Esqueçam a versão da banda de rock Green Day de
Boulevard of Broken Dreams. Por melhor que seja, nunca será tão boa quanto é a que foi composta em 1934 por Al Dubin (letras) e Harry Warren (música), para o filme
Moulin Rouge, dirigido por Sidney Lanfield. Quem se apropriou do nome foram os do Green Day.
A música tem um sabor latino, algo entre um tango e um bolero, e, contraditoriamente, possui uma letra amarga (“Eu ando pela rua da amargura/ O bulevar dos sonhos desfeitos/ Onde gigolô e gigolete/ Podem levar um beijo sem arrependimentos/ E assim esquecerem dos seus sonhos desfeitos”). Não existem tantos registros dessa música, curiosamente.
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| Bennett, bem mais jovem; o nariz continua igual |
A minha preferida é a de Tony Bennett. Bem, mas qual? Tony deve tê-la gravado umas três vezes. A primeira, de 1950, segue o ritmo da original (está disponibilizado abaixo). A de que gosto mesmo, é a que está no álbum que gravou com o pianista Ralph Sharon –
Astoria: Portrait of an Artist (1990). Não é “esfuziante”, é mais uma balada, mais de acordo com a letra.
No disco
All for You (1996), tributo de Diana Krall ao trio de Nat King Cole, está o segundo
Boulevard, na minha classificação, friso (gosto não se discute, apenas se lamenta: não é o que dizem?). O que está disponibilizado abaixo é um pouco diferente da que consta no disco, mas é belíssima também.
Outra interpretação que vale a pena – até porque combina com ela –, é a de Marianne Faithfull. A de King Cole segue um pouco os tempos em que foi gravada: é “latinizada”, como a original. Como se vê pelo ano em que foi composta
Boulevard, vê-se que a influência dos ritmos latinos e caribenhos é anterior à Segunda Guerra. Basta lembrarmos de Carmen Miranda.
Para complementar, Amy Winehouse andou cantando essa música nas apresentações que fez no Brasil; e não é a do Green Day. Ela tem bom gosto.
Constance Bennett em Moulin Rouge.
Com Nat King Cole:
Diana Krall canta. Preste atenção no guitarrista Russell Malone, antecessor de Anthony Wilson, e também no “caco” de The Peacocks, de Jimmie Rowles, no solo que faz ao piano.
Marianne Faithfull canta.
Tony Bennettt