sábado, 26 de junho de 2010

Barack Obama e o rock

Até onde sei, a banda The National não tem algum disco lançado no Brasil. De tanto ouvir falar deles, adquiri o Boxer (Beggars Banquet, 2007) para matar a curiosidade – não tenho o costume de ficar procurando em sites de Internet. Excelente aquisição. Gostei das músicas e, especialmente, da voz de barítono de seu cantor, Matt Berninger, que lembra Ian Curtis – mais – e Nick Cave – mais ou menos. Aliás, o tom soturno da banda lembra o som da banda de Ian, o Joy Division. Por conta do lançamento de High Violet (não ouvi ainda, mas já encomendei), lembro de uma história que saiu em algumas publicações.


Em 2008, a pretexto do apoio à candidatura de Barack Obama à presidência dos EUA, os membros do The National mandaram confeccionar camisetas com os dizeres “Mr. November” ( é o mês das eleições presidenciais), nome de uma canção do álbum Alligator (2005). Como retribuição, o staff da campanha de Obama utilizou trechos da canção Fake Empire (2007) na peça de campanha Signs of Hope & Change.

A música e o vídeo Signs of Hope… estão aqui anexadas:


Fake Empire - The National from Scott Cudmore on Vimeo.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

O “chiaroscuro” luminoso de Ralph Towner e Paolo Fresu

A fórmula de juntar dois virtuoses num estúdio e gravá-los está meio gasta. Ou, melhor, é um meio déjà vu por causa dos resultados previsíveis: a possibilidade de dar certo é grande. Se bem que, desastres são sempre possíveis – pessoas que parecem ter sido feitas uma para a outra não se tornam inimigas implacáveis, às vezes? “Acidentes acontecem.”

A ECM, gravadora do americano Ralph Towner, é uma das que abusam desse feitio. Nos anos 1970, Keith Jarrett fez um duo com o baterista Jack DeJohnette – Ruta and Daitya – resultando um belíssimo disco com sons originais com o pianista usando até um Fender Rhodes. Está certo, não foi a primeira vez. Na banda de Miles Davis, Jarrett tocou instrumentos elétricos. Depois, tornou-se arauto dos sons acústicos. Outro que vale citar, porque é provável que poucos o conheçam, é o álbum El Corazón, lançado em 1994, pela mesma gravadora. O trumpetista Don Cherry – aventura-se pelo piano e percussão, também – uniu-se ao baterista “polifônico” Ed Blackwell e realizaram um disco excepcional, numa demonstração de que, se houver química, ocorrem “lances” geniais. É como um Pelé/Coutinho, uma das duplas mais mortíferas que existiu no futebol.

Ralph Towner é um dos gênios do violão. O treinamento clássico, capacidade de improviso e talento composicional fazem de dele um nome especial. Fundou com outros três o Oregon – o percussionista e citarista Collin Walcott, o saxofonista, oboísta e clarinetista Paul McCandless, e o baixista Glenn Moore. A sonoridade única de Towner pode ser ouvida em Solo Concert (ECM, 1980), registro de apresentações solos por algumas cidades europeias. Temos a impressão de que seu violão são dois.

Paolo Fresu é um dos inúmeros talentos que a Itália produziu. O país possui grande tradição no jazz, tanto ou mais que a França e o Reino Unido. O registro limpo, sem vibratos, lembra Miles Davis. Chiaroscuro, recém-lançado pela ECM, toca trumpete e flugelhorn em duo com Towner. Não fará o gosto de todo mundo. É um disco para se ouvir em silêncio, relaxado, sozinho. Tem momentos belíssimos. Os destaques são a faixa solo de Towner – Sacred Place – e a consagrada Blue in Green, de Bill Evans. Nesse clássico tão gravado, conseguem ser originais. A faixa está anexada no post. Ouçam e penetrem na beleza que é ouvir boa música.

Para quem quiser ouvir trechos do disco, aqui está o link da Amazon:
http://www.amazon.com/Chiaroscuro-Ralph-Towner/dp/B002PW6J60/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=music&qid=1277432694&sr=1-1

Blue in Green:

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um homem chamado Nomi

Fiquei curioso de ouvir If on a Winter's Night..., de Sting. Faz muito tempo que o compositor e baixista co-fundador do Police explora outras searas além do rock. Em seu segundo álbum solo, Bring on the Night, gravado ao vivo, a presença do saxofonista Branford Marsalis representava um flerte com o jazz. Mesmo no primeiro, Dream of the Blue Turtles, as músicas fugiam  de uma levada mais rock, o que significava que estava deixando o sucesso e a fórmula que deu tão certo com o Police. Nem sempre deu certo, mas a inquietude é uma boa qualidade, e nada como experimentar para a descoberta de novas vias e caminhos. Fora o DVD do show da “re-união” do Police, seus dois últimos CDs saíram por uma gravadora especializada em música erudita, a Deutsche Grammophon. Em 2006, lançou Songs from the Labyrinth, com canções de John Dowland, um dos grandes compositores clássicos britânicos. Tão importante quanto Dowland foi Henry Purcell, autor das óperas Dido e Eneas e The Fairy Queen. Ambos foram mestres da música vocal. No último CD, If on a Winter’s Night…, que saiu em DVD com uma apresentação na Durham Cathedral, apesar de ser um pouco frio, tem momentos de rara beleza. Bom,o repertório ajuda.

Um dos destaques é Cold Song, de Purcell. Mas convém lembrar que antes dele Klaus Nomi, um contratenor, que transitou entre o clássico e o popular, morto precocemente de AIDS, gravou a mesma música: é impactante. Se o leitor, porventura, assistiu ao filme A nous amours, dirigido pelo francês Maurice Pialat, deve lembrar dela. Passo os links dos dois registros. Comparem e opinem.

Klaus Nomi:


Sting: Cold Song