terça-feira, 26 de maio de 2015

A festa percussiva de Benjamin Taubkin, Simone Sou e Gui Kastrup

Gui Kastrup, Simone Sou e Benjamin Taubkin
Um início estupendo, vivo: assim é a primeira música de Sons de Sobrevivência. Mais vivo, impossível. Pifaiada lembra um pouco Hermeto Pascoal, um pouco Egberto Gismonti. Mas, longe de qualquer especulação de que imitem esses dois grandes mestres da música instrumental brasileira. O que apresentam é um som muito original, a começar pela formação inusual: dois percussionistas e um pianista.

O duo de percussionistas tem um nome, por si, curioso. Simone, nascida Sousa, é “Sou”. Guilherme Kastrup, que por um momento confundo o sobrenome com uma das personagens capitais de Thomas Mann – Hans Castorp, de A Montanha Mágica – usa as quatro letras iniciais para compor o nome do duo: Soukast. “Sou” é a primeira pessoa do verbo ser; muito forte, assim como é a presença de Simone. A união resultante lembra dois outros objetos: a expressão “soul” e a banda Outkast, que é, na verdade, uma dupla, composta por André Lauren Benjamin e Antwan André Patton.

Mas essas ilações não têm nada a ver com o que é o “Soukast Taubkin”. Taubkin, não por acaso, é o sobrenome de Benjamin, junto com André Mehmari, maiorais do piano em São Paulo. E seu instrumento faz a diferença em Pfaiada, faixa de abertura. É o quente e o frio: o calor da percussão enérgica de Simone e Guilherme, também os autores desta música, com o piano “cabeça” de Benjamin. Gota d’Água começa quase sem percebermos. É a segunda faixa. O piano de Taubkin continua introspectivo, com um toque dramático tenso.

O Soukast surgiu assim, como é descrito por Guilherme: ““Do encontro entre duas almas atraídas pelos tambores nasceu o SOUKAST. Duo com a minha parceira Simone Sou. Dois “galego-dos-zoio-azul-e-pé-preto”, como ela mesma nos apelidou um dia! Tivemos como ponto de partida o desafio de fazer música somente com nossas percuterias e samplers. Criamos um repertório e um espetáculo, nos divertimos um bocado e passamos a convidar amigos pra passear e participar dessas paisagens sonoras.” Simples assim.

Simples também foi o início da parceria com Taubkin, assim descrito por ele: “Em 2010 recebi um convite pra tocar em um concerto com o SouKast – o duo do Gui com a Sou. Já havia curtido muito o duo ao vê-los em uma apresentação na Dinamarca. E sempre fui muito fã dos dois. Assim que foi com alegria que recebi este chamado. Fizemos esta apresentação em uma séria instrumental do Sesc. E aconteceu tudo da melhor forma. Tocamos peças ensaiadas e improvisamos. A minha participação desde o primeiro encontro, se deu criando em cima do que eles já haviam composto.Fui imaginando harmonias e melodias, sobre as peças por eles criadas e que soam muuuito bem só com o duo, como vocês podem ouvir no Tocador.”

Agora, em 2015, está sendo lançado Sons de Sobrevivência pelo Núcleo Contemporâneo, selo criado por Taubkin, e internacionalmente, sai pelo Adventure Music.

Veja a apresentação de Pfaiada no show do Sesc, em 2011, tendo Taubkin como convidado.






Veja outro número: Vinheta Pétalas e Improviso. Esta não faz parte do CD Sons de Sobrevivência.




Veja-os em O Tocador, composição de Simone e Oleg Fateev, seu parceiro pelas aventuras internacionais.




Sou fã de carteirinha de Benjamin Taubkin. Acho que, por isso, a minha preferida é Improviso (E o Que Veio Depois), depois de Pfaiada. Ouça.