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| Joni Mitchell quando jovem |
Joni sofre de uma misteriosa enfermidade conhecida como Síndrome de Morgellons. Discute-se se é uma doença física ou psicológica. Entretanto, pesquisas médicas associam-na ao uso de drogas. Ela cita uma excursão, a Rolling Thunder Revue, em 1975, com Bob Dylan e Joan Baez, em que consumiram muita cocaína. A única a não entrar na onda foi Baez.
Mas os problemas de saúde são bem anteriores e podem ter resultado em outros por consequência. Quando tinha dez anos, teve poliomielite, que a deixou paralisada. Em entrevista ao Daily Mirror, disse que alguns sintomas da pólio voltaram na época em que namorava o baterista e percussionista Don Alias que, muito ciumento, agrediu-a mais de uma vez. Na biografia recém lançada, “Reckless Daughter: A Portrait of Joni Mitchell”, de David Yaffe, conta também que, uma vez, acompanhou Alias a uma jam com Miles Davis. Sendo tão ciumento, não fez nada quando o trompetista pulou em cima dela, estranhamente. A sorte é que ele estava tão chapado de cocaína, que conseguiu escapar. No histórico de violências, teve outro namorado violento: John Guerin, por coincidência, também baterista.
Quando fazia a escola de arte, em Calgary, Canadá, perdeu a virgindade com Brad McMath e engravidou. Muito jovem, entregou a filha para a adoção. Por muito tempo, foi um segredo. Mudou-se para Toronto, decidida a tentar a carreira artística. Conheceu o folk singer Chuck Mitchell e casou-se. Não durou dois anos. Chegou ao fim em 1967. Joan Anderson adotou Joni Mitchell como nome artístico. Assim ficou conhecida uma das mais talentosas compositoras e intérpretes do século passado.
California girl
A garota canadense dos cabelos dourados partidos ao meio, conquistou o coração de David Crosby, que a levou para a Califórnia e tornou-se, nas palavras de seu biógrafo, “uma elegante princesa boêmia”. Lançou seu primeiro álbum. “Song to a Seagull”, produzido pelo namorado Crosby, em 1978. Joni tinha composições gravadas por outros intérpretes, como “Both Sides Now”, por Judy Collins, “Chelsea Mornng”, “Eastern Rain”, “Urge for Going” e “The Circle Game”, mas preferiu apenas temas inéditos em sua estreia no mercado fonográfico.
Nossa casinha
Joni montou a sua casa na Lookout Mountain Road, em Laurey Canyon, bairro de Los Angeles, que, na época, servia de morada de um sem número de músicos: Frank Zappa, Carole King, membros do The Doors, Buffalo Springfield, Byrds e Canned Heat. Em um encontro na sua casa estavam Stephen Stills, David Crosby. Ambos tocavam “You Don’t Have to Cry”, música em que estavam trabalhando. Graham Nash, vocalista dos Hollies, que estava de férias da Inglaterra, era um dos convidados. Tocada várias vezes, Nash deu uma de “entrão” e fez a terceira voz, com sua bela voz de tenor. A combinação foi sublime. Era o que faltava para o que Stills e Crosby pensavam em montar. Assim nasceu a fabulosa Crosby, Stills & Nash, mais tarde acrescida do canadense Neil Young. Enquanto Nash estava se entendendo musical, em outra sintonia, entendia-se com Mitchell.
Em pouco tempo, estava morando na casa de Joni. Em certa ocasião, passeavam e viram um vaso em uma loja de antiguidades que a interessou. Era uma noite chuvosa. “Por que você não põe flores no vaso, que eu acendo a lareira?” Logo que disse isso, surgiu uma ideia. Foi ao piano. “Eu acendo a lareira/ E você coloca as flores no vaso/ Que comprou hoje.” Foram os primeiros versos da doce “Our House”, canção que retratava, de algum modo, a felicidade doméstica. Mas não era essa a felicidade que Joni queria para ela. “Clouds”, o segundo álbum, estava sendo gravado. O casamento acabou quando terminava o ano de 1969.
Amores musicais
Joni ama a música e os músicos. Teve casos com James Taylor e Jackson Browne, Don Alias e John Guerin, citados anteriormente, e Jaco Pastorius. Todos foram parceiros musicais também. Preferia os músicos. Rechaçou investidas de Warren Beatty e Jack Nicholson. Ela conta que conseguiu escapar do assédio deles porque estava com o carro dela.
“Wild Things Run Fast”, de 1982, é o primeiro que gravou pela Geffen Records e o primeiro com o baixista Larry Klein. Nesse mesmo ano casou com ele. O disco, mesmo com a participação de Wayne Shorter em três faixas, representa um afastamento de elementos do jazz, que tinha incorporado desde “Hejira”.
A juventude de Klein – tinha 25 anos e ela 39, quando casaram – deu um novo gás. Houve uma guinada para uma linguagem mais pop. Klein revelou-se ótimo produtor e parceiro musical. Cercou-se de bons músicos, incluindo Wayne Shorter, que nunca deixou de fazer suas participações especiais, o baterista Brian Blade, Vinnie Colaiutta e Greg Leisz.
Sem comparar, era uma nova Joni. Seus discos podem não ser tão importantes quanto os gravados no selo Asylum, mas Joni ainda era capaz de compor música de boa qualidade. O melhor é dentre esses é “Turbulent Indigo” (Reprise Records), com os destaques “Sex Kills” e “The Magdalene Laundries”.
Joni e Larry deviam se amar. O casamento durou doze anos e continuaram amigos após a separação. Mas ele deve ter projetado uma relação mais estável. Queixou-se que ela não mudou no seu estilo de vida: continuou a fumar muito, quase não dormia, consumia em boas quantidades cocaína e capuccinos. Sentia-se cada vez mais irritada e perdida financeiramente. Teve de indenizar em 250 mil dólares a sua empregada, que a acusou de tê-la agredido. No verão de 1985, quase foi atropelada por um adolescente bêbado na Pacific Coast Highway, em Malibu, e quando voltou ao mesmo lugar, semanas depois, quase aconteceu a mesma coisa. Se a vida de Joni continuava turbulenta, para Larry não devia estar sendo fácil. Separou-se e atualmente está com a brasileira Luciana Souza.
É um tanto triste ver Joni com problemas para se movimentar. Pela sua descrição, o mal que a acomete é bem complicado e assustador: “Eu tenho essa doença estranha e incurável que parece vir do espaço sideral. A síndrome de Morgellons é um assassino lento e imprevisível – uma doença terrorista: explodirá um de seus órgãos, deixando você na cama por um ano.”
Bom, chega de papo e vamos ouvir a clássica “Sex Kills”.
É um tanto triste ver Joni com problemas para se movimentar. Pela sua descrição, o mal que a acomete é bem complicado e assustador: “Eu tenho essa doença estranha e incurável que parece vir do espaço sideral. A síndrome de Morgellons é um assassino lento e imprevisível – uma doença terrorista: explodirá um de seus órgãos, deixando você na cama por um ano.”
Bom, chega de papo e vamos ouvir a clássica “Sex Kills”.
