![]() |
| Lorez Alexandria, antes de ficar loura |
Ela começou cantando em igrejas, participando de coros. Essa história você conhece. Corresponde ao início de inúmeros intérpretes negros que vieram à luz da fama. Na maioria, nasceram em ambientes de pobreza, e muitos foram criados por mães abandonadas por homens irresponsáveis. Não é o caso de Delorez Alexandria Turner: foi criada por pai e mãe.
A exemplo de muitos casos semelhantes, digo de quem viu despertado o talento para o canto em igrejas, o próximo passo foram os clubes e bares. Delorez adotou Lorez Alexandria como nome artístico. Tocou com o pianista e arranjador King Fleming e com ele gravou alguns discos pela King Records. Destes, o destaque é Singing Songs Everybody Knows, de 1960. Na capa era apresentada como a “the sensational voice of…”
Mudou-se de Chicago para Los Angeles em 1962 e ficou loura. São dessa época Alexandria The Great e More of The Great Alexandria, os álbuns mais conhecidos de Lorez, distribuídos pelo selo Impulse. São grandes discos nos quais é acompanhada por Bud Shank, Paul Horn, Victor Feldman, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb, os três últimos, parte de um dos grandes quartetos de Miles Davis.
É sempre bom ter uma marca, uma individualidade. No aprendizado é natural que alguém queira soar, no saxofone, a um Stan Getz, um John Coltrane ou Ben Webster. Faz parte do amadurecimento desenvolver voz própria. A voz é como uma digital: não há uma igual, mas é fácil fazê-la parecida à de outras. Há, é claro, aquelas que são especiais e únicas como as vozes de uma Carmen McRae, Sarah Vaughan ou Billie Holiday. No andar abaixo, no rol dos que não são geniais, destacar-se é mais complicado. Lorez conseguiu com um estilo sóbrio, voz limpa, cálida, sensual na medida. Desde pequena destacou-se cantando spirituals nas igrejas metodistas. O caminho a seguir poderia ter sido o da tradição de uma Mahalia Jackson mas, por gosto pessoal, não lhe atraía o estilo “shouter”. Mesmo sendo o estilo da moda na época, preferiu o jeito mais contido, menos “Betty Boop”, exagerado, como escreve o produtor Bob Thiele nas “liner notes”.
Infelizmente, Lorez não ficou conhecida como merecia. Quase tudo o que gravou está fora de catálogo, inclusive os da Muse Records de 1991 a 1993, que foram os últimos. Mesmo na iTunes Store a oferta de compra das performances da cantora são limitadas. Lorez é como está descrito na primeira linha de sua biografia na Wikipedia: “one of the most gifted and underrated jazz singers of the twentieth century”.
Ouça a belíssima Angel Eyes, de Singing Songs Everybody Knows.
A exemplo de muitos casos semelhantes, digo de quem viu despertado o talento para o canto em igrejas, o próximo passo foram os clubes e bares. Delorez adotou Lorez Alexandria como nome artístico. Tocou com o pianista e arranjador King Fleming e com ele gravou alguns discos pela King Records. Destes, o destaque é Singing Songs Everybody Knows, de 1960. Na capa era apresentada como a “the sensational voice of…”
Mudou-se de Chicago para Los Angeles em 1962 e ficou loura. São dessa época Alexandria The Great e More of The Great Alexandria, os álbuns mais conhecidos de Lorez, distribuídos pelo selo Impulse. São grandes discos nos quais é acompanhada por Bud Shank, Paul Horn, Victor Feldman, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb, os três últimos, parte de um dos grandes quartetos de Miles Davis.
É sempre bom ter uma marca, uma individualidade. No aprendizado é natural que alguém queira soar, no saxofone, a um Stan Getz, um John Coltrane ou Ben Webster. Faz parte do amadurecimento desenvolver voz própria. A voz é como uma digital: não há uma igual, mas é fácil fazê-la parecida à de outras. Há, é claro, aquelas que são especiais e únicas como as vozes de uma Carmen McRae, Sarah Vaughan ou Billie Holiday. No andar abaixo, no rol dos que não são geniais, destacar-se é mais complicado. Lorez conseguiu com um estilo sóbrio, voz limpa, cálida, sensual na medida. Desde pequena destacou-se cantando spirituals nas igrejas metodistas. O caminho a seguir poderia ter sido o da tradição de uma Mahalia Jackson mas, por gosto pessoal, não lhe atraía o estilo “shouter”. Mesmo sendo o estilo da moda na época, preferiu o jeito mais contido, menos “Betty Boop”, exagerado, como escreve o produtor Bob Thiele nas “liner notes”.
Infelizmente, Lorez não ficou conhecida como merecia. Quase tudo o que gravou está fora de catálogo, inclusive os da Muse Records de 1991 a 1993, que foram os últimos. Mesmo na iTunes Store a oferta de compra das performances da cantora são limitadas. Lorez é como está descrito na primeira linha de sua biografia na Wikipedia: “one of the most gifted and underrated jazz singers of the twentieth century”.
Ouça a belíssima Angel Eyes, de Singing Songs Everybody Knows.
My One and Only Love.
But Beautiful.
Over the Rainbow.

