segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Buddy DeFranco morre aos 91

Por uma coincidência daquelas, estou ouvindo Wailers, de Buddy DeFranco, álbum lançado em 1956, ano do meu nascimento, e sem ter o que fazer senão ficar bestando nesses dias entrefestas, depois de ter dado um passeio pela cidade, pretexto para tomar um café expresso, fico vagando pelos sites, e no do IG, que abro raramente, me deparo com a notícia de que ele morreu. E nem foi hoje. Foi na quarta, véspera de Natal. Não tinha lido a notícia em nenhum outro lugar.

O mês de dezembro é pródigo em “matar” pessoas. É um dos meses preferidos do destino. Dave Brubeck, Ravi Shankar, Bob Brookmeyer, Cassia Eller, Christopher Hitchens, Oscar Niemeyer, Christa Wolff, Vaclav Hável e Ronald Searle morreram em dezembro. Neste ano, soubemos de poucos. Bom, faltam alguns dias para o ano terminar. Pelo menos, do jazz, Buddy DeFranco é o primeiro de quem tenho notícia.

A clarineta foi um instrumento importante no jazz dos anos 1920 e 1930. O nome mais importante, sem dúvida, foi Benny Goodman, secundado por Pee Wee Russell, Artie Shaw e Johnny Dodds. A sonoridade da madeira deu lugar ao som metálico dos saxofones na era do bebop. O único destaque de fato nos anos 1950 foi Buddy DeFranco. Outro, menos conhecido e mais reconhecido como grande inovador foi Jimmy Giuffre.

Norman Granz é o criador do JATP – Jazz at Philharmonic. Ele teve a ideia de reunir grandes nomes do jazz e fazer shows. Metido na música, criou o selo Clef, em 1946, a Norgram, e a Verve, considerada até hoje, um dos grandes lançadores do jazz. Depois da Verve, criou a Pablo. Nessas apresentações do JAPT, reunia, na mesma noite Oscar Peterson, Lester Young, Ben Webster, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e… Buddy DeFranco.

Buddy foi um dos músicos que fizeram parte da Verve e continuaram com o produtor na Pablo, assim como Dizzy Gillespie, Oscar Peterson e outros nomes do mainstream do jazz. Depois do fim da Pablo, gravou em outros selos, como a Concord Jazz. Gravou mais de 150 álbuns. É um número e tanto. DeFranco influenciou gerações posteriores como Bob Wilber, Eddie Daniels e Kenny Davern. A clarineta continua um instrumento presente no século XXI com grandes músicos como Anat Cohen e Don Byron.

Vamos ouvir Buddy DeFranco em períodos diferentes.

Makin’ Whoopie, em gravação de 1956 com o genial Art Tatum.



Buddy DeFranco e Mike Gibbs executam Giant Steps, de John Coltrane (1987).




Em apresentação de 1983, DeFranco toca Yesterdays. Veja.




Ouça DeFranco com Oscar Peterson em I Got Rhythm. Os dois gravaram juntos em várias ocasiões. Um dos álbuns gravados, de 1955, é The George Gershwin Songbook. Há um outro, lançado em 1985, pela Pablo, chamado Hark.