com dois bastonetes de madeira. Meio travadão, entrou Stan Getz, acompanhando a parafernália sonora do velho bruxo de Arapiraca. Da apresentação na Philharmonie de Paris, ouvimos é uma conjunção cósmica entre Allen e Rosenwinkel. Esse momento mágicos são a alegria da vida.

A Flower Is a Lovesome Thing , de Billy Strayhorn, e Embraceable You, de George Gershwin, são standards que ambos devem conhecer “ad nauseam”, portanto, é mais simples estruturarem musicalmente, cada um construindo seus improvisos, sabendo a hora em que dão as deixas para cada um. Ruby My Dear, de Thelonious Monk, é o terceiro standard, e é um destaque do álbum. As composições deles são Simple #2 (Rosenwinkel) e Open-Handed Reach (Allen).

Adoro duos piano/guitarra desde que ouvi pela primeira vez Intermodulation, com Bill Evans e Jim Hall. Esse sim é obra-prima. O de Allen e Rosenwinkel pode não ser, no entanto, entra na classificação de um belo disco, daqueles que ouvimos com muito prazer.

Ouça:



Leia sobre o duo de Bill Evans e Jim Hall em Intermodulation.

terça-feira, 25 de março de 2025

O paraíso de Paul Motian

A primeira vez em que Paul Motian me chamou atenção foi em um disco de Keith Jarrett. Nos anos 1970, o pianista formou um quarteto de respeito, com Dewey Redman (saxofone), Charlie Haden (contrabaixo), Motian (bateria). Uma amiga trouxe El Juicio (Atlantic, 1973), alguns anos antes de o americano ficar conhecidíssimo, pelo menos no Brasil, com seu solo The Köln Concert (ECM, 1975). 

A batida de Motian era diferente, cheio de pausas, um ritmo que não associaria ao mainstream. Tomei gosto pela música instrumental e meus primeiros interesses se direcionaram ao jazz-rock, ou jazz progressivo, como você preferir. Minhas primeiras aquisições foram I Sing the Body Electric e Mysterious Traveller, do Weather Report, No Mystery, da banda de Chico Corea, Extrapolation, de John McLaughlin, e Third, da banda inglesa Soft Machine. Keith Jarrett entrou na história porque tinha tocado com Miles Davis, outra referência seminal. Um amigo de meu pai trouxe Agharta, Get Up with It e Big Fun, do trompetista de quem fã mor. Cheguei a ter cerca de 70 LPs dele. Depois de conhecer seus discos de sua fase elétrica, comprei os da década de 1960, quando a banda era com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams. “Regressivamente” fui comprando os seus primeiros gravados na Prestige Records. Em algum momento Bill Evans entrou na história, por causa de Kind of Blue. Esse maravilhamento pelo estilo de Evans fez com que comprasse tudo o que encontrava dele. Em Sunday at the Village Vanguard (Riverside 1960), além de impressionado com o baixista Scott LaFaro, descubro que baterista era Paul Motian. Pois então: era mainstream e ao longo do tempo foi criando o “estilo Motian”.

Vi duas vezes, o que considero um privilégio, como morador do Brasil, uma vez aqui em São Paulo, e outra no Village Vanguard, Nova York, apresentando-se com Joe Lovano e Bill Frisell. Os três têm registros na ECM, JMT e Winter & Winter.

Além do trio, o que acho mais me interessou foram as formações heterodoxas, em que “dobrava” alguns instrumentos, como dois saxofonistas, dois ou três guitarristas. Alguns fui conhecer justamente em seus álbuns: Kurt Rosenwinkel, Ben Monder, Steve Cardenas e Jakob Bro.

Nessas formações “dobradas” acho especialmente bons Paul Motian on Broadway III (JMT, 1993) e Garden of Eden (ECM 2006). No primeiro, os dois saxofonistas são um exemplo da arte da improvisação. A riqueza das linhas sonoras de ambos em seus solos são para pensarmos que paraísos existem, com sonoridades transcendentais. Sempre tive uma admiração imensa por Lee Konitz. Tocou com deus e o mundo. Ele é o mestre da beleza calma, apolínea no sue modo de tocar. Joe Lovano é um tenorista e soprano que foi revelado um pouco mais tarde. Quando passou a ser mais conhecido já tinha uma experiência que o jogou no topo das listas dos melhores. É outro com uma sofisticação enorme nos seus solos.

