quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Lorez Alexandria, the Great

Lorez Alexandria, antes de ficar loura

Ela começou cantando em igrejas, participando de coros. Essa história você conhece. Corresponde ao início de inúmeros intérpretes negros que vieram à luz da fama. Na maioria, nasceram em ambientes de pobreza, e muitos foram criados por mães abandonadas por homens irresponsáveis. Não é o caso de Delorez Alexandria Turner: foi criada por pai e mãe.

A exemplo de muitos casos semelhantes, digo de quem viu despertado o talento para o canto em igrejas, o próximo passo foram os clubes e bares. Delorez adotou Lorez Alexandria como nome artístico. Tocou com o pianista e arranjador King Fleming e com ele gravou alguns discos pela King Records. Destes, o destaque é Singing Songs Everybody Knows, de 1960. Na capa era apresentada como a “the sensational voice of…”

Mudou-se de Chicago para Los Angeles em 1962 e ficou loura. São dessa época Alexandria The Great e More of The Great Alexandria, os álbuns mais conhecidos de Lorez, distribuídos pelo selo Impulse. São grandes discos nos quais é acompanhada por Bud Shank, Paul Horn, Victor Feldman, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb, os três últimos, parte de um dos grandes quartetos de Miles Davis.

É sempre bom ter uma marca, uma individualidade. No aprendizado é natural que alguém queira soar, no saxofone, a um Stan Getz, um John Coltrane ou Ben Webster. Faz parte do amadurecimento desenvolver voz própria. A voz é como uma digital: não há uma igual, mas é fácil fazê-la parecida à de outras. Há, é claro, aquelas que são especiais e únicas como as vozes de uma Carmen McRae, Sarah Vaughan ou Billie Holiday. No andar abaixo, no rol dos que não são geniais, destacar-se é mais complicado. Lorez conseguiu com um estilo sóbrio, voz limpa, cálida, sensual na medida. Desde pequena destacou-se cantando spirituals nas igrejas metodistas. O caminho a seguir poderia ter sido o da tradição de uma Mahalia Jackson mas, por gosto pessoal, não lhe atraía o estilo “shouter”. Mesmo sendo o estilo da moda na época, preferiu o jeito mais contido, menos “Betty Boop”, exagerado, como escreve o produtor Bob Thiele nas “liner notes”.

Infelizmente, Lorez não ficou conhecida como merecia. Quase tudo o que gravou está fora de catálogo, inclusive os da Muse Records de 1991 a 1993, que foram os últimos. Mesmo na iTunes Store a oferta de compra das performances da cantora são limitadas. Lorez é como está descrito na primeira linha de sua biografia na Wikipedia: “one of the most gifted and underrated jazz singers of the twentieth century”.

Ouça a belíssima Angel Eyes, de Singing Songs Everybody Knows.



My One and Only Love.



But Beautiful
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Over the Rainbow.


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