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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O som único do contrabaixo de Eberhard Weber

Weber e seu contrabaixo diferente
Filho de professor de música, Eberhard Weber entrou cedo no Conservatório. Teve sólida formação teórica. Tocando contrabaixo, percebeu que seria mais um em alguma orquestra alemã. Disse em certa feita que “queria ser um virtuose, mas talvez eu não fosse bom o suficiente.”

Weber, como um baixista de formação clássica, nunca pensou-se como alguém na tradição de Ray Brown, Scott LaFaro ou Niels-Henning Ørsted Pedersen. Procurava por uma sonoridade diferente. Não lhe apetecia tocar baixo Fender, como foi o que fez Steve Swallow, depois de ter começado no acústico.

O alemão procurou um luthier que fazia violinos e desenvolveu um contrabaixo elétrico, meio nos moldes do tradicional. O que deveria ser o corpo do contrabaixo, tomou forma de um losango alongado, manteve o espigão e a voluta, e adicionou uma corda. Enfim, criou um híbrido entre o acústico e o elétrico, e assim, uma nova sonoridade, inconfundível, que tornou-se sua marca. Alguns que não o conhecem devem tê-lo ouvido em discos da inglesa Kate Bush.

Ouça o contrabaixo de Weber em Mother Stands for Comfort, de Bush.




O primeiro álbum
Levando em paralelo à música, por alguns anos trabalhou em teatro e televisão. Em 1973, lançou The Colours of Chloë, seu primeiro, e celebrado pela crítica. O crítico Paul Olson classifica-o como “a near-perfect album.”

Montou uma banda com Rainer Brüninghaus nos teclados, Charlie Mariano no sax alto, soprano e flauta shenai, e Jon Christensen na bateria. Com essa formação, gravou o que considero o seu melhor álbum: Yellow Fields. Mariano, que começou lá atrás, em meados dos 1950, estava em uma fase em que se aproximara de sons orientais, e aqui, estava na ponta dos cascos.

Em Touch, música que abre Yellow Fields (1975), serve bem como amostra do som do contrabaixo diferente. Ouça. Tudo é perfeito, o soundscape de Brüninghaus, o soprano de Mariano e a bateria discreta de Christensen.




Ouça também Sand Glass.




Lançou mais de uma dezena de álbuns, todos muito bons pela ECM e participou de vários com outras estrelas da gravadora. O som de seu contrabaixo elétrico deixou a sua marca em discos de Gary Burton, Jan Garbarek, Pat Metheny e Ralph Towner.

Ouça Oceanus, de Ralph Towner. Essa canção está em Solstice (ECM, 1975).




Ouça Unfinished Sympathy, do álbum Ring (ECM, 1977). É um dos melhores de Gary Burton, com uma formação de sonhos: Pat Metheny e Mick Goodrick nas guitarras, Gary no vibrafone, Weber e Steve Swallow, este, no baixo elétrico, e Bob Moses na bateria.




Veja Jan Garbarek e Weber em Trollsyn, em apresentação de 2006.




Acidentes acontecem
Em comemoração aos 65 anos, em 2005, Weber fez uma apresentação com a Sttutgard Radio Symphony Orchestra, acompanhado de alguns músicos que sempre tocaram com ele, como Rainer Brüninghaus, Gary Burton e Jan Garbarek. Dela foi lançado o CD Stages of a Long Journey (ECM, 2007). O melhor de Weber está aqui, em versões orquestrais.

O título, com a supressão de um pedaço, é o nome de uma das composições do show: The Last Stages of a Long Journey. O “last” era premonitório. O contrabaixista teve um derrame sério o suficiente para impossibilitá-lo de tocar para sempre, mas não o de continuar a produzir música.

Nas inúmeras vezes em que tocou com a banda de Jan Garbarek, Weber costumava fazer um interlúdio, solos que serviam de início aos temas. Vários deles foram retrabalhados em estúdio com o acréscimo de teclados eletrônicos, da bateria e percussão de Michael DiPasqua e do saxofone e flauta de Jan Garbarek, e o resultado foi Resumé (ECM, 2012).

Veja Weber e Rainer Brüninghaus executando Heidenheim. Não é a versão que está em Resumé.




