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| Lilly, por Dorthe F. Svendsen |
Em 1956, as notícias não chegavam na velocidade da luz. Ao contrário, percorriam por ondas de rádio ou ia boca a boca. Mesmo assim, rapidamente, brasileiros antenados a elegeram como a musa, com “m” maíusculo, se ela se tornasse alguma letra de Dennis Bream, ou melhor, Augusto Duarte Ribeiro, seu nome real, e o “a” como artigo definido.
“Cry Me a River”, apenas voz e guitarra, e o LP “Chet Baker Sings”, de 1954, em que o trompetista ataca de cantor, estão na raiz do surgimento da Bossa Nova.
Quem é Lilly
Não são muitos os artistas que resolvem adotar como nome artístico o prenome por uma razão simples: não ser confundida com os milhares, ou milhões, de “xarás”. Ser Lilly apenas é um risco. É raro. Lembro-me apenas, no jazz, de Jacintha, natural de Cingapura, ou o percussionista Mtume, cujo primeiro nome é James.
Lilly é Lilly-Ann Hertzman e nasceu na Dinamarca, de pai de lá e mãe japonesa. É formada pela Royal Academy of Music de Silkeborg/Aarhus. São dados que colho em seu site (https://lillysongs.com). “Tenderly” é seu quarto álbum. Lançado em dezembro de 2017, segue a forma consagrada por Julie London e Barney Kessell. No caso dela, o guitarrista é o israelense Gilad Hekselman. Findam aqui as comparações.
O site allboutjazz, na pessoa de Jakob Baekgaard (https://www.allaboutjazz.com/tenderly-lilly-gateway-music-review-by-jakob-baekgaard.php) confere 4,5 estrelas ao disco. Escreve que Lilly é “ainda um segredo fora de seu país.” Exato. Jakob, que deve ser escandinavo, é um dos que conhecem o “segredo”. A tônica é “tenderly” e, por isso, o título. Sem ser uma cantora excepcional, sua voz dá conta do recado. Algumas interpretações são muito boas. E a guitarra de Hekselman é bela em sua discrição.
Ouça “You Go to My Head”.
A minha preferida é Lilly - Hvem Kan Sejle [Whistling Away The Dark].
Se você quiser conhecer o álbum na íntegra, acesse https://lillysongs.com/albums
