A fórmula de juntar dois virtuoses num estúdio e gravá-los está meio gasta. Ou, melhor, é um meio déjà vu por causa dos resultados previsíveis: a possibilidade de dar certo é grande. Se bem que, desastres são sempre possíveis – pessoas que parecem ter sido feitas uma para a outra não se tornam inimigas implacáveis, às vezes? “Acidentes acontecem.”
A ECM, gravadora do americano Ralph Towner, é uma das que abusam desse feitio. Nos anos 1970, Keith Jarrett fez um duo com o baterista Jack DeJohnette – Ruta and Daitya – resultando um belíssimo disco com sons originais com o pianista usando até um Fender Rhodes. Está certo, não foi a primeira vez. Na banda de Miles Davis, Jarrett tocou instrumentos elétricos. Depois, tornou-se arauto dos sons acústicos. Outro que vale citar, porque é provável que poucos o conheçam, é o álbum El Corazón, lançado em 1994, pela mesma gravadora. O trumpetista Don Cherry – aventura-se pelo piano e percussão, também – uniu-se ao baterista “polifônico” Ed Blackwell e realizaram um disco excepcional, numa demonstração de que, se houver química, ocorrem “lances” geniais. É como um Pelé/Coutinho, uma das duplas mais mortíferas que existiu no futebol.
Ralph Towner é um dos gênios do violão. O treinamento clássico, capacidade de improviso e talento composicional fazem de dele um nome especial. Fundou com outros três o Oregon – o percussionista e citarista Collin Walcott, o saxofonista, oboísta e clarinetista Paul McCandless, e o baixista Glenn Moore. A sonoridade única de Towner pode ser ouvida em Solo Concert (ECM, 1980), registro de apresentações solos por algumas cidades europeias. Temos a impressão de que seu violão são dois.
Paolo Fresu é um dos inúmeros talentos que a Itália produziu. O país possui grande tradição no jazz, tanto ou mais que a França e o Reino Unido. O registro limpo, sem vibratos, lembra Miles Davis. Chiaroscuro, recém-lançado pela ECM, toca trumpete e flugelhorn em duo com Towner. Não fará o gosto de todo mundo. É um disco para se ouvir em silêncio, relaxado, sozinho. Tem momentos belíssimos. Os destaques são a faixa solo de Towner – Sacred Place – e a consagrada Blue in Green, de Bill Evans. Nesse clássico tão gravado, conseguem ser originais. A faixa está anexada no post. Ouçam e penetrem na beleza que é ouvir boa música.
Para quem quiser ouvir trechos do disco, aqui está o link da Amazon:
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Blue in Green:

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