quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O encontro mágico de Gary Burton e Eberhard Weber

Gary Burton e Eberhard Weber juntos
O vibrafone, como o piano, é um instrumento percussivo. E são muito diferentes. A invenção do vibrafone é mais recente que a do xilofone e a marimba. A razão de seu som parecer um tanto etéreo (a palavra pode não ser a mais adequada, mas na falta de outra…) se dá pelos trêmolos resultantes do funcionamento do motor elétrico que abre e fecha rapidamente. Tubos verticais de diferentes diâmetros e comprimentos produzem as notas. A marimba era muito comum em bandas latinas que se apresentavam nos clubes norte americanos e isso deve ter contribuído para que o vibrafone, bem menor em tamanho, passasse a ser incluída nas bandas de jazz.

O primeiro grande nome a surgir no vibrafone foi Lionel Hampton. É um dos músicos mais importantes da história do jazz, não somente por isso, mas por sua orquestra, que revelou, dentre outros, Dinah Washington, Charles Mingus, Johnny Griffin, Dizzy Gillespie, Wes Montgomery, Jimmy Cleveland e Illinois Jacquet.

Outros bem conhecidos são Milt Jackson, Red Norvo e Cal Tjader. Em gerações posteriores destacam-se Bobby Hutcherson e Gary Burton, e mais agora, Stefon Harris, Steve Nelson e Jason Adasiewicz.

Gary Burton não tinha 20 anos quando lançou New Vibe in Town (1961). E era um “new vibe” mesmo. Desde então, é um dos nomes mais importantes do instrumento, não só pela excelência técnica, mas por sua capacidade de se renovar criativamente.

Dois eventos foram responsáveis de uma geração de jovens que estavam na faixa dos 20 anos se interessar pelo jazz mais contemporâneo. Um foi a criação dos primeiros festivais direcionados (não exclusivamente, por motivos comerciais) ao gênero. Isso propiciou-os a conhecer novas gerações, como Chick Corea e John McLaughlin, assim como as mais velhas, por meio de Dizzy Gillespie, Zoot Sims, Stan Getz e Benny Carter, e também serviram para que tomasse contato maior com a música instrumental de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Outro evento foi o lançamento de itens do selo ECM. Keith Jarrett, Chick Corea e Pat Metheny ficaram conhecidos aqui quando eram raros os lançamentos de jazz.

Nessas primeiras levas saíram três álbuns que tinham participação de Gary Burton. Dois deles eram com Chick Corea, e outro, Ring. Era diferente e muito interessante, como vários outros discos da ECM, que nos mostravam um som que não era muito parecido com o jazz americano. Era o “the most beautiful sound next to silence”. O pessoal mais chegado ao mainstream odiava.

Em Ring, Burton montou um quinteto dos sonhos, aliás sexteto, pois contou com a participação especialíssima de Eberhard Weber. Com Burton no vibrafone, dois guitarristas – Pat Metheny e Mick Goodrick –, Bob Moses na bateria, Steve Swallow no baixo elétrico e Weber no contrabaixo elétrico, derivado do acústico, o chamado “upright bass”, pois é tocado na vertical, foi um sexteto dos sonhos.


Ouça Intrude.




Ouça The Colous of Chloe, composição de Weber. Ele abre tocando com o arco e depois sola.



Em 2007, Eberhard Weber gravaria um outro álbum com Burton: Passengers, não tão bom quanto o anterior.

Ouça Sea Journey.



Ouça  Nacada.

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