Depois de Resumé, em 2015, seguindo o mesmo procedimento, foi lançado Encore. Mas o que é de primeira, é a reunião de vários músicos da ECM e alguns não em Hommage a Eberhard Weber, que saiu no mesmo ano. Com Pat Metheny, Jan Garbarek, Gary Burton, Scott Colley, Danny Gottlieb, Paul McCandless, Michael Gibbs e Helge Sund com a SWR Big Band. Eberhard Weber, em sua modéstia, disse uma vez que “talvez ele fosse bom em esconder as suas falhas.” Se for isso, escondeu bem. É um contrabaixista no nível dos melhores da história do jazz.

Veja a apresentação de Tübingen.




Veja o EPK do álbum.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O encontro mágico de Gary Burton e Eberhard Weber

Gary Burton e Eberhard Weber juntos
O vibrafone, como o piano, é um instrumento percussivo. E são muito diferentes. A invenção do vibrafone é mais recente que a do xilofone e a marimba. A razão de seu som parecer um tanto etéreo (a palavra pode não ser a mais adequada, mas na falta de outra…) se dá pelos trêmolos resultantes do funcionamento do motor elétrico que abre e fecha rapidamente. Tubos verticais de diferentes diâmetros e comprimentos produzem as notas. A marimba era muito comum em bandas latinas que se apresentavam nos clubes norte americanos e isso deve ter contribuído para que o vibrafone, bem menor em tamanho, passasse a ser incluída nas bandas de jazz.

O primeiro grande nome a surgir no vibrafone foi Lionel Hampton. É um dos músicos mais importantes da história do jazz, não somente por isso, mas por sua orquestra, que revelou, dentre outros, Dinah Washington, Charles Mingus, Johnny Griffin, Dizzy Gillespie, Wes Montgomery, Jimmy Cleveland e Illinois Jacquet.

Outros bem conhecidos são Milt Jackson, Red Norvo e Cal Tjader. Em gerações posteriores destacam-se Bobby Hutcherson e Gary Burton, e mais agora, Stefon Harris, Steve Nelson e Jason Adasiewicz.

Gary Burton não tinha 20 anos quando lançou New Vibe in Town (1961). E era um “new vibe” mesmo. Desde então, é um dos nomes mais importantes do instrumento, não só pela excelência técnica, mas por sua capacidade de se renovar criativamente.

Dois eventos foram responsáveis de uma geração de jovens que estavam na faixa dos 20 anos se interessar pelo jazz mais contemporâneo. Um foi a criação dos primeiros festivais direcionados (não exclusivamente, por motivos comerciais) ao gênero. Isso propiciou-os a conhecer novas gerações, como Chick Corea e John McLaughlin, assim como as mais velhas, por meio de Dizzy Gillespie, Zoot Sims, Stan Getz e Benny Carter, e também serviram para que tomasse contato maior com a música instrumental de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Outro evento foi o lançamento de itens do selo ECM. Keith Jarrett, Chick Corea e Pat Metheny ficaram conhecidos aqui quando eram raros os lançamentos de jazz.

Nessas primeiras levas saíram três álbuns que tinham participação de Gary Burton. Dois deles eram com Chick Corea, e outro, Ring. Era diferente e muito interessante, como vários outros discos da ECM, que nos mostravam um som que não era muito parecido com o jazz americano. Era o “the most beautiful sound next to silence”. O pessoal mais chegado ao mainstream odiava.

Em Ring, Burton montou um quinteto dos sonhos, aliás sexteto, pois contou com a participação especialíssima de Eberhard Weber. Com Burton no vibrafone, dois guitarristas – Pat Metheny e Mick Goodrick –, Bob Moses na bateria, Steve Swallow no baixo elétrico e Weber no contrabaixo elétrico, derivado do acústico, o chamado “upright bass”, pois é tocado na vertical, foi um sexteto dos sonhos.


Ouça Intrude.




Ouça The Colous of Chloe, composição de Weber. Ele abre tocando com o arco e depois sola.



Em 2007, Eberhard Weber gravaria um outro álbum com Burton: Passengers, não tão bom quanto o anterior.

Ouça Sea Journey.



Ouça  Nacada.