quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os “bróder” Black Keys

Eterno retorno: modas vão e voltam, tanto na música como no visual

O álbum Brothers, lançado em maio de 2010, do Black Keys, ficou em segundo lugar entre as melhores de 2010 pela revista Rolling Stone. A banda não é nova: existe desde 2001. A voz do guitarrista Dan Auerbach lembra um pouco a de Paul Rodgers, do Free, dos anos 1970. Mera coincidência, pois longínqua. Dan e o baterista Patrick Carney fazem um som poderoso, americano que, às vezes lembra as guitarras sujas de Neil Young.

Há pelo menos uma música excepcional: The Only One. Cantada em falsete, bateria bem marcada, um órgão “chinfrim” que se contrapõe a poucas notas na guitarra. Ouça.



O disco é climático, melodioso e poderoso. Uma amostra de mais duas músicas:

Tighten Up, no Jools Holland.



Howlin’ for You, no Jools Holland.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

The Boulevard of Broken Dreams

Esqueçam a versão da banda de rock Green Day de Boulevard of Broken Dreams. Por melhor que seja, nunca será tão boa quanto é a que foi composta em 1934 por Al Dubin (letras) e Harry Warren (música), para o filme Moulin Rouge, dirigido por Sidney Lanfield. Quem se apropriou do nome foram os do Green Day.

A música tem um sabor latino, algo entre um tango e um bolero, e, contraditoriamente, possui uma letra amarga (“Eu ando pela rua da amargura/ O bulevar dos sonhos desfeitos/ Onde gigolô e gigolete/ Podem levar um beijo sem arrependimentos/ E assim esquecerem dos seus sonhos desfeitos”). Não existem tantos registros dessa música, curiosamente.

Bennett, bem mais jovem; o nariz continua igual
A minha preferida é a de Tony Bennett. Bem, mas qual? Tony deve tê-la gravado umas três vezes. A primeira, de 1950, segue o ritmo da original (está disponibilizado abaixo). A de que gosto mesmo, é a que está no álbum que gravou com o pianista Ralph Sharon – Astoria: Portrait of an Artist (1990). Não é “esfuziante”, é mais uma balada, mais de acordo com a letra.

No disco All for You (1996), tributo de Diana Krall ao trio de Nat King Cole, está o segundo Boulevard, na minha classificação, friso (gosto não se discute, apenas se lamenta: não é o que dizem?). O que está disponibilizado abaixo é um pouco diferente da que consta no disco, mas é belíssima também.

Outra interpretação que vale a pena – até porque combina com ela –, é a de Marianne Faithfull. A de King Cole segue um pouco os tempos em que foi gravada: é “latinizada”, como a original. Como se vê pelo ano em que foi composta Boulevard, vê-se que a influência dos ritmos latinos e caribenhos é anterior à Segunda Guerra. Basta lembrarmos de Carmen Miranda.

Para complementar, Amy Winehouse andou cantando essa música nas apresentações que fez no Brasil; e não é a do Green Day. Ela tem bom gosto.


Constance Bennett em Moulin Rouge.




Com Nat King Cole:




Diana Krall canta. Preste atenção no guitarrista Russell Malone, antecessor de Anthony Wilson, e também no “caco” de The Peacocks, de Jimmie Rowles, no solo que faz ao piano.




Marianne Faithfull canta.




Tony Bennettt

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Diana Krall também compõe

O fato é que Diana nasceu pronta. Quando lançaram pelo selo GRP, em 1995, o álbum Only Trust Your Heart, tornando-a conhecida no mercado americano, era um talento consolidado. Tinha demonstrado no primeiro disco – Stepping Out –, lançado em 1993 pela gravadora canadense Justin’Time. 

Gravado em formato trio (John Clayton no baixo, e Jeff Hamilton na bateria, seus parceiros até hoje), parece um disco de uma veterana e não o de uma noviça. Estão lá a voz segura e cheia de personalidade, um piano competentíssimo, suingue contagiante e ótimo gosto na escolha de repertório. Tem um Body and Soul deslumbrante, daqueles que o saudoso Carlos Conde (tinha todas as gravações possíveis dessa música. Leia em http://bit.ly/eKayLn) reconheceria como muito boa.

Diana e Jimmie
Por isso não é exagero dizer que Krall nasceu pronta. Ray Brown conheceu-a quando era adolescente ainda em Nanaimo, Canadá, sua cidade natal. Querendo aperfeiçoar-se no piano, tempos depois, pediu uma sugestão para o baixista. Ele pensou em Hank Jones e Jimmie Rowles. Ficou com o segundo. Perfeito. Rowles, além de ótimo pianista cantava eventualmente, de um modo bem peculiar (mais músico-cantor que cantor-músico). É também autor de uma das mais belas canções de todos os tempos – The Peacocks. O estilo de Krall no piano é uma mix de Nat King Cole e de seu ex-professor. Cantando, desde o início da carreira, é “ela”. Não é emulação de qualquer das divas como Billie Holiday, Ella Fitzgerald ou alguma cantora branca conhecida. É ela e, pronto.

Depois de Only Trust Your Heart, Krall lançou All for You (Dedicated to Nat King Cole Trio), em 1996. É um tributo mais ao pianista Nat do que ao cantor Nat. É brilhante, um dos melhores que gravou até hoje. Para quem desconhece, o trio de Nat era ele ao piano, Oscar Moore na guitarra, e Wesley Prince no baixo. É claro que, como tributo, não podia faltar um Hit that Jive Jack ou Baby Baby all the Time. Agora, bom mesmo é ouvir Diana Krall cantando Boulevard of Broken Dreams. É especial.

Todos conhecem o lado cantora de Diana. Eventualmente, compõe. Em seu primeiro disco, tem uma composição chamada Jimmie, homenagem a dois Jimmies: seu pai e Jimmie Rowles. Preste atenção. Tem um “quê” de Bill Evans, e de Rowles, especialmente. Ouça.




Os posts anteriores sobre Diana:
http://bit.ly/f7geQk
http://bit.ly/fJXfQ3
http://bit.ly/fOfUEZ