Hoje, ouvindo E.S.P., enquanto dirigia, lembrei-me do quanto gostei e já ouvi esse álbum. É de 1965, da fase do quinteto que incluía Herbie Hancock ao piano, Wayne Shorter no sax, Ron Carter no baixo e Tony Williams na bateria. Fico a pensar se este é o melhor disco de Davis. Nesse momento, sim. Há controvérsias, porém; e muitas. Mesmo dessa fase, a crítica considera Smiles (1966) o melhor. Toda vez que ouço, e isso tem sido cada vez mais raro, acho-o perfeito. A química entre os músicos é perfeita e as autorias são bem distribuídas: E.S.P. e Iris (Wayne Shorter), R.J. (Ron Carter), Agitation (Miles Davis), Eighty-One e Mood (MIles Davis e Ron Carter) e Little One (Herbie Hancock).
Esta última é um dos destaques. Confira.
Shorter é um dos músicos com mais composições gravadas por Miles. Ouça Iris.
Mood é o fecho de ouro de E.S.P.
O primeiro quinteto. Das várias fases de Davis, uma formação foi clássica: Miles no trumpete, John Coltrane no saxofone tenor, Red Garland ao piano, Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria. Mais tarde, Jones foi substituído por Jimmy Cobb, e no lugar de Garland, tocaram na banda Wynton Kelly e Bill Evans.
É de quando Evans esteve na sua banda que foi gravado aquele que é considerado um dos melhores álbuns da história do jazz: Kind of Blue. Evans ficou pouco tempo e partiu para a carreira solo s formou um dos melhores trios de que se tem conhecimento, aquele que contou com a generalidade breve de Scott LaFaro e a bateria de Paul Motian.
De tanto gostar de Kind of Blue, devo ter comprado cada versão que surgiu; o primeiro foi o LP comprado pelo meu pai no Japão. Quando reeditaram em CD, comprei. Mas o mercado é sacana. Sempre lançam uma outra versão para consumidores vorazes e otários, seja anunciando que é uma remasterização, ou que vem com novo encarte, ou que vem com um CD bônus, etc. Caí em todas. A última foi um box com faixas “inéditas” e um DVD. No primeiro constam todas as obras originais, falsos começos, sequências de estúdio, totalizando 15 faixas. No segundo, constam uma versão ao vivo de So What, a primeira do álbum original e cinco que não foram incluídas, mas gravadas entre 1958 e 1959, com o sexteto. Por tempo limitado, vinha uma camiseta azul com imagens do trumpetista na parte da frente e nas costas. Eventualmente, visto Miles.
Se por um momento acho que o melhor disco de Miles – ou o meu preferido – é E.S.P., é porque Kind of Blue é hors concours. Está em um patamar em que não existem mais discussões bobas como essa de ser ou não ser melhor. Nessa gravação, além de Bill Evans, autor de Blue in Green, que Miles “surrupiou” e considerou-o sua, a química perfeita que ocorre com o sax tenor de John Coltrane e o alto de Cannonball Adderley é algo de sublime. Esse álbum representa a mudança do som de Davis do hard bop para o modal, muito responsabilidade de Bill Evans na banda.
Flamenco Sketches fecha o álbum. Davis abre com um solo em surdina; entra Coltrane com um solo “espanholado” sublime, que é sucedido pelo alto limpo de Coltrane e o solo minimalista de Evans.
Ouça Kind of Blue na íntegra.
Uma lista (minha) dos melhores Miles Davis
1. Da primeira fase, o primeiro citado é considerado um clássico do cool jazz. Os outros três do Original Jazz Classics são do primeiro quinteto consagrado de Miles: John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones.
• The Complete Birth of the Cool (Blue Note, 1950)
• Relaxin’ (OJC, 1956)
• Cookin’ (OJC, 1956)
• Steamin’ (OJC, 1956)
2. Miles é contratado pela Columbia. Nesse período, além dos álbuns com a formação clássica, são importantes os lançados com arranjos de Gil Evans.
• Miles Ahead (1957), com Gil Evans.
• Milestones (1958), com John Coltrane, Cannonball Adderley, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones.
• Kind of Blue (1959)
3. O quinteto com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams.
• E.S.P. (1965)
• Miles Smiles (1966)
4. Na fase de transição para o elétrico, introduz a guitarra de George Benson e “obriga” Herbie Hancock a tocar piano elétrico. Ele não queria, mas o chefe mandou. Gostou tanto que é um dos nomes mais importantes do jazz elétrico. Seu Headhunters (1973) é um clássico.
• Filles de Kilimanjaro (1968). Neste disco quem toca o piano elétrico é Chick Corea e é a primeira participação do baixista inglês Dave Holland.
• In a Silent Way (1969) conta com John McLaughlin na guitarra, Corea e Joe Zawinul nos teclados. A música título, no disco, creditada a Miles é, na verdade, de Zawinul.
5. A fase seguinte representa outra revolução na linguagem do jazz. Miles radicaliza. Toca com tecladistas diferentes (Chick Corea, Larry Young e Joe Zawinul) e muita percussão. Além do trumpete, ataca no órgão executando acordes que atravessam vários compassos.
• Bitches Brew (1969)
• Jack Johnson (1970) é o disco mais “roqueiro” de Miles. John McLaughlin presta tributo a Jimmi Hendrix. É um dos meus preferidos até hoje. Ouça o álbum na íntegra em http://bit.ly/X0qRya
• Big Fun (1972) é outro. Gosto mais deste do que Bitches Brew. É radical. Conta com percussão de Airto Moreira, teclados de Corea, Hancock, Zawinul e Lonnie Smith, as cítaras e tamburas de Kalil Balakrishna e Bihari Sharma. A música Great Expectations é um dos destaques.
Ouça um trecho.
• Agharta (1975). Vários álbuns ao vivo foram lançados depois que Miles se retirou da cena musical por problemas de saúde. Em sua apresentação em São Paulo, uma ambulância ficou estacionada na frente do Theatro Municipal, em caso de algum problema que pudesse ocorrer com ele. A gravação de Agharta são de apresentações da banda composta por Sonny Fortune, Pete Cosey, Reggie Lucas, Michael Henderson, Al Foster e Mtume. São shows de alta voltagem e não devem fazer o gosto de alguns fãs do trumpetista. Ouço esse álbum até hoje com muito prazer. Ouça você um trecho.
6. A fase final. Depois de longo retiro, voltou com The Man with the Horn, em 1981. O álbum é razoável, mas esquecível. Andou gravando temas de Cindy Lauper e Michael Jackson, fazendo releituras interessantes. Os melhores são os citados no começo: Tutu (1986) e o ao vivo We Want Miles (1981)
Ouça My Man’s Gone Now. O baixo é de Marcus Miller, a guitarra, de Mike Stern, e o sax é de Bill Evans. Não confunda com seu homônimo, o genial pianista. Evans “desapareceu”. A única coisa que fez que prestava foi dessa época em que ficou com Davis.

Faz uma lista do chet e do coltrane! parabéns pelo blog,é realmente incrível!
ResponderExcluirPedro, está programada a lista.
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