No “jardim do paraíso”, Motian escolhe um repertório com composições próprias, de Steve Cardenas, um dos guitarristas – os outros são Ben Monder e Jakob Bro –, de Chris Cheek, um dos saxofonistas – o outro é Tony Malaby –, clássicos de Jerome Kern, Charlie Parker e Charles Mingus, Thelonious Monk. Este último foi gravado pelo baterista de origem armênia em muitas ocasiões. Aliás, é de se pensar nas semelhanças de estilo. São duas sonoridades que se distinguem pelos seus modos idiossincráticos de executarem seus instrumentos.

Ouça Garden of Eden.


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Morre Johnny Mandel, o mestre dos arranjos


Coincidência ou não, muitos arranjadores iniciaram suas carreiras como trombonistas, caso de Bill Holman, Glenn Miller, Melba Liston, e até Ray Conniff. Johnny Mandel, morto em 30 de junho tocava trompete e trombone. Um caso de trompetista que acabou mais famoso como arranjador é Quincy Jones.

Tanto Mandel como Jones ficaram muito conhecidos como compositores de trilhas sonoras. Este último, começou tocando em bandas de jazz e ambicionava muito mais. Sua participação como arranjador em um álbum de Dinah Washington, em 1955, lhe trouxe fama e prestígio. Foi o grande parceiro de Ray Charles, no início de sua carreira, e também arranjador de Count Basie, Frank Sinatra, Sarah Vaughan e outros nomes da música. As gerações mais novas o conhecem por ter sido o artífice da transformação de Michael Jackson em super estrela da música pop.

Johnny Mandel não chegou a tanto e, provavelmente, não tinha a ambição de Jones. O mais próximo da popularidade pop que atingiu foi com a gravação de “Unforgettable”, por Natalie Cole, em que faz um dueto virtual com seu pai Nat King Cole.

Como compositor de trilhas para filmes, alguns temas compostos por ele são standards do cancioneiro americano: “Emily”, “The Shadow of Your Smile” e “Suicide Is Painless”, este, tema de “M*A*S*H.”, filme de Robert Altman. É autor de dois clássicos supremos também: “Here’s to Life” e “Close Enough for Love”.

Como arranjador, citando seus trabalhos menos antigos, trabalhou com Shirley Horn e Diana Krall.

Nesses tempos de pandemia pelo Covid-19, vários músicos, principalmente do jazz, foram suas vítimas — Lee Konitz, Wallace Roney e Ellis Marsalis—, comentados neste blog. Johnny Mandel morreu com 94 anos, em 29 de junho. Não foi revelada a causa.


Ouça “Here’s to Life”, com Shirley Horn. Preste atenção no arranjo. É maravilhoso.




Ouça também “A Time for Love”, composição de Mandel.




Ouça “Close Enough for Love”, interpretada pela genial Shirley Horn.




Ouça “The Shadow of Your Smile”, com Tony Bennett.




E, finalmente, “Suicide Is Painless”, em interpretação do gênio do piano Bill Evans.





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tony Bennett, mais vivo do que nunca

Com 89 anos completados em agosto, Tony Bennett continua mandando bem. É um exemplo de longevidade sem insanidade. Nunca houve alguém como Frank Sinatra, mas este, aos 80, estava um trapo, um fio de voz, o que Tony, até hoje mantém a potência e afinação impecável. Aliás, Frank era fã de Bennett.

Nunca houve ninguém como Bill Evans. Seu xará, de sobrenome Charlap, filho da cantora Sandy Stewart e do compositor Mose Charlap, é um tremendo pianista, com muitos admiradores no meio do jazz. E é esse outro Bill que toca com Tony, revivendo a grande parceria de Evans com o cantor em dois clássicos – The Tony Bennett/Bill Evans Album e Together Again. Em relação ao primeiro – o segundo é de 1977 –, são 40 anos para o lançamento de The Silver Lining: The Songs of Jerome Kern.

E é incrível que 40 anos depois e com quase 90 anos, Tony esteja cantando tão bem. No ano passado, em parceria surpreendente, lançou Cheek to Cheek, com Lady Gaga (leia em http://bit.ly/1MpEQpH). E o que anunciava ser um desastre, saiu ótimo. Até que a moça, em um gênero que não é seu, faz bonito. O disco foi até elogiado pela crítica e vendeu muito bem.

