quinta-feira, 28 de março de 2013

Bebo e Chucho Valdés, pai e filho

O mesmo sorriso de Bebo e Chucho Valdés

Quem leu o texto que escrevi sobre Bebo Valdés (http://bit.ly/ZVXoT7) deve lembrar-se que o comparei com Yoda, personagem de Guerra das Estrelas, o “conhecedor da Força e do uso do sabre da luz”. Bebo era minimalista, o sábio da máxima expressão com o mínimo de notas. Chucho, seu filho, ao contrário, é o gênio extrovertido que inventou o lendário Irakere. Apolo e Dionísio? Não sei. Sei, entretanto, que em razão do meu pendor à melancolia, prefiro Bebo. Gosto de seu jeito pausado e sincopado de tocar.



Bebo saiu de Cuba quando as forças revolucionárias de Fidel Castro derrubaram Fulgêncio Batista. Foi, inicialmente, para o México, passou pelos Estados Unidos e Espanha e estabeleceu-se em Estocolmo a partir de 1963. Como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Pio Leyva e Rubén Gonzales, Bebo tocou com as grandes orquestras que vicejaram durante a época em que os americanos deixavam muito dinheiro em seus cassinos e nightclubs. Se a ascensão de Fidel foi benéfica para o país, por outro lado, deixaram esses músicos à míngua, trabalhando em subempregos. De maneira diferente, apesar de ter saído de Cuba, Bebo caiu também no ostracismo e foi “redescoberto” por Fernando Trueba, diretor espanhol, ao participar de Calle 54, em 2000. Depois de longo tempo sem gravar, lançou Bebo Rides Again, em 1994. Mas a carreira voltou a deslanchar mesmo foi com o filme de Trueba. A parceria continuou com o DVD Blanco y Negro, em que divide o palco com o intérprete de música flamenca Diego El Cigala, e outro – El Milagro de Candeal –, belo documentário que aborda a cultura baiana e o trabalho em favor da comunidade pobre de Carlinhos Brown. Coincidentemente, Ferrer Gonzáles e Compay Segundo foram “redescobertos” graças ao documentário Buena Vista Social Clube, dirigido por Wim Wenders e coprotagonizado pelo guitarrista Ry Cooder.


As circunstâncias separaram Bebo e seu filho Chucho. Reecontraram-se muito tempo depois e a reunião se fez forte. Bem velhinho, acometido do mal de Alzheimer, Chucho amparou-o. Poucos dias antes da morte ainda, levou-a à Espanha, a fim de cuidar dele. Bebo acabou falecendo em Estocolmo em 22 de março. Uma coincidência: ambos nasceram em 9 de outubro, Bebo em 1918 e Chucho em 1941.

O reencontro resultou em apresentações e a gravação de Juntos para Sempre (2008). Ouça Lágrimas Negras. Preste atenção no “caco”, no meio do solo – acho que é de Chucho: toca um trechinho de La Habanera, da ópera Carmen, de Georges Bizet.

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Tres Palabras. No CD é a terceira faixa.




O encontro de Bebo e Chucho no documentário Calle 54, de Fernando Trueba. O “rapidinho” aqui é Bebo.



Pois, melhor combinação não há do que os dois tocarem o clássico Tea for Two, de Vincent Youmans e Irving Caesar..



Veja Bebo tocando com o filho no 32º Festival Jazz de Vitoria, em 2008. Como é o show completo, se você quiser adiantar, Bebo entra aos 46 minutos. Chucho entra para tocar com o pai a partir dos 53 minutos.

terça-feira, 26 de março de 2013

A filhinha de mamãe e de papai Amanda Brecker

Amanda, filha de Randy e Eliane
Pelo sobrenome, é possível desconfiar. Quem se lembra dos Brecker Brothers? Como muitos músicos da geração deles, os irmãos Randy e Michael, montaram uma banda jazz-rock, gênero que permeou o gosto de muitos dos adolescentes nas décadas de 1960 e 70. Não foi diferente com eles. Poderiam gostar de jazz, mas era impossível resistir à força avassaladora do rock, do funk, da soul music e do rhythm’n’blues. Ambos participaram de gravações de James Taylor, Steely Dan, Frank Zappa, Dire Straits e Paul Simon.

Michael Brecker se tornou um dos mais aclamados sax tenoristas no jazz. Passou bem pela fase fusion, como passaram Miles Davis, Chick Corea e Herbie Hancock. Esteve sempre entre os da primeira linha da música instrumental. Em 2004 descobriu que tinha leucemia. Continuou tocando até pouco antes de morrer, em 2007. Formou-se uma verdadeira corrente entre os que o ajudaram em sua luta contra o câncer.

Randy, o irmão, está vivo, no entanto, hoje, não se fala muito dele, mas continua na ativa e ainda é considerado um dos melhores no trompete e no flugelhorn. Foi parceiro musical e na vida de Eliane Elias. Dessa união nasceu Amanda, homenageada por um disco com o mesmo nome, lançado em 1985.

Pois Amanda cresceu e resolveu seguir a carreira dos pais como cantora. Lançou três discos. O primeiro, Here I Am, saiu pelo selo japonês Bird Records, em 2008. Levou vários prêmios, todos por lá. Sucesso localizado. Uma das canções do CD virou tema de programa de TV, o que, como no Brasil virar tema de novela, resultou em boa notoriedade. O segundo, Brazilian Passion (2009), foi lançado também no Japão. É um disco mezzo Brasil, mezzo americano. Claro que, filha de Elias, canta em português perfeito.

Ouça Amanda em dueto com Ivan Lins em Lembra de Mim.



Deixou a Bird e assinou pela Universal Music japonesa e passou a fazer parte do cast da Decca Records. Lançou Blossom com repertório dedicado à Carole King e a James Taylor. É bem agradável. Não vou falar nem bem nem mal. Digo só que Amanda é bela, tem pais famosos e é afinada. É um bom começo, não? Fora isso, tem o guitarrista Anthony Wilson e o tecladista Larry Goldings participando.

Ouça Amanda cantando It’s Too Late.



A minha preferida é (You Make Me Feel Like) A Natural Woman. Confira. Bom, não vá tentar comparar com a de Aretha Franklin.

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