terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Diana Krall também compõe

O fato é que Diana nasceu pronta. Quando lançaram pelo selo GRP, em 1995, o álbum Only Trust Your Heart, tornando-a conhecida no mercado americano, era um talento consolidado. Tinha demonstrado no primeiro disco – Stepping Out –, lançado em 1993 pela gravadora canadense Justin’Time. 

Gravado em formato trio (John Clayton no baixo, e Jeff Hamilton na bateria, seus parceiros até hoje), parece um disco de uma veterana e não o de uma noviça. Estão lá a voz segura e cheia de personalidade, um piano competentíssimo, suingue contagiante e ótimo gosto na escolha de repertório. Tem um Body and Soul deslumbrante, daqueles que o saudoso Carlos Conde (tinha todas as gravações possíveis dessa música. Leia em http://bit.ly/eKayLn) reconheceria como muito boa.

Diana e Jimmie
Por isso não é exagero dizer que Krall nasceu pronta. Ray Brown conheceu-a quando era adolescente ainda em Nanaimo, Canadá, sua cidade natal. Querendo aperfeiçoar-se no piano, tempos depois, pediu uma sugestão para o baixista. Ele pensou em Hank Jones e Jimmie Rowles. Ficou com o segundo. Perfeito. Rowles, além de ótimo pianista cantava eventualmente, de um modo bem peculiar (mais músico-cantor que cantor-músico). É também autor de uma das mais belas canções de todos os tempos – The Peacocks. O estilo de Krall no piano é uma mix de Nat King Cole e de seu ex-professor. Cantando, desde o início da carreira, é “ela”. Não é emulação de qualquer das divas como Billie Holiday, Ella Fitzgerald ou alguma cantora branca conhecida. É ela e, pronto.

Depois de Only Trust Your Heart, Krall lançou All for You (Dedicated to Nat King Cole Trio), em 1996. É um tributo mais ao pianista Nat do que ao cantor Nat. É brilhante, um dos melhores que gravou até hoje. Para quem desconhece, o trio de Nat era ele ao piano, Oscar Moore na guitarra, e Wesley Prince no baixo. É claro que, como tributo, não podia faltar um Hit that Jive Jack ou Baby Baby all the Time. Agora, bom mesmo é ouvir Diana Krall cantando Boulevard of Broken Dreams. É especial.

Todos conhecem o lado cantora de Diana. Eventualmente, compõe. Em seu primeiro disco, tem uma composição chamada Jimmie, homenagem a dois Jimmies: seu pai e Jimmie Rowles. Preste atenção. Tem um “quê” de Bill Evans, e de Rowles, especialmente. Ouça.




Os posts anteriores sobre Diana:
http://bit.ly/f7geQk
http://bit.ly/fJXfQ3
http://bit.ly/fOfUEZ

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