Se os dois álbuns eram voz e piano, em The Silver Lining, apesar de ser no formato duo, sete faixas contam com o baixista Peter Washington e o baterista Kenny Washington, e em quatro, com o acréscimo da também ótima pianista Renee Rosnes, aliás, mulher de Bill. São três músicos que apenas abrilhantam o disco. É tão bom que o fã de Bennett pode curtir a voz de um dos melhores cantores do século passado, que continua firme entre os primeiros neste, fazendo de conta que o pianista pode ser um qualquer, e os admiradores de um bom piano podem só prestar atenção nas linhas extraordinárias que Bill executa no instrumento. Juntando os dois, é o que ouvimos em simbiose perfeita. É um dos melhores lançamentos do ano. Jerome Kern deve estar feliz.

Bill e Tony na música que dá título ao disco.




A melhor faixa do álbum é “They Didn’t Believe Me”. Aqui são acompanhados por Peter Washington e Kenny Washington. Confira.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O meu Miles Davis preferido

Em certo momento da minha vida, tinha 64 LPs (discos de vinil) de Miles Davis. Ele tinha certa importância na minha vida e os 64 LPs eram uma prova. Quando passei a comprar CDs, meu primeiro Miles foi Tutu. Depois de resistir um pouco, acabei por comprar meu primeiro tocador de CD em Nova York, em 1988. Trouxe cerca de 30 CDs. Um deles era esse. Era seu primeiro na nova gravadora, a Warner. Depois de anos de afastamento por causa das drogas, vivendo recluso, voltou em 1981 com The Man with the Horn, mas seu tempo tinha passado. Mesmo assim, alguns discos eram razoáveis. Tutu é um deles, parte pela participação do baixista e produtor Marcus Miller. Outro bom, pela energia, é o ao vivo We Want Miles. Tem um brilhante My Man’s Gone Now, de George Gershwin. Aos poucos substituí todos os LPs pelos CDs e o resultado é que hoje tenho mais que os anteriores 64.

Hoje, ouvindo E.S.P., enquanto dirigia, lembrei-me do quanto gostei e já ouvi esse álbum. É de 1965, da fase do quinteto que incluía Herbie Hancock ao piano, Wayne Shorter no sax, Ron Carter no baixo e Tony Williams na bateria. Fico a pensar se este é o melhor disco de Davis. Nesse momento, sim. Há controvérsias, porém; e muitas. Mesmo dessa fase, a crítica considera Smiles (1966) o melhor. Toda vez que ouço, e isso tem sido cada vez mais raro, acho-o perfeito. A química entre os músicos é perfeita e as autorias são bem distribuídas: E.S.P. e Iris (Wayne Shorter), R.J. (Ron Carter), Agitation (Miles Davis), Eighty-One e Mood (MIles Davis e Ron Carter) e Little One (Herbie Hancock).

Esta última é um dos destaques. Confira.




Shorter é um dos músicos com mais composições gravadas por Miles. Ouça Iris.




Mood é o fecho de ouro de E.S.P.




O primeiro quinteto. Das várias fases de Davis, uma formação foi clássica: Miles no trumpete, John Coltrane no saxofone tenor, Red Garland ao piano, Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria. Mais tarde, Jones foi substituído por Jimmy Cobb, e no lugar de Garland, tocaram na banda Wynton Kelly e Bill Evans.

É de quando Evans esteve na sua banda que foi gravado aquele que é considerado um dos melhores álbuns da história do jazz: Kind of Blue. Evans ficou pouco tempo e partiu para a carreira solo s formou um dos melhores trios de que se tem conhecimento, aquele que contou com a generalidade breve de Scott LaFaro e a bateria de Paul Motian.

De tanto gostar de Kind of Blue, devo ter comprado cada versão que surgiu; o primeiro foi o LP comprado pelo meu pai no Japão. Quando reeditaram em CD, comprei. Mas o mercado é sacana. Sempre lançam uma outra versão para consumidores vorazes e otários, seja anunciando que é uma remasterização, ou que vem com novo encarte, ou que vem com um CD bônus, etc. Caí em todas. A última foi um box com faixas “inéditas” e um DVD. No primeiro constam todas as obras originais, falsos começos, sequências de estúdio, totalizando 15 faixas. No segundo, constam uma versão ao vivo de So What, a primeira do álbum original e cinco que não foram incluídas, mas gravadas entre 1958 e 1959, com o sexteto. Por tempo limitado, vinha uma camiseta azul com imagens do trumpetista na parte da frente e nas costas. Eventualmente, visto Miles.

