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| O mesmo sorriso de Bebo e Chucho Valdés |
Quem leu o texto que escrevi sobre Bebo Valdés (http://bit.ly/ZVXoT7) deve lembrar-se que o comparei com Yoda, personagem de Guerra das Estrelas, o “conhecedor da Força e do uso do sabre da luz”. Bebo era minimalista, o sábio da máxima expressão com o mínimo de notas. Chucho, seu filho, ao contrário, é o gênio extrovertido que inventou o lendário Irakere. Apolo e Dionísio? Não sei. Sei, entretanto, que em razão do meu pendor à melancolia, prefiro Bebo. Gosto de seu jeito pausado e sincopado de tocar.
Bebo saiu de Cuba quando as forças revolucionárias de Fidel Castro derrubaram Fulgêncio Batista. Foi, inicialmente, para o México, passou pelos Estados Unidos e Espanha e estabeleceu-se em Estocolmo a partir de 1963. Como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Pio Leyva e Rubén Gonzales, Bebo tocou com as grandes orquestras que vicejaram durante a época em que os americanos deixavam muito dinheiro em seus cassinos e nightclubs. Se a ascensão de Fidel foi benéfica para o país, por outro lado, deixaram esses músicos à míngua, trabalhando em subempregos. De maneira diferente, apesar de ter saído de Cuba, Bebo caiu também no ostracismo e foi “redescoberto” por Fernando Trueba, diretor espanhol, ao participar de Calle 54, em 2000. Depois de longo tempo sem gravar, lançou Bebo Rides Again, em 1994. Mas a carreira voltou a deslanchar mesmo foi com o filme de Trueba. A parceria continuou com o DVD Blanco y Negro, em que divide o palco com o intérprete de música flamenca Diego El Cigala, e outro – El Milagro de Candeal –, belo documentário que aborda a cultura baiana e o trabalho em favor da comunidade pobre de Carlinhos Brown. Coincidentemente, Ferrer Gonzáles e Compay Segundo foram “redescobertos” graças ao documentário Buena Vista Social Clube, dirigido por Wim Wenders e coprotagonizado pelo guitarrista Ry Cooder.
As circunstâncias separaram Bebo e seu filho Chucho. Reecontraram-se muito tempo depois e a reunião se fez forte. Bem velhinho, acometido do mal de Alzheimer, Chucho amparou-o. Poucos dias antes da morte ainda, levou-a à Espanha, a fim de cuidar dele. Bebo acabou falecendo em Estocolmo em 22 de março. Uma coincidência: ambos nasceram em 9 de outubro, Bebo em 1918 e Chucho em 1941.
O reencontro resultou em apresentações e a gravação de Juntos para Sempre (2008). Ouça Lágrimas Negras. Preste atenção no “caco”, no meio do solo – acho que é de Chucho: toca um trechinho de La Habanera, da ópera Carmen, de Georges Bizet.
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Tres Palabras. No CD é a terceira faixa.
O encontro de Bebo e Chucho no documentário Calle 54, de Fernando Trueba. O “rapidinho” aqui é Bebo.
Pois, melhor combinação não há do que os dois tocarem o clássico Tea for Two, de Vincent Youmans e Irving Caesar..
Veja Bebo tocando com o filho no 32º Festival Jazz de Vitoria, em 2008. Como é o show completo, se você quiser adiantar, Bebo entra aos 46 minutos. Chucho entra para tocar com o pai a partir dos 53 minutos.

