A da esquerda, Baria Qureshi, não está mais na banda
Romy Madley Croft, do trio The xx, faz sons na guitarra que chegam a ser constrangedores de tão simplórios que são. Sua voz é contida e não tem nada de especial, assim como a de Oliver Sim, que toca baixo também. A banda fica completa com Jamie Smith. Um quarto componente, Baria Qureshi, saiu. Há controvérsias quanto a isso: ela diz ter saído “por exaustão”, o resto da banda alega “diferenças”.
Se o The xx é um trio, poderia ter colocado um “x” a mais. Que diferença faria mais um? Mas, voltando à “simploriedade”, é verdade, não há nada de excepcional e, ao mesmo tempo, essa pode ser a forma da “excepcionalidade” dessa banda indie e o fato de ter ganhado o Mercury Prize desbancando Paul Weller, que tem uma história invejável no rock britânico. Fundador do lendário The Jam, cérebro de The Style Council, e depois, chefe de si mesmo, assinando grandes álbuns como Stanley Road, Wild Wood e Heavy Soul, Weller merece qualquer prêmio que possa ser dado ou oferecido.
Se o “x”, nas aulas de matemática, é uma incógnita, é surpreendente que três músicos limitados resultem em uma banda de qualidade. E é. Hipnotiza. Letargicamente, passamos a gostar dela e de suas músicas. Bela banda que realizou um disco surpreendente em que um “x” é recortado no fundo preto e mostra o branco.
Se alguém está colocando em dúvida de que os dois foram os primeiros a gravar em duo na história, não me venham com o Los Indios Tabajaras. Para quem não sabe quem são, uma informação: apesar do nome, um pouco estranho – em espanhol? – era um duo composto por dois brasileiros, habéis no violão. Os dois irmãos, Natalicio e Antenor Lima, se vestiam de índios em suas apresentações. Nos anos 1940, eram contratados da RCA, divisão latina. Com uma música mexicana – Maria Elena – atingiram a estupenda marca de um milhão de discos vendidos e ganharam o Disco de Ouro, agraciamento máximo para qualquer artista.
O Los Indios Tabajaras são apenas um exemplo para se dizer que, certamente, o americano Coryell e o belga Philip Catherine não foram os primeiros a explorar esse formato. Mas de uma coisa não dá para duvidar: o sucesso dessa dupla ocasional inspirou muitos violonistas a montarem conjuntos de dois, ou até mais. Os dois se apresentaram nos primeiro São Paulo–Montreux Jazz Festival, 1978. Para quem não sabe do que se trata e nem assistiu às apresentações, fiquem com inveja. Além dos dois, apresentaram-se Al Jarreau, Chick Corea, John McLaughlin, Dizzy Gillespie, Stan Getz, Benny Carter, Astor Piazzolla, Ray Brown, Zoot Sims, e, entre os brasileiros, Hermeto Pascoal, Helio Delmiro, Hermeto Pascoal, Luiz Eça, Raul de Souza, Marcio Montarroyos. Ficou com inveja?
Coryell (a esq.) e Philip Catherine
Com certeza, aqueles que formariam o Grupo D’Alma – André Geraissati, Ulisses Rocha e Ruy Saleme – estavam lá. E, provavelmente, Luis Bueno, arquiteto e violonista, que, em 1977, se juntaria ao alagoano de Arapiraca, Fernando Melo, para formar uma banda de rock progressivo, inicialmente e, no ano seguinte, o que se tornaria o Duofel, em 1978, estava na plateia. Coincidência? Surgiram depois da apresentação que Larry Coryell e Philip Catherine fizeram em São Paulo. Todos os citados tinham perto de 20 anos na época quando viram essa apresentação inesquecível.
Alguns grandes violonistas conhecidos e consagrados têm se reunido e feito shows em festivais ou gravado CDs e DVs. Um dos primeiros foi o que reuniu John McLaughlin, Al DiMeola e Paco de Lucia, na Califórnia e lançado em CD como Friday Night in San Francisco (1981) . O tema de Mediterranean Sundance, de Al DiMeola, tornou-se um clássico (veja o vídeo da apresentação abaixo). DiMeola e McLaughlin eram bem conhecidos pelos fãs do fusion jazz e Paco de Lucia apenas pelos que tinham visto Carmen, filme de Carlos Saura, Após essa gravação, o mundo conheceu a arte do espanhol de cabelos longos e calva em estágio inicial, pelo menos, naqueles tempos em que ficou conhecido.
Duos, trios ou quartetos de violão ficaram comuns e fórmula certeira de sucesso. Além dos três, ressurgiu um dos criadores desse formato – Larry Coryell –, e o francês cigano Biréli Langrène, todos hábeis instrumentistas. Em todas as apresentações não faltam Mediterranean Sundance e Spain, este, um belíssimo tema de Chick Corea.
Quando Coryell e Catherine vieram ao Brasil, tinham acabado de lançar o álbum Twin House (1977). Cada um deles é ouvido em um dos canais de áudio. É interessante para se comparar as diferenças de estilo de ambos. O disco é uma coleção de originais, em que se destacam Ms. Julie (Coryell) e Home Comings (Catherine). Das alheias, Mortgage on Your Soul (Keith Jarrett) é excepcional, assim como Gloryell (Jimmy Webb), e Nuages, do pai de todos os guitarristas, Django Reinhardt. Os dois gravaram juntos uma segunda vez – Splendid Hotel –, mas é uma relativa decepção. Também, depois de um primeiro tão bom, tal possibilidade era grande.
Ouça “Ms. Julie”. É uma bela abertura para o disco.
Ouça “Twin House”
“Homecomings” é uma das grandes faixas.
Veja os dois no Festival de Montreux, tocando Django Reinhardt.