Se por um momento acho que o melhor disco de Miles – ou o meu preferido – é E.S.P., é porque Kind of Blue é hors concours. Está em um patamar em que não existem mais discussões bobas como essa de ser ou não ser melhor. Nessa gravação, além de Bill Evans, autor de Blue in Green, que Miles “surrupiou” e considerou-o sua, a química perfeita que ocorre com o sax tenor de John Coltrane e o alto de Cannonball Adderley é algo de sublime. Esse álbum representa a mudança do som de Davis do hard bop para o modal, muito responsabilidade de Bill Evans na banda.

Flamenco Sketches fecha o álbum. Davis abre com um solo em surdina; entra Coltrane com um solo “espanholado” sublime, que é sucedido pelo alto limpo de Coltrane e o solo minimalista de Evans.




Ouça Kind of Blue na íntegra.




Uma lista (minha) dos melhores Miles Davis

1.
Da primeira fase, o primeiro citado é considerado um clássico do cool jazz. Os outros três do Original Jazz Classics são do primeiro quinteto consagrado de Miles: John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones.

• The Complete Birth of the Cool (Blue Note, 1950)
• Relaxin’ (OJC, 1956)
• Cookin’ (OJC, 1956)
• Steamin’ (OJC, 1956)

2. Miles é contratado pela Columbia. Nesse período, além dos álbuns com a formação clássica, são importantes os lançados com arranjos de Gil Evans.

• Miles Ahead (1957), com Gil Evans.
• Milestones (1958), com John Coltrane, Cannonball Adderley, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones.
• Kind of Blue (1959)

3. O quinteto com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams.

• E.S.P. (1965)
• Miles Smiles (1966)

4. Na fase de transição para o elétrico, introduz a guitarra de George Benson e “obriga” Herbie Hancock a tocar piano elétrico. Ele não queria, mas o chefe mandou. Gostou tanto que é um dos nomes mais importantes do jazz elétrico. Seu Headhunters (1973) é um clássico.

• Filles de Kilimanjaro (1968). Neste disco quem toca o piano elétrico é Chick Corea e é a primeira participação do baixista inglês Dave Holland.
• In a Silent Way (1969) conta com John McLaughlin na guitarra, Corea e Joe Zawinul nos teclados. A música título, no disco, creditada a Miles é, na verdade, de Zawinul.

5. A fase seguinte representa outra revolução na linguagem do jazz. Miles radicaliza. Toca com tecladistas diferentes (Chick Corea, Larry Young e Joe Zawinul) e muita percussão. Além do trumpete, ataca no órgão executando acordes que atravessam vários compassos.

• Bitches Brew (1969)
• Jack Johnson (1970) é o disco mais “roqueiro” de Miles. John McLaughlin presta tributo a Jimmi Hendrix. É um dos meus preferidos até hoje. Ouça o álbum na íntegra em http://bit.ly/X0qRya
• Big Fun (1972) é outro. Gosto mais deste do que Bitches Brew. É radical. Conta com percussão de Airto Moreira, teclados de Corea, Hancock, Zawinul e Lonnie Smith, as cítaras e tamburas de Kalil Balakrishna e Bihari Sharma. A música Great Expectations é um dos destaques.

Ouça um trecho.




• Agharta (1975). Vários álbuns ao vivo foram lançados depois que Miles se retirou da cena musical por problemas de saúde. Em sua apresentação em São Paulo, uma ambulância ficou estacionada na frente do Theatro Municipal, em caso de algum problema que pudesse ocorrer com ele. A gravação de Agharta são de apresentações da banda composta por Sonny Fortune, Pete Cosey, Reggie Lucas, Michael Henderson, Al Foster e Mtume. São shows de alta voltagem e não devem fazer o gosto de alguns fãs do trumpetista. Ouço esse álbum até hoje com muito prazer. Ouça você um trecho.




6. A fase final. Depois de longo retiro, voltou com The Man with the Horn, em 1981. O álbum é razoável, mas esquecível. Andou gravando temas de Cindy Lauper e Michael Jackson, fazendo releituras interessantes. Os melhores são os citados no começo: Tutu (1986) e o ao vivo We Want Miles (1981)

Ouça My Man’s Gone Now. O baixo é de Marcus Miller, a guitarra, de Mike Stern, e o sax é de Bill Evans. Não confunda com seu homônimo, o genial pianista. Evans “desapareceu”. A única coisa que fez que prestava foi dessa época em que ficou com Davis.